Trampa: banda de Brasília estreia novo material em reencontro com Orquestra

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Trampa: banda de Brasília estreia novo material em reencontro com Orquestra

Grupo lança show do disco Trampa A Sinfonia com apresentação no Teatro Nacional em Brasília

Jacídio Junior
11.10.2018
10h43
Atualizada em
11.10.2018
15h12
Atualizada em 11.10.2018 às 15h12

A banda brasiliense Trampa está na ativa desde 2006, entregando uma sequência de trabalhos inspiradoras e capazes de oxigenar o mercado do rock nacional.

Composta por André Noblat (vocal), Pedrinho “Bap” Cardoso (baixo), Rafael Maranhão (guitarra), Arnoldo Ravizzini (bateria) e Rodrigo Vegetal (guitarra), o grupo nasceu seguindo os passos clássicos dentro do rock: amigos ensaiando covers. Porém, um detalhe após o lançamento do primeiro EP, em 2007, mudou bastante o rumo das coisas.

Noblat, vocalista do grupo, durante um jantar, conheceu o Maestro Silvio Barbato que se interessou pela sonoridade do grupo e propôs unir o som da banda ao de uma orquestra. No entanto, esse caminho entre o EP, o 1º disco e a apresentação com uma orquestra aconteceu de forma totalmente despretensiosa. Noblat apresentou duas faixas do grupo a Barbato, que gostou do que ouviu e fez o convite para que realizassem uma apresentação com orquestra no Teatro Nacional, em Brasília. O convite fez com que o Trampa fosse para estúdio gravar seu primeiro álbum, Te Presenteio com a Fúria, e deu origem ao DVD Trampa Sinfônica, gravado durante a apresentação com Barbato.

Esse momento de 2008 originou o link que traz a banda para seu projeto atual, o disco Trampa A Sinfonia, lançado no final de Agosto, e que ganha um show especial, novamente no Teatro Nacional, nesta quinta (11 de outubro). Alguns dias antes do show de estreia, conversamos com a banda, mais precisamente com Rafael Maranhão, sobre história, música e o que torna esse projeto diferente de outros já feitos por bandas de rock e orquestra. Você pode ler a entrevista exclusiva abaixo.

Logo de entrada, vale a pena saber que o retorno ao universo orquestrado aconteceu por dois motivos, conta Rafael Maranhão, “[...] queríamos homenagear os dez anos do primeiro Trampa Sinfônica e prestar nossos respeitos, com um tributo, ao Maestro Sílvio Barbato, morto em 2009 no acidente da Air France”. Ainda pode ser somado a isso o fato do produtor do grupo, Diego Marx, e do guitarrista do Scalene, Tomás Bertoni, terem se surpreendido com um show acústico do Trampa. “Eles se surpreenderam com o resultado da apresentação, já que somos uma banda pesada. Então, misturamos um com o outro e o resultado foi: Acústico + Sinfônico”, destaca o músico.

E aí surgem as peculiaridades do projeto, afinal de contas, misturas entre rock e orquestras não são tão difíceis de encontrar. “A maior diferença desse projeto é que a orquestra faz parte da música inteira e não só como uma inserção ou uma ferramenta de dinâmica ou dramaticidade. A orquestra está lá presente o tempo todo. É uma parte gigante do que essas músicas se tornaram”, enfatiza o guitarrista.

O Trampa também lida com o retorno aos arranjos orquestrais depois de um hiato de dez anos o que parece não ser um problema e sim algo que colaborou com o som do grupo, já que todos se vêm mais maduros e sem a pressão do julgamento que um músico novo coloca sobre si. Esse tópico abre caminho para entender um pouco como foi para uma banda independente de Brasília colocar um projeto do tamanho que foi o Trampa Sinfônica em pé, lá em 2008.

Maranhão não usa meias palavras e confessa que foi muito difícil, e segue, “O projeto sempre pareceu ambicioso demais, grande demais, sabe? Tínhamos que terminar as composições e arranjos restantes do disco que seria lançado. Ao mesmo tempo, estávamos afinando a ponte com o Maestro, que precisava das composições, estruturas rítmicas, harmônicas e melódicas das canções que seriam tocadas no show. E isso tudo, acertando a produção de um show apoteótico na maior sala do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Mas agora que já passou e fizemos isso outras seis vezes, descobrimos que o mais difícil é a primeira vez. Depois tudo fica bem mais possível, principalmente com uma galera muito incrível por trás, dando força”.

Bem, agora mesmo com a expertise do show com orquestra já entre os conhecimentos do grupo, o novo projeto, Trampa A Sinfonia é uma criação diferente. O projeto conta com sete faixas, foi gravado e lançado algum tempo antes da realização do show e ainda ganhou uma edição em vinil. E com tudo isso acontecendo, como foi pra banda pensar, criar e lançar um vinil em 2018?

“É diferente!”, destaca o guitarrista que explica ainda que a escolha por essa mídia ampliou as possibilidades de trabalhar a arte e a concepção do encarte do disco, sem contar que o grupo queria que as pessoas pudessem ouvir o álbum nesse formato “por causa das características de dinâmicas e frequências”. E claro, ainda surge a necessidade de se pensar de forma mais detalhada na ordem das faixas até detalhes de mixagem e masterização, trabalho que ficou sob a responsabilidade de Diego Marx (produtor), Ricardo Ponte (mixagem) e Cobrinha (responsável pela masterização).

Já encerrando a conversa, o Trampa, depois dessa retomada orquestral-acústica, já tem planos para um EP em inglês que vem como uma possibilidade de explorar um mercado “que ainda está restrito” por causa do idioma. Maranhão faz questão de enfatizar que a banda não irá abandonar o português: “Esse é um momento de experimentação que eu acho que pode se provar interessante”.

E por fim, surge uma reflexão sobre o novo espaço do rock diante de um mercado tão pulverizado e focado em outras sonoridades, o que o guitarrista comenta não ser um problema nem para o rock, nem para qualquer outro segmento musical.

“Sobre a questão da carreira na música, e não necessariamente somente no rock, eu acho que os artistas não têm que mirar no mainstream, mas sim, no jeito sustentável de fazer sua música e transmiti-la. Quero dizer, aprender a testar seu produto, sua performance, sua técnica de vendas, sua divulgação e serem criativos em todos os aspectos do negócio, porque essa talvez seja a parte triste pra muita gente, é um negócio. E quando o seu negócio prospera, ele naturalmente se expande”. Ouça o novo disco abaixo.

Agora é se preparar para o show que acontece hoje (11/10) no Teatro Funarte Plínio Marcos, no Eixo Monumental Setor de Divulgação Cultural lote 02. A apresentação rola, pontualmente, às 19h40 e a entrada é gratuita mediante retirada do ingresso a partir das 18h30 na bilheteria.