“Não gosto de minhoca” e mais: Kauê destrincha letra de “Velocidade”
Canção dos Santos Bravos virou meme após turnê promocional na Coreia do Sul
Créditos da imagem: Santos Bravos apresentam "Velocidade" no MCountdown, na Coreia do Sul (Reprodução)
E você, gosta de minhoca? O Omelete fez a pergunta que todos os fãs do Santos Bravos gostariam de fazer quando teve a oportunidade de conversar com o quinteto, logo antes do seu show em São Paulo (SP): afinal, o que diabos significa essa letra de “Velocidade”, hein?
Naturalmente, o brasileiríssimo Kauê Penna tomou a frente na missão de destrinchar os versos que viralizaram após a turnê promocional do grupo, gerenciado pela HYBE (mesma gravadora de fenômenos como BTS e KATSEYE), pela Coreia do Sul.
“Velocidade”, única canção inteiramente em português do disco DUAL, foi o carro-chefe do grupo no país asiático – o que significa que Kauê e seus colegas de grupo colocaram o país do k-pop para “falar carioca”, é claro.
OMELETE: Com certeza as promoções de vocês na Coreia atraíram muita atenção para "Velocidade", uma faixa que amamos desde que ouvi pela primeira vez no álbum. Por que vocês quiseram dar destaque a essa música, e como foi vê-la explodir na Coreia e ao redor do mundo?
KENNETH: Primeiramente, para nós é um orgulho representar as nossas culturas, e queremos fazer isso muito bem sempre. Queremos mostrar ao mundo cada um de nossos países, cada uma de nossas crenças, de nossas culturas, e de uma forma que todos possam se conectar com isso. Acho que apresentar "Velocidade" na Coreia foi algo muito especial para nós, porque estamos representando a cultura do nosso irmão. E foi uma loucura, não sei se já tinha visto antes um grupo chegar ao Inkigayo [music show popular na Coreia], por exemplo, e cantar em português. Ver as pessoas interessadas, prestando atenção numa música em português – gente não só da Coreia, mas da América Latina em geral e de outras partes do mundo – é algo muito poderoso para nós. É por isso que estamos tendo aulas de português, porque queremos de verdade sentir que também somos cariocas. [Risos] Embora não de nascimento, nos sentimos cariocas graças ao Kauê.
OMELETE: Kauê, a gente precisa falar da letra de "Velocidade". No estilo Genius, eu trouxe aqui alguns versos, e queremos que você explique o significado para nós.
KAUÊ: [Risos] Ai, meu Deus… Vamos lá, manda.
OMELETE: Começamos com: "Quando ela treme, terremoto, terremoto / Bololô igual uma moto, todo mundo tira foto". O "bololô" é por causa do MC Bin Laden?
KAUÊ: Sim, bololô, haha! Eu acho que essa música é um pouco de tudo, sabe? A gente queria representar muito bem o Rio de Janeiro. Quando eles [os produtores] estão trabalhando numa nova música, geralmente montam um moodboard – e, claro, tinha pessoas cariocas na equipe que escreveu “Velocidade”. Daí eu acho que foram surgindo referências. Sabe "Vai Malandra" da Anitta? Que ela está em cima da moto, e a moto está subindo o morro… Qual o barulho que a moto faz? No Rio de Janeiro, a gente faz "vrum-dan-dan-dan", ou "bom-bom-bom-bololô-bololô", sabe, alguma coisa assim.
OMELETE: Obviamente, depois vem o: "Quando o bumbum bate e rebola / Sacode a pipoca, não gosto de minhoca". Explica essa para a gente.
KAUÊ: Vou começar pelo "minhoca", que foi o que ficou mais viral entre todo mundo. "Minhoca" é uma gíria para problema. "Não gosto de minhoca" é tipo "não quero problema com você", sabe? Eu não sei se muita gente já escutou isso, mas eu já escutei muito. Talvez seja mais regional do lugar onde eu morava! “Pipoca" foi a primeira palavra que eles [os outros integrantes do Santos Bravos] aprenderam a falar em português.
KENNETH: Sim, pipoca! [Faz joinha]
KAUÊ: [Risos] Depois que eles aprenderam a falar "pipoca", não pararam de falar mais. Então a gente falou: "Vamos ter que colocar na música". E é claro que tinha que soar legal, mas também tinha que ser uma coisa gostosa de cantar. Esses dias fomos para o Peru e tinha uma loucura acontecendo no aeroporto, todo mundo cantando "Velocidade". Colocaram o nome de um cachorro peruano de Pipoca, literalmente por causa de "Velocidade". Olha que aqui no Brasil é muito normal usar Pipoca como nome de cachorro, mas lá não!
Isso é algo que até agora eu não tinha visto. A gente aqui no Brasil canta muito as músicas dos artistas latinos, ou mesmo de fora da América Latina, mas nunca acontece muito de eles cantarem as nossas músicas. Então, para a gente, é um orgulho estar escutando tantas pessoas fora do Brasil cantando. Fizemos um show para 6 mil pessoas agora no Peru, e todo mundo sabia "Velocidade". Eu estou dançando uma música que literalmente fala que não gosta de minhoca, sacode a pipoca… e muito emocionado, porque é uma das primeiras vezes que eu vejo que realmente a América Latina como um todo está cantando em português!
OMELETE: Só para terminar, minha parte favorita do refrão: "Joga o bumbum, minha amiga/ Lá pra cima". E nos music shows aparecia como "bom-bom", ao invés de “bumbum”.
KAUÊ: Joga o bom-bom, por que não? [Risos] Eu acho que isso vem muito da cultura do Rio de Janeiro, do nosso rebolado. Quando você vai rebolar, joga o bumbum para cima, joga para baixo, joga para o lado. Eles [os integrantes] já descobriram também o conceito de quadradinho de oito, viu? Mas é muita coisa enrolada nessa música, em uma mistura só, e acho que por isso é que chamou tanto a atenção.
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