Jeremy Tardy revela saída de Cara Gente Branca por discriminação racial: "auge da hipocrisia"

Créditos da imagem: Vivien Killilea/AFP

Netflix

Notícia

Cara Gente Branca | Jeremy Tardy revela saída da série por discriminação racial

Ator acusou a Lionsgate de oferecer um salário menor em comparação a um ator branco da série

Gabriel Avila
11.09.2020
23h48

Jeremy Tardy revelou que não voltará para a quarta e última temporada da série Cara Gente Branca da Netflix acusando a Lionsgate de discriminação racial. O ator, que interpretou Rashid Bakr na produção divulgou um comunicado em suas redes sociais afirmando que a produtora se recusou a negociar seu salário após receber uma contra-proposta de sua equipe. O ator afirmou que essa decisão foi contrária ao que aconteceu com um colega de elenco branco, que recebeu a mesma proposta, mas conseguiu negociar um valor maior. Confira abaixo:

“Infelizmente não voltarei para a quarta e última temporada de Cara Gente Branca da Netflix por conta da minha experiência com a Lionsgate e suas práticas de discriminação racial.

Após receber a oferta para retornar para alguns episódios, minha equipe foi notificada que nossa contra-oferta não seria considerada e que a oferta inicial seria “a mais alta e final”. Essa notícia foi perturbadora porque um dos meus colegas brancos - sendo um verdadeiro aliado - revelou que eles fizeram a mesma oferta inicial e negociaram uma contra-oferta de forma satisfatória. Minha equipe revelou essa questão para a Lionsgate e os produtores mantiveram sua posição de que o ator branco estava disponível para negociações enquanto eu não estava - independente dos meus créditos e experiência.

Com essa informação, seis membros do elenco recorrente, incluindo eu mesmo, nos organizamos juntos para negar as ofertas iniciais da Lionsgate na segunda-feira 31 de agosto.

Nossa intenção foi fazer um movimento poderoso como unidade no processo de negociação e, mais importante, nos posicionarmos no princípio básico de que essa não é simplesmente uma questão monetária. Estávamos todos cientes da notória disparidade salarial entre pessoas negras e nossos colegas brancos nas séries da Netflix e da Lionsgate; então isso tornou flagrantemente óbvio. Entretanto, nosso poder de barganha coletivo foi minado por ofertas paralelas e falta de transparência. Essas táticas levaram alguns indivíduos a assinar contratos antes de o grupo coletivo receber um proceso de negociação justo e igualitário.

Essas empresas recentemente lançaram comunicados e até doações em apoio ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em tradução livre). Estou denunciando suas práticas vergonhosas de discriminação e desigualdade racial tendo em mente como eles sempre desvalorizaram e rebaixaram pessoas negras. Ser politicamente correto da boca pra fora com gestos simbólicos não te absolvem da responsabilidade diária de fazer negócios de uma maneira igualitária e justa.

O fato que isso ocorreu nos bastidores de um programa cujo propósito é abordar problemas sistêmicos do racismo e da discriminação se mostra a grande auge da hipocrisia.

Lionsgate. Netflix. Eu estou te vendo. Nós estamos te vendo.”

Em um comunicado revelado ao Deadline, a Lionsgate negou as acusações de discriminação afirmando que a questão foi “uma negociação puramente financeira ligada a termos de contrato. A Lionsgate está comprometida a tratar de forma igualitada todos os seus talentos, indpendente de raça, gênero, idade ou orientação sexual. Estamos muito orgulhosos de Cara Gente Branca e seu espaço na conversa nacional sobre igualdade racial e justiça social, e estamos ansiosos para iniciar a produção da quarta temporada”.

Cara Gente Branca é baseada no filme homônimo de Justin Simien e se passa em uma universidade de elite composta predominantemente por alunos brancos. Após várias de situações desrespeitosas com os alunos negros, incluindo uma festa blackface, as tensões raciais atingem seu ápice. A primeira temporada da trama foi elogiada pelos críticos por abordar temas como injustiça social, tendências culturais, política e ativismo no mundo contemporâneo. Ainda não há previsão de estreia para o novo ano. As três temporada anteriores da série estão disponíveis no catálogo da Netflix.