David Spade e Laurem Lapkus em A Missy Errada/Netflix

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

A Missy Errada

Netflix e David Spade chegam ao fundo do poço com comédia romântica previsível e mal atuada

Nicolaos Garófalo
18.05.2020
21h13
Atualizada em
25.05.2020
12h14
Atualizada em 25.05.2020 às 12h14

Produtora criada por Adam Sandler, a Happy Madison é usada para realizar filmes do ator e seus amigos de Saturday Night Live desde sua fundação, em 1999. Embora seja responsável por comédias como Como Se Fosse a Primeira Vez e Tá Rindo Do Quê?, a produtora têm assinado alguns dos piores títulos do gênero nos últimos dez anos. Em 2020, ao lado da Netflix, o selo trouxe A Missy Errada, comédia romântica forçada estrelada por David Spade.

A história do filme gira em torno de Tim (Spade), administrador em um banco que precisa impressionar seu chefe após a fusão de duas grandes empresas. Desacreditado no amor, ele tem um encontro acidental no aeroporto com Melissa (Molly Sims) e, após semanas conversando por mensagens, a chama para um retiro organizado pelo chefe no Havaí. Para a surpresa de Tim, ele estava enviando textos para o número errado e quem aparece na viagem é Missy (Lauren Lapkus), uma garota instável com quem saiu apenas uma vez três meses antes e cujo nome completo é o mesmo que o da “mulher ideal”.

Logo em sua primeira cena, quando Tim e Missy têm seu encontro, A Missy Errada apresenta sua primeira leva de momentos desconfortáveis. Em poucos minutos, o filme se apoia em dezenas de piadas batidas sobre “mulheres loucas”, que incluem a moça carregar um facão e perseguir Tim até o banheiro. A criatividade do roteiro e as atuações, que já começam forçadas, só pioram daí para frente.

Comandado pelo diretor Tyler Spindel (Pai do Ano), o elenco trabalha como se não quisesse fazer parte do filme. Enquanto Jackie Sandler, que vive a rival de Tim na empresa, Jess, pronuncia suas falas maneira mais truncada possível, Nick Swanderson vai para o outro lado do espectro e berra de maneira incômoda cada um dos diálogos de Nate, chefe da RH e amigo do protagonista. Sem química, Spade e Lapkus também nunca justificam suas escalações como o casal principal do longa.

É importante lembrar que o roteiro de Chris Pappas e Kevin Barnett também não ajuda. Completamente sem graça, o texto confunde nojeira e humor com frequência, com piadas que vão de vômito a masturbação em público. A parte romântica de A Missy Errada peca ainda mais, já que os roteiristas nunca justificam a paixão de Missy por Tim além do fato de ela “ser louca”. Além da humilhação que sofre pelo pretendente e seus amigos, a moça também nunca se desenvolve como personagem, com sua única característica importante sendo a paixão intensa pelo personagem de Spade.

Embora seus filmes originais nunca tenham sido uma unanimidade com a crítica, a Netflix chega ao fundo do poço com A Missy Errada. Diferente de outras produções da plataforma, o longa não tem nada redimível e é difícil acreditar que ele seria filmado por qualquer outro estúdio, não fosse o acordo com Sandler e a Happy Madison.

Com 90 minutos irrecuperáveis, A Missy Errada está fadado, se tudo der certo, a seguir os passos de The Ridiculous Six e Zerando a Vida rumo ao esquecimento em meio ao oceano de opções melhores no streaming.

Nota do Crítico
Ruim