Taylor Swift Reputation Stadium Tour é o exemplo perfeito do poder da estrela

Créditos da imagem: Netflix/Divulgação

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Taylor Swift Reputation Stadium Tour é o exemplo perfeito do poder da estrela

Cantora consegue manter intimidade mesmo com show gigantesco

Julia Sabbaga
31.12.2018
13h33

Em 2018, Taylor Swift teve o álbum mais ouvido do ano (mesmo Reputation tendo sido lançado em 2017), revolucionou a técnica de venda de ingressos e quebrou recordes de turnê mais bem-sucedida por uma mulher (contrariando estimativas iniciais) e mudou de gravadora inovando contratos e alterando relações entre artistas e seus representantes. Como se tudo isso não bastasse, a cantora decidiu entregar seu ato final do ano com algo que está sendo - apropriadamente -chamado de "evento"; o filme show Taylor Swift reputation Stadium Tour, lançado na Netflix no último dia de 2018.

Para registrar o fechamento da turnê americana em Dallas, no Texas, Taylor escalou o diretor Paul Dugdale, responsável pelos aclamados filmes-show de Coldplay e Adele, e conseguiu entregar todo o poder de seu espetáculo. Em mais de duas horas de duração, a cantora consegue ser magnânima, humilde, rockstar e garota country, e toda a performance é envolta na temática do disco e sua reputação, apesar de todo o amor presente e cada ingresso vendido.

Se havia dúvidas sobre o alcance e o poder de Taylor, Reputation Stadium Tour estampa oficialmente a sua elevada a outro patamar. O começo da noite, com "...Ready for It?" e "I Did Something Bad", exemplificam que não há absolutamente nada discreto em seu espetáculo. A festa em "Shake It Off", com Charli XCX e Camila Cabello, o arranjo arrebatador de “King Of My Heart” e a ótima “Blank Space” são exemplos de um show que não economiza em efeitos, banda ou dançarinos, mas o maior momento da noite é seu oposto. No filme da Netflix, Taylor passa um tempo do show explicando a ideia por trás de Reputation, e apesar de todas as luzes e malabarismos, ela mostra seu lado mais íntimo.

“O que nos assusta mais é o que ameaça a nossa possibilidade de achar algo real. Algo como ter uma reputação ruim pode nos atrapalhar de ter amizades reais, amores verdadeiros, aceitação de verdade. Porque você pensa 'e se eles ouviram algo de mim que não é real?’". Com um discurso de cinco minutos, a cantora transformou a mensagem do seu disco para algo universal. Considerando que o álbum é construído na imagem que ela própria tem na imprensa, algo que nunca foi realmente relacionável para cada um de seus fãs pessoalmente, a retórica de Taylor em seu show torna a questão real e humana. Sua capacidade de transmitir o sentimento de uma popstar para algo corriqueiro e familiar é a maior qualidade de seu espetáculo.

O esforço de se aproximar de seus fãs e se tornar relacionável é claro e bem sucedido, mesmo que quando Taylor desça para cumprimentá-los ela esteja cercada de seis seguranças. Mas o movimento é o que pauta a jornada do show inteiro, e tem uma boa conclusão. O final da performance – um meio termo entre a nova e a velha Taylor – com a animada dança em “This Is Why We Can’t Have Nice Things”, traz Taylor fazendo questão de acenar para cada canto do estádio, em um esforço raro de deixar cada fã sair de lá com uma experiência real.

O especial da Netflix da Taylor Swift não é apenas um presente aos fãs das regiões que ela não visitou até hoje. Ele é importante para demonstrar o poder do discurso de uma figura influente e comprova a capacidade da cantora de manter uma relação íntima com os fãs, independentemente de quão gigantesca sua performance se torne.