Cascavel

Créditos da imagem: Cascavel/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

Cascavel

Novo suspense da Netflix precisaria de mais fôlego para energizar premissa básica

Julia Sabbaga
28.10.2019
15h56

Foi depois do relativo sucesso de 1922, adaptação de Stephen King na Netflix, que Zak Hilditch pode retornar com uma nova produção na plataforma, que até soa como mais um conto do autor. Cascavel, longa escrito e dirigido por Hilditch, no entanto, talvez funcionasse como um episódio de Além da Imaginação, mas a facilidade de produção da plataforma acaba desperdiçando oportunidades como essa. O filme não tem astúcia suficiente, e sua premissa básica não tem fôlego para sustentar a duração de um longa.

No suspense, Carmen Ejogo interpreta Katrina, uma mãe que é confrontada com um dilema moral quando uma mulher misteriosa salva a vida de sua filha, mordida por uma cobra no deserto. Para manter a garota viva, Katrina precisa matar uma pessoa e obedecer as leis de olho por olho da entidade sinistra que lhe deu auxílio. A ideia não é inovadora e muito menos complexa, mas este não é o problema da produção. Apesar de um sólido começo e uma boa construção do clima ameaçador, o psicológico de Katrina não é explorado bem o suficiente para justificar seu foco. A falta de narrativa e apelo moral medíocre fazem a chama do suspense apagar rápido demais.

A interpretação de Ejogo é certeira e reflete o sufoco do dilema e a solidão do deserto muito bem, e o clima do longa é complementado por uma trilha sonora simples mas memorável de Ian Hultquist. Mas Cascavel falha no roteiro, em cada etapa da jornada da protagonista. Katrina se envolve em tramas passageiras em busca de uma vítima, mas nenhum dos arcos é tão cativante, e a falta de concentração atrapalha o desenvolvimento da história. A ideia de deixar a personagem andar sem rumo requereria maior profundidade emocional, e sem isso, Cascavel não fica nem lá nem cá.

Para completar, Cascavel chega em seu conflito final sem grande dificuldade, e arremata com uma conclusão fácil demais depois de tanto drama. Em uma última tentativa de se redimir, o filme entrega um truque barato na última cena, esperando que o mistério do surreal seja suficiente para compensar suas falhas. Se tivesse mantido o ritmo do começo, talvez a tentativa tivesse dado certo. Mas sem decidir em foco no psicológico ou no suspense, Cascavel termina como apenas mais um suspense sem charme no catálogo da plataforma. 

Nota do Crítico
Regular