Cena de Modo Avião

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Modo Avião

Primeiro filme da parceria entre Netflix e Larissa Manoela não foge de estereótipos, mas tem mérito com mensagem valiosa

André Zuliani
25.01.2020
00h37

Larissa Manoela é um ícone do público infanto-juvenil. Elevada ao status de estrela após viver a mimada Maria Joaquina no remake de Carrossel, a atriz de 19 anos praticamente cresceu em frente às câmeras e sendo observada pelos milhões de fãs nas redes sociais. Toda a sua experiência em ter a vida dissecada pelo público é autoexplicativa para a sua escalação como a protagonista de Modo Avião, novo longa nacional da Netflix.

Na trama, Manoela vive Ana, uma influenciadora digital que não vive sem o celular. Cada momento de sua vida exige uma publicação nas redes sociais: o café da manhã, a escolha da roupa para uma reunião, a comemoração de aniversário de namoro e até mesmo a(s) batida(s) de carro por estar usando o dispositivo no trânsito. Ao perceberem que esse vício ultrapassou alguns limites, os pais de Ana a proíbem de usar o celular e a enviam para o interior para passar um tempo com o seu distante avô (participação especialíssima de Erasmo Carlos). A casa, para o seu desespero, não tem sinal de wi-fi, e obriga a jovem viver a vida simples que nunca conheceu.

Ao entendermos a intenção da narrativa, não é difícil de prever o que acontecerá depois. A história da garota mimada da cidade grande que aprende a dar valor às coisas pequenas já é batida no mundo do entretenimento, mas é curioso acompanhar a evolução da personagem. Carismática, Manoela se esforça para que sua Ana não seja apenas mais uma protagonista de comédia romântica em busca de redenção. Porém, o roteiro de Renato Fagundes (Vai Que Cola – O Começo) e Alice Name-Bomtempo, que adapta a história criada pelo mexicano Alberto Bremer, não tem êxito ao tentar fugir dos estereótipos. A impressão de familiaridade é nítida e todos os personagens do núcleo rural são semelhantes a muitos outros que habitam o catálogo do serviço de streaming.

Apesar de previsível, Modo Avião tem méritos pela mensagem valiosa. Em uma era onde as redes sociais reproduzem um mundo de ficção, é de se destacar uma produção que relembra a importância de ser original. E ter Manoela como atriz principal é um fator essencial: com mais de 28 milhões de seguidores apenas no Instagram, a jovem, assim como Ana, tem o poder de mostrar aos fãs que a vida é muito mais do que likes e visualizações. No final do dia, as relações que criamos fora das telas e as responsabilidades que adquirimos ao longo dos anos são o que determinam quem realmente somos.

Sabendo do potencial de alcance de sua mais nova estrela, a Netflix já encomendou outras duas produções com a atriz no elenco. Muito talentosa, seria interessante ver Manoela fora da zona de conforto que são filmes como Modo Avião. Se o retorno do seu público é praticamente garantido, ver a jovem se arriscar em outros gêneros seria um modo ampliar o seu alcance e, quem sabe, assim como no longa, mostrar que é muito mais do que vemos na tela do celular.

Nota do Crítico
Regular