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No final do ano passado, o mundo da música sofreu uma perda incalculável e que passou, em grande parte, despercebida. Benjamin Orr, antigo baixista e vocalista de The Cars, morreu de câncer no pâncreas aos 45 anos.

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Ei, você não se esqueceu de quem foram The Cars, esqueceu&qt;&

Imperdoável, imperdoável... mas tudo bem. Desta vez, passa. E, para lhe refrescar a memória, The Cars foi a banda que compôs os hinos pop mais perfeitos da de todos os tempos.

Como era a música tocada por The Cars&qt;& Difícil rotular, mas o grupo fazia rock’n’roll (claro!) com influências que iam do bubblegum cinqüentista de Buddy Holly ao art rock dos anos setenta a la David Bowie. Acrescentando à receita, melodias grudentas, plenas guitarras altas mescladas a teclados e sintetizadores, eles foram um dos primeiros nomes de um movimento que surgia no mundo pós-punk: a new wave. Exatamente! Música para colegiais de roupas coloridas e cabelos esquisitos dançarem em bailes de formatura. Meninada de sorte, essa aí...

O motor de The Cars era o guitarrista, Ric Ocasek, que compunha sozinho todas as canções e assumia o microfone a maior parte do tempo. Mesmo assim, era da voz sexy do saudoso Ben Orr, a figura andrógina escondida atrás do baixo, que vinham os principais clássicos e sucessos da banda. Para completar a formação, a dupla ofereceu carona a mais um guitarrista (Elliot Easton), um tecladista (Greg Hawkes) e um baterista (Dave Robinson, ex-Modern Lovers). E seguiram em frente.

A estréia de The Cars em disco aconteceu em 1978. Quem levou a bolacha para casa teve a imediata certeza de que estava com uma obra-prima do rock nas mãos. As faixas do álbum – todas estouradíssimas nas rádios da época –, batizado simplesmente de The Cars, são de rara perfeição, daquelas que grudam no ouvido e no coração. É impossível resistir à tentação de pressionar a tecla repeat do aparelho de som para escutar tudo de novo e sair saltitante pelas ruas assobiando “My Best Friend’s Girl", "Bye Bye Love" e "Just What I Needed"...

Ah, "Just What I Needed"... a canção que ocupava a terceira faixa do lado A (discos de vinil tocavam dos dois lados... uau!) destacava-se das demais. Em três minutos e quarenta e quatro segundos, resumia todo o conceito da obra: A PERFEIÇÃO POP. Ouça-a (enquanto o Napster ainda respira, mesmo que bem enfraquecido) e comprove. Se o mundo fosse justo, ela teria aparecido no primeiro lugar da lista que a revista Rolling Stone e a MTV americana fizeram no final do ano passado, compilando as melhores canções pop do século. No entanto, soterrado pela moda das boy bands e à sombra dos Beatles, "Just What I Needed" ficou em um trigésimo lugar.

Pisando no acelerador, The Cars ainda seguiu numa estrada tranqüila por mais cinco discos. O segundo, Candy-O (1979), é quase tão bom quanto o seu antecessor, mostrando a banda musicalmente impecável em composições deliciosas como "Let’s Go", "Got a Lot on My Head" e a faixa-título. Destaque para a guitarra arrasadora de Elliot Easton.

Depois de Panorama (1980) e Shake It Up (1981), a banda deu uma respirada de três anos e voltou com seu maior sucesso comercial, Heartbeat City, que dava muito mais destaque aos teclados do que às guitarras. Foram milhões de cópias vendidas e hits como "You Might Think", "Magic" e "Drive", invadindo as rádios e a recém-nascida MTV – em clips precários e breguíssimos, já que aquela era a fase mais exagerada da sempre exagerada new wave. Aliás, "Drive", uma balada baba que até hoje toca muito naqueles enfadonhos good times das rádios que o papai e a mamãe gostam de ouvir, foi o maior sucesso de The Cars no Brasil.

A última buzinada da banda foi ouvida em Door to Door (1987), que simplesmente não emplacou, fazendo Ric Ocasek saltar e seguir a pé com sua carreira solo. Ele lançou vários discos com seu nome estampado na capa – o mais recente foi Troublizing, de 97, lançado no Brasil –, mas destacou-se mesmo como produtor de trabalhos de bandas como Weezer (que vem aí com um novo álbum, também sob seu comando, oba!), Hole (Gold Dust Woman) e Bad Religion (The Grey Race). Ben Orr gravou apenas The Lace, em 1986, mas até poucas semanas antes da sua morte fazia shows cantando composições próprias e, obviamente, grandes clássicos de The Cars.

Uma coisa é certa: os dois primeiros álbuns do grupo são fundamentais para qualquer fã de música. Além de terem uma sonoridade atemporal (estou falando! corra para o Napster!), foram decisivos para a obra de muita gente boa dos anos 90, como Garbage, Nirvana, Pixies... Kurt Cobain até prestou uma homenagem à banda, justamente no último show do Nirvana, tocando "My Best Friend’s Girl" e um pedaço da sombria "Moving in Stereo". E, em Kurt, você confia, né&qt;&

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