Crítica | Velozes & Furiosos: Espiões do Asfalto - 1ª Temporada

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Crítica

Crítica | Velozes & Furiosos: Espiões do Asfalto - 1ª Temporada

Animação transporta a adrenalina - e a galhofa - da franquia para o público infantil

Gabriel Avila
28.12.2019
22h55

Velozes & Furiosos se tornou uma das mais celebradas franquias de Hollywood. Aumentando sua base de fãs e a arrecadação de seus filmes a cada lançamento, não demorou para que a série ganhasse ramificações. 2019 foi o ano em que a expansão teve início, com Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw, derivado focado nos personagens de Dwayne Johnson e Jason Statham, estreando em agosto e a série animada Velozes & Furiosos: Espiões do Asfalto chegando à Netflix em dezembro. Ao longo de seus oito episódios, a produção transporta a adrenalina - e a galhofa - dos cinemas para o público infantil.

Espiões do Asfalto acompanha as aventuras de Tony Toretto e seus amigos, grupo recrutado por uma organização governamental para se infiltrar na SH1FT3R, grupo criminoso que acoberta seus roubos com corridas clandestinas. O sobrenome do protagonista é familiar aos fãs da franquia, já que Tony é primo de Dominic Toretto, personagem de Vin Diesel, ator que faz participações especiais na animação. Mesmo com toda a roupagem infantil, que troca tiros por balas de paintball, é fácil se sentir no universo de Velozes & Furiosos. As corridas clandestinas, a amizade que se forma entre o herói e o vilão, e até mesmo a marra dos pilotos, cria uma atmosfera muito familiar. Familiaridade que poderia se tornar uma armadilha e condenar a produção a se tornar mais do mesmo entre seus pares desse gênero. Porém, a série garante identidade própria graças ao carisma de seus personagens.

Vale dizer que a equipe tem uma formação baseada em clichês. A união do mini gênio (Frosty), com o alívio cômico (Cisco), a garota durona (Echo) e o protagonista resignado (Tony) não é exatamente novo, mas a interação e o senso de companheirismo criado por eles é genuíno, o que cativa a audiência a ponto de vibrar e torcer pelo time. O ponto fraco dessa união é a necessidade do texto em repetir que são uma família - outro eco da franquia principal. Não faltam oportunidades para que a frase “não deixamos a família para trás” seja dita por algum dos personagens, uma espécie de mantra que verbaliza sem necessidade uma relação já construída pelo enredo. O humor também cumpre um grande papel na tarefa de conquistar a empatia do público, especialmente pela capacidade de rir de si mesmo. Enquanto reforça a marra de seus personagens, o texto constantemente dá passos para trás e faz graça de tanta impafia - algo que a franquia principal demorou alguns filmes para conseguir fazer.

Fazendo jus à franquia, o ponto alto de Espiões do Asfalto está nas corridas. Seja nos circuitos que fazem parte dos roubos ou mesmo em apostas informais, as cenas de ação são bem compostas e tornam as competições empolgantes, especialmente nos momentos em que o roteiro é esperto a ponto de unir suas viradas aos rachas. Especialmente quando o enredo arranja desculpas para levar as disputas para outros cenários, passando por desertos, montanhas e até Las Vegas.

A história derrapa apenas quando decide abrir mão de qualquer plausibilidade e se joga de cabeça na fantasia. É claro que se os live-actions já arranjam desculpas para quebrar todas as leis da física, não seria o desenho animado que iria manter os pés no chão. Ainda que isso seja positivo em momentos de acrobacia entre automóveis ou lutas corpo-a-corpo, se torna uma distração ter que aceitar que absolutamente tudo nesse universo pode ser resolvido através de drones facilmente hackeaveis.

Ainda que pouco inspirada, a animação de Velozes & Furiosos: Espiões do Asfalto cumpre seu papel sem grande destaque. A produção tem design simples, mas competente. Embora não tenha momentos de grande impacto, o visual dá identidade aos personagens e seus veículos em uma estética que lembra video-games. Mesmo com momentos com uma clara queda de qualidade, é competente ao acompanhar o ritmo ágil imposto pelo roteiro.

Com uma história que se conclui ao final da primeira temporada, ainda não ficou claro se a parceria entre Netflix, Universal e DreamWorks retornará para um novo ano. Considerando a qualidade da primeira leva de episódios, é de se esperar que a Tony Toretto e sua turma retornem para novas aventuras. Ainda que seja difícil imaginar um contexto em que o grupo consiga manter identidades secretas após a grandiosa conclusão, está no DNA da franquia Velozes & Furiosos desafiar os limites - e de vez em quando a lógica também.

Nota do Crítico
Bom