Ana Valeria Becerril em Control Z/Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Control Z – 1ª temporada

Série mexicana traz trama de Gossip Girl para a era digital, mas aborda temas importantes de maneira rasa e problemática

Nicolaos Garófalo
28.05.2020
21h23
Atualizada em
28.05.2020
23h02
Atualizada em 28.05.2020 às 23h02

Durante seis anos, Gossip Girl, originalmente transmitida pela CW, mostrou um grupo de adolescentes da elite nova-iorquina que tem a vida abalada quando um misterioso blog assinado pela “Garota do Blog” começou a espalhar os segredos de seus vários protagonistas. Control Z, nova série mexicana da Netflix, segue premissa semelhante, porém adaptada a um mundo em que a tecnologia e as redes sociais tornaram-se dominantes no estilo de vida de praticamente todas as pessoas.

Dentro deste conceito de revelação de segredos, a trama segue Sofi (Ana Valeria Becerril), uma adolescente extremamente inteligente e perceptiva que está interessada em descobrir a identidade de um hacker que vem chantageando seus colegas. Ao seu lado, ela tem Javier (Michael Ronda), filho de um famoso ex-jogador de futebol que rapidamente se atrai pela garota após chegar à escola de maneira misteriosa.

Embora tente ser inclusiva, abordando temas atuais como transfobia, bullying virtual e transtornos mentais, inclusive com sua protagonista, Control Z tem claros problemas em desenvolver esses assuntos. Com um elenco exagerado de personagens, a produção de oito episódios não dá tempo o bastante para que seus problemas pessoais sejam devidamente aprofundados. Extremamente necessárias, essas discussões soam deslocadas e até mesmo supérfluas devido à abordagem rasa do roteiro.

Há também um incômodo gigantesco causado pela insistente justificativa dada às ações terríveis mostradas na série. Com exceção de Isabela (Zión Moreno), Luis (Luis Curiel), Alex (Samantha Acuña) e María (Fiona Palomo), nenhum alvo do hacker merece o mínimo de empatia do público, embora os roteiristas se esforcem ao máximo para humanizar seus seguidos atos de crueldade. Demonstrações seguidas de transfobia, humilhação pública, agressão injustificada e preconceito social são contextualizados com o mínimo possível de histórias pessoais, que não justificam as ações cruéis nem ajudam na construção dos coadjuvantes.

Os personagens de Control Z são extremamente inconstantes. De uma hora para a outra, suas personalidades mudam completamente, assim como a maneira como tratam aqueles ao seu redor. Nem mesmo Sofi, que deveria ser a mais constante das personagens, escapa de algumas alterações sem sentido, embora passe por algumas evoluções naturais para o seu arco.

Por outro lado, é impossível dizer que Control Z não prende o espectador. Os rápidos oito episódios são verdadeiramente tensos e a dinâmica direção mantém o público ligado na caçada da protagonista pelo hacker até o último segundo da temporada. Ao mesmo tempo, este primeiro ano traz atuações, em sua maioria, convincentes, especialmente por parte da protagonista Ana Valeria Becerril e Patrício Gallardo, que dá a Gerry toda a odiosa personalidade de um valentão adolescente protegido pelos pais.

É inegável que Control Z tem potencial para se tornar um novo fenômeno na Netflix. Porém, como tal, é necessário que tome alguns cuidados em sua abordagem de temas tão delicados em um mundo tão polarizado. No futuro, a série faria bem em cortar algumas de suas subtramas excessivas e se aprofundar de verdade nos assuntos sérios que levantou. Bom entretenimento, a produção precisa apenas decidir a verdadeira mensagem que quer passar e como transmiti-la.

Nota do Crítico
Regular