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São Paulo Trip | Alter Bridge, The Cult e The Who fazem história em São Paulo

Bandas de três gerações diferentes agradaram o público inteiro

Julia Sabbaga
22.09.2017
10h42
Atualizada em
25.09.2017
10h21
Atualizada em 25.09.2017 às 10h21

A primeira noite do São Paulo Trip, novo festival que trouxe para a cidade boa parte dos grupos roqueiros do Rock In Rio, já tinha seu lugar garantido na história por marcar a estreia do The Who no Brasil. Mas a noite não foi só de Roger Daltrey e Pete Townshend. Os shows do Alter Bridge e The Cult foram excepcionais e provaram que o Rock brilha em três bandas de gerações diferentes e, definitivamente, não está morto.

A abertura do evento ficou por conta dos americanos do Alter Bridge, que subiram ao palco pontualmente e não desanimaram pela falta de público, que aos poucos chegava no Allianz Parque. Myles Kennedy, Mark Tremonti e companhia, conquistaram a plateia inteira e mostraram simpatia e talento, cativando até quem apareceu para ver os dois veteranos que chegariam depois. Já na segunda música, “Addicted To Pain”, a banda tinha ganho o público, mas o carisma do frontman e a habilidade do guitarrista durante o show inteiro arrebataram a performance. Kennedy arriscou um português com um “E aí galera” e pediu desculpas pela banda não ter aparecido pelo território brasileiro desde sua formação em 2004: “Nós finalmente viemos! Depois de 13 anos!”.

Foi a vez do The Cult. A sensação inglesa do pós-punk dos anos 80, que hoje conta com apenas dois de seus membros originais, o vocalista Ian Astbury e o guitarrista Billy Duffy, subiu ao palco animada, com o frontman encarnando uma presença de palco semelhante a Mick Jagger. O público já estava animado, mas Astbury não se contentava; pedindo coros e engajando ainda mais o público, o fôlego do líder da banda surpreendeu quem foi lá para ver se o vocal dos anos 80 continuava com a qualidade de sempre: comprovado, Astbury fez uma apresentação perfeita, que entusiasmava cada vez mais aos pedidos do vocalista: “Isso não parece o Brasil! Vocês tem certeza? Representem!”. Os pedidos de Astbury foram atendidos e o show do The Cult contou com uma performance que só melhorava, do começo ao fim.

E finalmente, veio o The Who. A espera não foi apenas de ver as duas bandas anteriores, mas de cinco décadas. Formada em 1964, foram mais de cinquenta anos de espera para ver um dos grupos responsáveis pela formação do rock que existe hoje. A performance de Roger Daltrey e Pete Townshend foi histórica. Os dois foram auxiliados por uma banda de apoio que se mostrou mestre em segurar o peso dos dois fundadores, que conta até com o filho de Ringo Starr na bateria, Zakk Starkey.

A voz de Daltrey, claro, não é a mesma. O vocalista envelheceu e sua voz sentiu o peso dos anos, mas isso não o impediu de entoar “Bargain” ou “Love, Reign O’er Me” de modo exemplar. Com suas piruetas tradicionais com o microfone, Daltrey sentiu o amor da plateia e respondeu com poucas palavras, muito ânimo e simpatia. Mas a noite foi de Pete Townshend, mestre na guitarra, que arrancava gritos da plateia toda vez que fazia seu movimento clássico do braço giratório para tocar o instrumento. No fim do show, Townshend até aguentou seu pulo clássico, caindo de joelhos no palco aos plenos 72 anos. Foi uma performance histórica, de uma banda que reconheceu seu envelhecimento mais não deixou a desejar. Ao fim, a favorita “Baba O’Reily” contou com o coro da plateia e emocionou todo mundo. Voltando duas vezes para o bis, o show terminou com Townshend esgotado, pedindo um “go home” amoroso, para que o povo voltasse para a casa e a banda pudesse descansar, com sensação de dever cumprido. 

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