Helen Hunt em À Espreita do Mal

Créditos da imagem: À Espreita do Mal/Divulgação

Netflix

Crítica

Crítica: À Espreita do Mal ignora sua única boa ideia

Suspense da Netflix de tensão morna esconde um filme melhor em sua reviravolta

Arthur Eloi
21.04.2021
15h38

Não é correto avaliar um filme pelo o que ele poderia ser, apenas pelo o que foi entregue. Com À Espreita do Mal, suspense disponível no catálogo da Netflix, a tarefa é difícil. Após quase uma hora de tensão mal construída e dramas desinteressantes, o filme revela que é feito em cima de uma ideia original e aterrorizante, que sequer é explorada.

Terceiro longa de Adam Randall (iBoy), a trama acompanha uma família cada vez mais distante entre si por conta de algo feito pela mãe, Jackie (Helen Hunt). Se não bastasse o atrito entre ela, o filho Connor (Judah Lewis) e o marido Greg (Jon Tenney), toda a situação fica mais complicada quando uma série de coisas estranhas passam a acontecer na casa. A primeira metade soa bastante como o ato um de um filme de James Wan (Invocação do Mal, Sobrenatural), em que macabras coincidências vão se acumulando, mas nunca atingindo um grande impacto.

Grande parte disso se dá por uma falta de foco, já que o longa não sabe se dá atenção ao mistério na casa, ao drama familiar, ou então ao caso de desaparecimento de crianças na cidade que Greg, que é policial, investiga. Uma discussão tensa é cortada por atualizações dos detetives, e algum evento macabro é sucedido pelas inimizades entre o filho e a mãe. Ao longo de todo o primeiro ato, o filme tenta desenvolver um pouco de tudo sem sucesso.

O que salva À Espreita do Mal de ser inteiramente tedioso é uma reviravolta, que acontece para explicar o que realmente são os eventos estranhos que acontecem na casa.

[Cuidado! Spoilers de À Espreita do Mal abaixo]

Em cenas tipo found footage, é revelado que a família principal é vítima de ‘phrogging’, ou seja, que eles têm alguém vivendo escondido em sua casa. Histórias de moradores que descobrem pessoas vivendo dentro de paredes ou debaixo de pisos são manchetes ocasionalmente, e sempre despertam um sentimento medonho de insegurança. Aqui, o filme mostra potencial de acertar no incômodo da invasão domiciliar e da violência urbana de algo como Os Estranhos (2008), especialmente quando um dos invasores - vivido por Owen Teague, de It: A Coisa e The Stand - passa a desenvolver certo gosto por perturbar a família em crise.

Aqui, À Espreita do Mal demonstra ter algo interessante para contar. Infelizmente, nem mesmo essa abordagem é levada em conta, e se torna só mais um ingrediente jogado numa panela prestes a transbordar. Aliás, já que o found footage é apenas usado para explicar as coincidências macabras do ato um, a virada só ressalta o quão pouco inspirada e monótona é a primeira metade do longa.

Nada demonstra melhor o excesso de arcos subdesenvolvidos do que a conclusão, que joga dois protagonistas de lado sem maiores explicações, e faz um malabarismo gigantesco para tentar convencer o espectador de que toda essa bagunça estava conectada. Seja pela tensão mal construída ou pelo excesso de subtramas sem desenvolvimento, no fim das contas À Espreita do Mal serve como um lembrete de que, frequentemente, menos é mais, e de que boa ideia não é capaz de se sustentar se não for valorizada.

À Espreita do Mal
I See You
À Espreita do Mal
I See You

Ano: 2019

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 98 min

Direção: Adam Randall

Roteiro: Devon Graye

Elenco: Judah Lewis, Owen Teague, Jon Tenney, Helen Hunt

Nota do Crítico
Regular

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