Leia a crítica da 2ª temporada de Aggretsuko, o anime da Netflix

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

Netflix

Crítica

Aggretsuko - 2ª temporada

Segundo ano busca evitar repetições com arcos definidos, mas perde fôlego com falta de foco

Gabriel Avila
01.09.2020
11h25

Aggretsuko chegou ao catálogo da Netflix em 2018 como uma bomba. Por trás do visual fofo dessa nova personagem da Sanrio (empresa responsável por personagens como Hello Kitty), escondia-se uma dramédia sobre o cotidiano de uma jovem adulta que descarregava suas frustrações cantando metal extremo em karaokês. Com uma estreia surpreendente e envolvente, a animação voltou para sua segunda temporada tentando evitar cair em repetições com arcos definidos. É uma pena que perca o fôlego justamente por não saber misturá-los.

Após os eventos de sua primeira temporada, a vida de Retsuko estava até que indo bem - um fato inédito que até mesmo vira tema para uma conversa na estreia do segundo ano. Porém, a sorte da panda vermelha começa a mudar quando sua mãe literalmente invade sua vida e tenta forçar um casamento arranjado para a jovem. Se não bastassem os problemas em casa, agora o serviço também vai mal com a chegada de Anai, novo contratado da firma que não sabe lidar com críticas.

Se a primeira leva de episódios de Aggretsuko sofreu com uma repetição em seu enredo, o segundo ano lidou com isso definindo dois arcos que se interligavam. O roteiro da animação é esperto ao partir desses dois pontos para introduzir discussões e aprofundar sua protagonista. Mais do que casamento, o enredo com a mãe discute famílias disfuncionais, a forma como os millennials lidam com questões da vida adulta e até mesmo sobre como o amor pode ser usado para machucar. O mesmo pode ser dito sobre a vida na empresa, já que agora Retsuko precisa lidar com o fato de que é a superior e que, às vezes, pode cometer enganos também.

Através dessa ramificação, a animação recebe inúmeras oportunidades para refletir como momentos banais podem causar sentimentos como euforia, melancolia e medo. O verdadeiro problema está na forma como essas tramas são encaixadas. Ainda que exista a clara intenção de alternar entre as problemáticas, fica inconsistente a forma como um enredo se desenrola para então mudar completamente o foco para a outra.

O que poderia ser resolvido com uma melhor distribuição nos acontecimentos para desenvolver o percurso de Retsuko acaba criando barrigas e tirando a força de momentos que deveriam ser as grandes viradas da temporada. O texto, porém, é esperto a ponto de aproveitar esses momentos menos corridos para dar mais espaço para coadjuvantes que até então serviram apenas como trampolim para a protagonista, conferindo um certo nível de carisma.

De todos os aspectos, o que mais se manteve constante na segunda temporada foi a animação. Seguindo o estilo estabelecido na temporada, o traço cartunesco brilha ao dar fluidez aos seus personagens, o que serve tanto para os momentos “sérios” em que os humaniza, quanto para criar amplificar momentos cômicos.

Com uma nítida evolução em relação a sua primeira temporada, Aggretsuko demonstrou grande empenho por parte da equipe em amplificar o potencial da animação. Consciente de que ganhou seu público por uma mistura de ingredientes inusitados, o anime acertou ao evoluir sua história de forma que não dependa meramente da excentricidade. Uma decisão madura para uma produção que tinha tudo para ser um mero comercial de produtos fofinhos.

Nota do Crítico
Bom