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Deuses Americanos | Shadow segue vagando por labirinto de situações surreais em segundo episódio

Série desacelera ritmo caótico do capítulo inaugural, mas mantém clima de tensão

Rafael Gonzaga
08.05.2017
16h29
Atualizada em
29.06.2018
02h43
Atualizada em 29.06.2018 às 02h43

Logo no começo de “The Secret of the Spoons”, Wednesday (Ian McShane) dá uma resposta a Shadow (Ricky Whittle) que sintetiza a atmosfera do segundo episódio da primeira temporada de Deuses Americanos: “nosso pacto não inclui explicações”. Ainda que o ritmo de trem-bala do capítulo anterior seja desacelerado a no máximo 70 km/h pelas paisagens rurais de Minnesota e Winsconsin, isso não deixa as coisas mais claras. Pelo contrário, o segundo episódio é uma sequência de diálogos perturbadores que mais assustam do que explicam alguma coisa - mesmo que comece com o pedido de satisfações de Shadow acerca dos motivos dele ter sido surrado e pendurado em uma árvore no fim do episódio anterior.

A cena inicial do segundo capítulo da trama revela Orlando Jones em uma atuação espetacular como Anansi, mostrando sua vinda para a América a bordo de um navio negreiro. O discurso do deus-aranha corta como uma lâmina afiada: invocado pelos africanos acorrentados no porão da embarcação, Anansi incita o ódio neles ao contextualizar como seriam os próximos séculos de relações desiguais entre negros e brancos.

De volta ao mundo contemporâneo, uma coisa que chama atenção no episódio é a pequena prévia do retorno de Laura (Emily Browning). Ainda que a aparição dela seja em um sonho de Shadow, no episódio anterior foi possível ver a moeda de Mad Sweeney (Pablo Schreiber), atirada pelo ex-condenado no túmulo da esposa falecida, sendo tragada pela terra que cobria o caixão. A sequência da cena do sonho é interessante também do ponto de vista de que, finalmente, traz Shadow se permitindo sofrer pela série de desventuras em sua vida.

Se demorou para Shadow derramar algumas lágrimas pela perda da esposa, do futuro emprego na academia do melhor amigo e de tudo o que planejava para sua vida pós-cadeia, já estava na hora do viúvo questionar a própria sanidade mental. O episódio mostra Shadow - finalmente - pontuando a possibilidade de estar enlouquecendo e, em mais um diálogo arrebatador, Wednesday coloca as coisas em perspectiva (“você pode considerar que o mundo é louco ou que você é louco, são duas opções coerentes”).

O episódio apresenta mais uma leva de deuses, novos e antigos. O primeiro deles é Media (Gillian Anderson), que surge durante as compras de Shadow no formato da protagonista de I Love Lucy, clássico televisivo dos anos 1950 nos EUA. O discurso sobre obsolescência, sobre ela e o Technical Boy (Bruce Langley) estarem, de certo modo, do mesmo lado, oposto ao de Wednesday, já começa a pavimentar a estrada por onde a série está caminhando. Bilquis (Yetide Badaki) volta a aparecer também, em um banquete composto por um menu dos mais variados tipos de homens e mulheres. Porém, o grande destaque do episódio ficou a cargo de Czernobog (Peter Stormare) e as irmãs Zorya.

A última parte de “The Secret of the Spoons” foi dedicada a mostrar a tentativa de Wednesday convencer Czernobog a se juntar a sua causa - ainda não muito clara para quem não leu o livro de Neil Gaiman, base da trama. A cena é construída em diálogos, cores, cenários que remetem a ideias de decadência, de tradicionalismo, de cansaço e de uma fagulha de orgulho que impede as coisas de irem de vez para o ralo. O episódio termina com Shadow provando que talvez acordos não sejam um campo no qual ele deva investir, já que perde a própria vida para o deus eslavo em uma partida de damas - vai ser interessante ver como ele irá se livrar dessa no próximo capítulo. Deuses Americanos é exibido no Brasil pelo serviço de streaming Amazon Prime e o próximo episódio estará disponível em 15 de maio.

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