Taylor Swift | Entenda a polêmica da cantora com Scooter Braun

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Taylor Swift | Entenda a polêmica da cantora com Scooter Braun

Cantora se pronunciou contra a compra da Big Machine Label Group

Julia Sabbaga
01.07.2019
16h21

Apesar de seu último single ser um pedido por mais calma, Taylor Swift chamou atenção no último final de semana por um longo protesto, publicado no Tumblr, contra a venda da Big Machine Label Group, sua antiga gravadora, para a Ithaca Holdings. Como a maioria das causas apoiadas por Taylor (que impulsionou doações à uma organização LGBTQ+ com um único clipe), a questão se propagou pelo mundo do entretenimento, e a rixa agora envolve nomes como Justin Bieber, Demi Lovato, Cara Delavigne e por aí vai.

A Big Machine Label Group foi a primeira gravadora de Taylor Swift, e assinou contrato com a cantora em 2006, tendo lançado todos os seus álbuns até hoje. Swift anunciou um novo contrato com a Universal Music Group em novembro do ano passado, mas seus antigos trabalhos continuam sob sua antiga gravadora, e são possivelmente o aspecto mais valioso da empresa. Por isso, quando foi anunciada a venda da empresa por US$ 300 milhões, Taylor Swift teve muito o que dizer.

O que incomodou a cantora, e levou ao longo texto divulgado, é que o proprietário da Ithaca Holdings é Scooter Braun, empresário de Justin Bieber, Ariana Grande e diversos outros nomes, inclusive Kanye West, na época do auge do conflito entre a cantora e o rapper. Em seu texto, Taylor explicou que Braun esteve por trás de um dos momentos mais dramáticos de suas histórias nos tabloides, descrevendo seu histórico com clientes do empresário:

“Tudo que eu consegui pensar foi no bullying incessante e manipulador que eu recebi dele por anos. Como quando Kim Kardashian orquestrou o vazamento de um trecho de uma gravação ilegal e Scooter e dois de seus clientes fizeram bully online comigo. Ou quando seu cliente, Kanye West, organizou um clipe de revenge porn que me coloca de corpo nu. Agora Scooter me despiu de uma vida de trabalhos, que eu não tive a oportunidade de comprar. Essencialmente, meu legado musical está prestes a ficar na mão de alguém que tentou arruína-lo”.

Taylor se referiu à ligação vazada em que Kanye West pediu permissão para incluir o seu nome na faixa “Famous”, assim como o uso de sua imagem no polêmico clipe da mesma música. Em seu texto, Taylor ainda alegou que não sabia do acordo até o anúncio na imprensa, e que teve a chance de adquirir os seus álbuns antigos gradualmente se permanecesse na Big Machine, ganhando um álbum velho a cada novo trabalho que lançasse: "Eu rejeitei porque sabia que assim que eu assinasse o contrato, Scott Borchetta venderia a gravadora, me vendendo junto com meu futuro". Ainda, Taylor descreveu o novo cenário como um pesadelo e culpou tanto Scooter Braun quanto o dono da Big Machine, Scott Borchetta: "Ele sabia o que estava fazendo, os dois sabiam. Controlando uma mulher que não queria ser associada com eles. De modo perpétuo. Isso quer dizer para sempre".

O longo texto de Swift gerou reações de todos os lados. Um dos primeiros foi Justin Bieber, que criticou a postura da cantora, dizendo que seu texto incitaria o público a praticar bullying contra Scooter. Logo depois veio Demi Lovato, que postou uma resposta em seu stories no Istagram, dizendo: "Eu lidei com muitas pessoas ruins nesta indústria e Scooter não é uma delas. Ele é um homem bom".. Entre os que saíram em defesa à Taylor estão Halsey, Joseph Kahn, Todrick Hall, Cara Delevingne e Brendon Urie, seu parceiro no primeiro single de Lover, "ME!": "Isso partiu meu coração. Eu li a declaração de Taylor e pensei 'isso parece normal, né?'. Homens tóxicos fazendo coisas tóxicas”.

A questão se aprofundou ainda mais quando Borchetta publicou uma resposta no site da Big Machine, contradizendo muitos pontos do texto de Taylor. Em primeiro lugar, o executivo foi contra a alegação de Taylor de que soube do novo acordo apenas em seu anúncio, dizendo que o pai de Taylor, Scott Swift, é um dos sócios da Big Machine, e saberia do acordo há 10 dias. Ainda, Scott disse ter enviado à Taylor uma mensagem explicando o que seria anunciado no dia anterior. Talvez ainda mais importante, Scott revelou uma série de documentos mostrando que a gravadora ofereceu os trabalhos antigos de Taylor de volta a ela, não como Swift descreveu, mas de modo total e incondicional, contanto que a cantora assinasse mais um contrato de 10 anos com a Big Machine. Segundo Scott, Taylor rejeitou a oferta.

Apesar do texto de Swift não pedir por uma mudança nos planos de venda, e apenas servir como um protesto ao modo em que as coisas na indústria são feitas, é possível que sua longa declaração cause mais rebuliço no mundo pop, que já sentiu os efeitos, no mínimo, nas redes sociais. Agora é aguardar pelo próximo passo no novo conflito entre Scooter e Swift.