Música

Entrevista

Selvagens à Procura de Lei conta como foi representar o Brasil na Rússia

Vocalista, guitarrista e tecladista Gabriel Aragão conversou com o Omelete sobre a experiência

Julia Sabbaga
02.08.2018
16h36

 

Selvagens a Procura de Lei

Selvagens a Procura de Lei
Selvagens a Procura de Lei/Divulgação

Quando o Brasil foi jogar a Copa do Mundo na Rússia, algumas bandas foram juntas como parte de uma iniciativa da Brasil Music Exchange. Junto com nomes como Emicida, Liniker & Os Caramelows e Mart’nália estava o Selvagens à Procura de Lei, como o representante do rock no grupo. 

Já preparando o seu próximo disco, o vocalista, guitarrista e tecladista da banda Gabriel Aragão parou para conversar com o Omelete sobre a experiência, relembrando a recepção do público russo com a sonoridade brasileira e ainda aquecendo para os próximos passos da banda. Veja abaixo. 

Como foi tocar na Russia?

Pisar em solo russo para fazer turismo já é por si só um roteiro bem diferente, pra tocar então nem se fala. Mas o fato de estarmos lá para representar o Brasil na música é um marco significante.

Vocês sentiram diferença no público russo especificamente?

Os russos foram muito abertos e acolhedores com o nosso som. A Power House já tinha sido palco do Emicida e do Gian Correa, então já fomos recebidos como o "brazilian party" do dia. Dentre os artistas selecionados para a Rússia éramos o único grupo de rock brasileiro, mas como temos um som com várias influências, especialmente no último disco, o Praieiro, os russos adoraram a mistura apesar de não entenderem o que a gente estava cantando. Ganhamos na melodia.

Como foi o processo que levou vocês para lá?

Foi através da BME, programa que selecionou 12 artistas brasileiros para representar as diversas vertentes da música do Brasil em Moscou. Foi super emocionante representar não só o rock nacional, mas também o Nordeste e a nova geração como um todo.

O que vocês acham que, da sonoridade de vocês, mais exemplifica a musicalidade brasileira?

A cada disco a gente toma liberdade pra mudar, pra se influenciar e testar o que é novo para a banda. No primeiro disco a gente assimilou muito do rock nacional anos 80 e dos Los Hermanos também. No nosso segundo disco a gente ouviu muito os primeiros discos do Tim Maia e o Acabou Chorare, por exemplo. No terceiro rolou muito Gilberto Gil e Alceu Valença. A gente gosta muito da música de fora obviamente, mas temos um pé firme no que é produzido no Brasil, sejam sons antigos ou novos. Esse nosso lado foi o que fez os russos dançarem o show inteiro.

Antes de ir para a Russia, vocês tinham mencionado estarem se preparando para gravar um novo EP. Como está o processo? As músicas já estão escritas?

Sim! Estamos finalizando. Devemos lançar logo mais em agosto.

Vocês acham que a experiência na Russia chegará a influenciar a composição ou gravação?

Depois do EP estamos nos preparando para gravar o quarto disco dos Selvagens. A composição acho que não, porque as músicas novas e os temas já estão bem encaminhados. A Rússia tem um papel fundamental na mudança de postura da banda, de saber que ali do outro lado existem pessoas que gostam do que a gente faz. Encontramos por lá um fã russo, imagina só. Então, isso prova como a nossa geração junta as pessoas, e como a língua não é um problema. Pelo contrário, o português é lindo e permite melodias incríveis. Precisamos é de mais exportação da nossa música.

Quais seus os planos para o resto do ano para vocês?

Para o resto do ano vamos seguir com a tour do DVD que gravamos em abril em Fortaleza. Devemos lançar esse show ao vivo logo depois do EP. Além disso, vamos focar as energias no disco novo. Estamos super empolgados com as músicas novas e queremos compartilhar o mais rápido possível a nova fase dos Selvagens.