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Do Brasil para o mundo: como Cidade Invisível apresentou o folclore nacional

Carlos Saldanha e elenco revelam bastidores da série da Netflix e relembram como descobriram a Cuca, o Saci e companhia na infância

Mariana Canhisares
25.02.2021
15h25

Difícil desvencilhar as figuras do folclore brasileiro do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Quer você tenha lido as histórias do Monteiro Lobato ou assistido a uma das adaptações da TV Globo, sua memória de personagens como Cuca e Saci acabou envolta de uma aura infantil e, portanto, talvez seja difícil pensar na jacaré loira e ter medo, mesmo se tratando de uma bruxa que promete te pegar quando seus pais não estiverem por perto. Cidade Invisível, produção da Netflix encabeçada pelo brasileiro Carlos Saldanha, toma para si o desafio de mudar essa visão. E mais: lembrar por que o quão rica e fantástica é a nossa cultura.

O envolvimento do Saldanha pode levar o espectador desavisado ao erro. Não, não estamos diante de uma animação, nem uma produção destinada a crianças. Cidade Invisível é um suspense policial com elementos fantásticos, que vez ou outra até flerta com o terror. “Estou fazendo animação há 30 anos e queria explorar novidades”, contou o diretor de produções como A Era do Gelo e Rio ao Omelete. “Fiz um segmento live-action quando fiz Rio, Eu Te Amo, e fiquei com vontade de fazer uma coisa diferente, algo com brasilidade para os pequenos que cresceram com meus filmes e, hoje, são adultos.”

O folclore pareceu, então, um caminho interessante a seguir. “É algo muito brasileiro, mas tem várias influências. É um pouco europeu, um pouco indígena, um pouco africano”, disse. “Então comecei a pensar: por que não fazer uma série que lida com isso? Quem são essas entidades? E se elas são humanas e estão entre a gente, quais são as vantagens, os defeitos, os anseios e os medos?”.

Para isso, Saldanha e sua equipe contaram com a consultoria da autora Januária Alves, que escreveu o livro Abecedário dos Personagens do Folclore. “Ela abriu vários caminhos para mim. Ela falou ‘olha, você pode seguir a essência do que são as personagens, mas talvez não precise seguir à risca’. As histórias do folclore são contadas no boca a boca e, dependendo de onde você vai, é um pouco diferente.”

Este é um dos motivos, inclusive, para a caracterização da Cuca como uma borboleta, e não a jacaré, como foi no Sítio do Pica-Pau Amarelo. Quem interpreta a personagem é a atriz Alessandra Negrini que, como Saldanha, também tem uma ligação emocional às figuras do folclore desde a infância, e aprova como a série da Netflix as reintroduziu no imaginário do brasileiro. “As nossas entidades estão ambientadas na cidade, elas são seres de certa forma marginalizados, porque eles ficaram meio deslocados. Porque a floresta foi consumida, porque o folclore foi esquecido.”

A entrevista completa com Carlos Saldanha e o elenco de Cidade Invisível você pode conferir no topo da página!

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