A Babá: Rainha da Morte

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

Netflix

Crítica

A Babá - Rainha da Morte

Sem o carisma do primeiro, sequência de A Babá repete erros e acertos do original

Julia Sabbaga
10.09.2020
14h30

Se você gostou do primeiro A Babá e está se preparando para ver a sequência na Netflix, tenho uma recomendação: não reveja o original logo antes. A Babá: Rainha da Morte, novamente dirigido por McG, está repleto de repetições de seu antecessor, desde frases a golpes idênticos. A quantidade de autorreferências é tão grande que levanta a questão: será que ele se considera clássico assim?

Como costume, a sequência de A Babá ganha grandiosidade. Na trama, os personagens do ritual satânico do primeiro filme retornam para assombrar Cole (Judah Lewis), o pobre garoto que ficou traumatizado com acontecimentos de dois anos atrás, e ainda lida com as consequências de sua reputação de louco, já que os eventos do original, causados por sua babá Bee (Samara Weaving), não deixaram evidências. Desta vez, no entanto, não estamos em uma vizinhança pacata, mas em um vasto deserto, que promete uma fotografia mais ousada e, basicamente, a substituição de aranhas do porão por cobras em seu meio-ambiente. 

Apesar de simpático e ainda confiante no seu clima de anos 80 que funciona, A Babá: Rainha da Morte perde muito o seu sentimento de galhofa, tão presente no primeiro filme, principalmente pela escolha de elevar a produção. Isso inevitavelmente enfraquece um de seus melhores méritos, o charme do tosco. Mais do que isso, a sequência decepciona principalmente pela ausência do protagonismo de Weaving, de longe o maior triunfo do original, e brinca constantemente com a expectativa de sua aparição. 

Dito tudo isso, é preciso esclarecer que A Babá - Rainha da Morte não é uma completa decepção. Robbie Amell segue hilário como o psicótico Max, e Ken Marino, o adorável pai de Cole, volta para mais tempo de tela. Mas seus retornos, assim como os dos outros integrantes do culto, são como assistir cenas deletadas do primeiro filme, em que eles têm a oportunidade de reviver exatamente as mesmas personalidades e piadas. Tudo isso faria sentido, talvez, se A Babá tivesse sido lançado há 10 anos. Mas ver a franquia retornar tão cedo, com tanto amor próprio, é quase bizarro. 

Na onda de retornos do elenco, a personagem de Emily Alyn Lind, Melanie, sofre com a difícil tarefa de substituir Bee, mas são poucas atrizes que conseguiriam segurar o peso que Weaving carregou no primeiro filme. Sua tentativa é digna, mas insustentável, e no quesito novidade, Jenna Ortega é uma adição bem-vinda. As duas personagens, no entanto, são vítimas da completa desconsideração que o filme tem com personalidades bem construídas ou uma trama bem explicada. Elas são o que são, e quem não está disposto a suspender a descrença que se vire. 

Sem o charme de Weaving e a ingênua ousadia do primeiro filme, Rainha da Morte flutua entre boas cenas de sangue e mau uso de estereótipos, enfatizando as falhas de McG, seja com letreiros desnecessários ou efeitos que mascaram a fraqueza da trama. Mesmo assim, A Babá 2 pode recompensar quem procura um entretenimento barato de quarentena. 

Nota do Crítico
Regular