The Internet | Com show curto e emocional grupo encerra passagem pelo Brasil

Créditos da imagem: Divulgação/The Internet/Eduardo Magalhães

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The Internet | Com show curto e emocional grupo encerra passagem pelo Brasil

Apresentação foi marcada pela participação do público e clima de conversa entre amigos

Jacídio Junior
03.05.2019
18h35
Atualizada em
03.05.2019
18h34
Atualizada em 03.05.2019 às 18h34

The Internet é aquela banda que o público chega ao show já sabendo o que vai ver no palco: Uma bela mistura de fusion-jazz swingado e black music com tempero pop, entregue por um conjunto afiado, de forma simples e direta.

A banda formada em Los Angeles e atualmente composta por Syd (vocalista), Matt Martians (teclado), Steve Lacy (guitarra), Patrick Paige II (baixo) e Christopher Smith (bateria), em sua última apresentação no Brasil, entregou o que o público parecia buscar: um show de descompressão.

Desde o início, mesmo com o espaço não tão cheio, as pessoas se mostravam realmente empolgadas. A partir do momento em que os músicos subiram ao palco, era nítida a percepção de que quase 100% das pessoas estava ali para cantar e dançar ao som dos norte-americanos. E esse parece ser um dos pontos mais interessantes como parte dos eventos organizados pelo Queremos: A reunião de pessoas realmente interessadas em ver e curtir o show de sua banda/artista favorita.

Assim, desde o primeiro minuto, a conexão com os estímulos que vinham do palco era quase palpável. A conversa entre as faixas fluía como se amigos estivessem assistindo um show de amigos. E, enquanto as músicas eram apresentadas, Syd, mesmo falante e engajando o público na apresentação, parecia ter menos energia do que em shows que a banda realizou em outros momentos. Em todo caso, apesar dessa entrega diferente e da confissão de que está passando por um momento difícil, o show seguiu da melhor forma possível, sem que o amor por estar em terras brasileiras ficasse de lado: “Eu realmente amo o Brasil”, comentava a vocalista.

Além de tudo isso, vale ressaltar a tranquilidade com a qual a banda realiza as mudanças de atmosfera, saindo de momentos mais intensos, como no início da apresentação, e entrando no seu clímax mais sexy/romântico confirmando o “veredito” de Marcelo Hessel na lista do melhor da música em 2018, de maneira sutil e quase hipnotizante.

Como destaque dessa troca delicada e intensa, “Stay the Night” se mostra incrível pela forma como a banda entra em uma dinâmica que não perde o público em nenhum momento e, mesmo com tantos elementos que permeiam o pop, ainda consegue criar a sensação de um show desenhado para um festival de jazz. Algo que, como em toda boa apresentação, faz com que a música do palco tenha ainda mais força e nuances do que a que ouvimos nos discos. Fica aí o destaque para as boas e “Girl” e “Come Over”, com elementos que a transformam em algo ainda maior do que já são na discografia do grupo.

Por fim, depois de pouco mais de uma hora de show (uma apresentação curta) era nítido que Syd estava muito emocionada. Após cantar a última faixa, não teve jeito, a vocalista chorou e foi confortada por todos os companheiros do grupo. Neste momento não era possível saber se a emoção era pelo fim da passagem pelo Brasil ou por algo que foge ao palco. De qualquer forma, ver a entrega de um artista é sempre algo que marca, e o The Internet estava ali, de verdade, algo que nem mesmo alguns detalhes técnicos nos ajustes de som foram capazes de minimizar.

Tuyo: Trio brasileiro foi a escolha certa para abrir a noite

Antes que o The Internet assumisse o palco, o trio brasileiro Tuyo foi responsável por preparar o espaço. Com uma sonoridade original e que ao vivo fica ainda mais forte, Lilian Soares, Layane Soares e Jean Machado entregam uma experiência forte e marcante, graças à boa mistura de sons orgânicos e elementos eletrônicos que compõem toda a apresentação. Vê-los ao vivo é quase uma obrigação para quem gosta de se inebriar por sonoridades criativas e emocionantes.