Sami Bouajila em Terra e Sangue, da Netflix

Créditos da imagem: Terra e Sangue/Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

A Terra e o Sangue

Filme francês da Netflix entrega boa ação mas não tem nada de destaque para se tornar marcante

Arthur Eloi
29.04.2020
15h08

A combinação entre drama e ação foi bastante explorada no cinema a partir dos anos 2000. Seja na jornada de vingança de Liam Neeson em Busca Implacável, ou então nas tragédias cult dos Irmãos Coen, há inúmeros filmes sobre pessoas normais levadas aos seus limites. A Terra e o Sangue, filme francês distribuído pela Netflix, é um desses casos, e sofre justamente por se parecer com muitos outros.

Dirigido por Julien Leclercq (Carga Bruta, Lukas), o longa acompanha Said (Sami Bouajila), o dono de uma serralheria que se vê arrastado para uma disputa com o chefão do crime Adama (Eriq Ebouaney), quando descobre que um de seus funcionários escondeu drogas roubadas em seu local de trabalho. A premissa é simples o bastante e o diretor deixa claro que o foco é a ação ao invés da narrativa. Mesmo assim, o ritmo é um pouco arrastado até chegar nesse conflito central. As partes que não envolvem a troca de tiros são fracas, com personagens sem desenvolvimento ou motivações convincentes. Deixar a narrativa em segundo plano não é um problema em filmes do tipo, mas desperdiçar ⅓ da duração com diálogos expositivos e desinteressantes, é.

As coisas melhoram quando Said enfim decide partir para cima de Adama (mesmo que sem muitas justificativas para isso). É aí que Leclercq mostra o que sabe fazer, com bom controle da tensão e ação bem dirigida. O que mais diverte é o quão consciente a produção está do cenário, incorporando-o às lutas. Em desvantagem numérica, o protagonista usa as várias máquinas da serralheria para ir eliminando os capangas, um por um. Toda a sequência rende alguns bons momentos, com toques de violência gráfica e criatividade nas execuções.

O contraste entre as duas metades de A Terra e o Sangue deixa claro como nunca houve intenção de fazer um longa, mas sim de apresentar apenas uma boa sequência de combate numa serralheria. Além da ação sólida, a fotografia e as atuações são bastante consistentes, mas a falta de interesse da produção em estabelecer os personagens, e um roteiro que precisa ser lapidado, criam uma experiência sem sal. Com alguns momentos memoráveis, não é um filme ruim, mas sim pouco inspirado e que já foi feito várias vezes antes, com resultados melhores.

Nota do Crítico
Regular