Sandy & Junior entregam espetáculo com muito mais que nostalgia

Créditos da imagem: Sandy Junior/César Fonseca

Música

Artigo

Sandy & Junior entregam espetáculo com muito mais que nostalgia

Com vocal de Sandy e carisma de Junior, dupla trouxe tudo que promete

Julia Sabbaga
24.08.2019
23h54
Atualizada em
25.08.2019
01h00
Atualizada em 25.08.2019 às 01h00

Quando Sandy & Junior anunciaram o seu retorno aos palcos, doze anos depois de sua última série de shows, toda a reação emocionada dos fãs pareceu se basear em um sentimento de nostalgia pura. Mais tarde, quando shows começaram a se esgotar em questão de minutos, a força do amor do público ficou clara. Mas foi apenas testemunhando o espetáculo entregue pelos irmãos na turnê Nossa História que o real poder atual da dupla se provou. Na primeira apresentação de Sandy & Junior no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 24, a emoção se mostrou muito mais do que nostálgica, e representou o amor por um pop nacional poderoso, que resistiu o teste do tempo.

O público, claro, não era dos mais jovens, mas a forte energia representada no estádio é de uma infância que esperou todo esse tempo para presenciar um espetáculo grandioso de Sandy & Junior. E pode ser que muito tenha passado desde o auge da carreira dos irmãos, mas a relação entre os dois, no show, parece a mesma. Sandy & Junior sobem ao palco juntos, se apoiam e se complementam. A mesma sintonia existente há vinte anos está presente desde a primeira música, "Não Dá Pra Não Pensar" até os solos de cada um deles, que se alternam no holofote durante a performance.

 O espetáculo começa depois de uma contagem regressiva, quando os irmãos aparecem no palco juntos, brincando com a tensão e antecipação do público. As primeiras faixas, mais emocionantes, já sentiram o coro da plateia, que tomou conta do vocal diversas vezes, mas predominou em faixas como "No Fundo do Coração" e "Olha O que o Amor me Faz". Em "Love Never Fails" a dupla relembrou o seu talento para a dança em uma coreografia carismática, e a vontade do público de imitar foi contagiante, por mais que a lotação do Allianz Parque não tenha permitido tanta movimentação. Sandy carregou perfeitamente os vocais de "Imortal", um dos destaques show, e Junior tomou à frente em "Libertar", emendando um singelo protesto com um grito de "deixe nossa Amazônia em paz!". O marcante momento chamou atenção não apenas por colocar em pauta uma questão tão relevante mas porque pareceu ter sido o único movimento não ensaiado na apresentação da dupla.

Há uma diferença clara no espírito dos dois irmãos: enquanto a cantora parece preocupada em fazer uma performance perfeita, Junior parece descontraído e solto no palco, mas a personalidade de cada um faz sua função específica no show tão bem planejado. Existe o momento da nostalgia de verdade - em que a dupla passa por músicas como "Vai Ter Que Rebolar" e "Dig Dig Joy"  - a hora acústica - quando os dois fazem versões mais curtas de hits como "Não Ter" e "Era Uma Vez" – e até uma oportunidade para um ótimo solo de bateria de Júnior, mas o destaque real está no fim da apresentação. Sandy e Junior guardam o fôlego para três faixas finais perfeitamente encaixadas, "Quando Você Passa", "Desperdiçou" e "Vamo Pulá!", uma trilogia que faz a energia da plateia explodir. Exemplificando cada camada de talento da dupla, as três faixas simbolizam perfeitamente o espetáculo. Com duas horas redondas de show, Sandy & Junior deixam o estádio provando que sua música é muito mais do que a lembrança de um tempo, e segue viva como um exemplo de alcance e talento do pop nacional.