Participantes do Brincando com Fogo Brasil, que estreia na Netflix

Créditos da imagem: Divulgação/Netflix

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Brincando com Fogo Brasil tem participantes comprometidos com a quebra de regras

Primeira temporada da versão brasileira do reality de proibição sexual promete ser explosiva; Omelete já viu

Henrique Haddefinir
20.07.2021
10h48
Atualizada em
20.07.2021
11h47
Atualizada em 20.07.2021 às 11h47

Quando os primeiros reality shows foram surgindo, no início dos anos 2000, eles eram moralistas e circulavam pela TV como se estivessem se sentindo culpados por existirem. Qualquer ato estratégico era considerado uma vilania e qualquer comportamento “luxurioso” era punido com o escárnio. No longínquo Big Brother Brasil 2, o primeiro casal a fazer sexo abertamente foi duramente criticado (e eliminado). Olhar por esse túnel do tempo faz a existência de programas como o Ex On The Beach (De Férias com o Ex) parecer ainda mais irônica. Quando a TV percebeu que o sexo entre anônimos vendia mais que o julgamento, não parou mais.

Contudo, não existe comparação possível com o reality da MTV. De fato, Brincando com Fogo é o anti-Ex on the Beach. Enquanto na MTV a proposta é fazer com que os casais transem sem parar, em Brincando com Fogo o celibato de todos é comprado com dinheiro vivo. É como se depois de tanto explorar o coito, o mercado dos realities estivesse dando a volta e resolvendo fetichizar as intermináveis preliminares interpessoais. O interessante Casamento às Cegas faz um caminho parecido: os casais decidem se casar antes mesmo de se encontrarem pessoalmente. Tudo que eles fazem é conversar e idealizar.

As regras da versão BR do programa são as mesmas: os solteiros são entregues a um sistema de férias, de sombra e água fresca, com promessas de festas e muita pegação. Depois de 24 horas de liberdade, eles são informados de que para faturar o prêmio de 500 mil precisam fazer celibato total. A cada beijo, toque obsceno ou ato sexual em si, uma multa é aplicada e o prêmio vai diminuindo. O objetivo é – até certo ponto – cruel com aquela juventude superficial e latente: concentrar a energia em conhecer as pessoas como pessoas e não como objetos.

Brincando com Fogo surge fazendo esse papel de bonzinho. É claro que tudo que a produção quer é que eles quebrem as regras (até porque assim eles dão material para a edição e ainda perdem dinheiro). Mas, assim como acontece em todo reality show, emoções e conexões reais podem surgir em meio aos interesses mercadológicos; afinal de contas, aquelas são pessoas de verdade. Obrigadas a não transar, em algum momento algumas delas podem acabar entrando na proposta. Se algum relacionamento concreto sair dali, é um lucro. A turbulência do processo é mais importante.

Os “brincantes”

Com a fórmula estabelecida, bastava encontrar o elenco certo. A versão BR foi buscar o supra sumo da frequência de baladas e academias e apareceu com participantes que, pelas imagens já liberadas, estão dispostos a quebrar todas as regras. Como diz a própria Lana (a inteligência artificial que fiscaliza os residentes da casa), eles são escolhidos com base no nível de superficialidade das próprias relações. Quanto mais ímpeto para a multiplicidade de parceiros, melhor. Todos eles, sem exceção, fazem uma propaganda pessoal de muita diversão e pouca empatia.

O time das mulheres já parece ser encabeçado por Brenda Paixão, de 24 anos. A ruiva é quem mais aparece no trailer protagonizando cenas ousadas com um dos rapazes. A outra participante que aparece vivendo alguns dramas no trailer é Rita Tiecher, de 25 anos. As duas são as apostas iniciais dentro do time feminino, que ainda é composto por Gabriela Martins, de 27 anos; Kethellen Avelino, de 22; Thuany Raquel, de 26 anos e Marina Streit, de 24.

Do lado dos homens, quem aparece ao lado de Brenda na maioria das sequências sensuais do trailer é o empresário Matheus Sampaio, de 25 anos. As notícias sobre ele dão conta de uma personalidade egocêntrica e conquistadora. Ele pode ser um “vilão” potencial. O nome de Leandro David, de 23 anos, também chama atenção. Ele é um atleta de natação que ficou conhecido em Brasília por ter ido para as piscinas mesmo tendo alergia ao cloro. O elenco masculino se completa com Davi Kneip, de 21 anos (o participante mais jovem da edição); Igor Paes, de 27, Ronaldo Moura, de 29 anos e Caio Giovani, que apesar de se apresentar como ator, cantor e dançarino, tem um background militar.

É claro que a “experiência” não pode ser só a simples observação do grupo e durante a rotina da casa, palestras e dinâmicas são organizadas para forçar o contato e também a evolução dos inevitáveis casais que são formados nos primeiros dias. Tudo isso com uma narração sagaz, que zomba dos participantes, daquele mesmo jeito que já acontece no The Circle. Não por coincidência, tanto o The Circle, quanto o Ex on the Beach e o Brincando com Fogo, são criações da televisão britânica e têm esse narrador politicamente incorreto como ponto em comum. No Brasil o cargo ficou com a comediante e youtuber Bruna Louise.

Os primeiros episódios de Brincando com Fogo Brasil chegam ao Netflix no dia 21 de Julho. Os episódios finais chegam no dia 28. Considerando a quantidade de feromônios suficiente para causar sufocamento, a primeira temporada da versão BR pode ser explosiva. Ou melhor, ela pode ser como uma represa prestes a ceder à pressão da água. Resta saber quem vai sobreviver à inundação.

 

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