Assine HBO Max e assista HOTD!

Icone Fechar
Música
Artigo

Rock latino: duas boas coletâneas

Rock latino: duas boas coletâneas

Atualizada em 07.11.2016, ÀS 02H06
Evolución - Aterciopelados
3,5 ovos
Amateur - Attaque 77
4 ovos

É mais do que notório que a cultura musical para exportação dentro da América Latina nunca foi muito generosa em termos de qualidade. Tomando o Brasil como exemplo: durante toda a década de noventa nossos grandes produtos de exportação para os outros hermanos incluíram a febre da lambada e o axé music, entre poucas coisas dignas de nota. Fazendo o caminho contrário, a coisa não foi diferente. Que o digam Thalia, Alejandro Sanz e Ricky Martin.

Esse hábito, aliado ao preconceito infundado para com o castelhano que impera por aqui, faz com que boas bandas de rock que são sucesso nos países vizinhos passem em brancas nuvens no Brasil. É o caso dos dois alvos de coletâneas que a BMG lançou na surdina recentemente: Aterciopelados, da Colômbia, e Attaque 77, da Argentina.

Os nomes não são desconhecidos, no entanto, para quem tem um mínimo de boa vontade musical. As duas bandas apresentaram-se em edições recentes do festival Abril pro Rock, angariando alguns poucos fãs abertos ao rock não anglófono.

Até mesmo alguns CDs chegaram a ser lançados por aqui, quase no escuro. O Attaque 77 teve dois álbuns editados pela independente (www.barulhorecords.com.br) Barulho Records.

Com o Aterciopelados foi pior. Teve um álbum lançado em 1999 que acabou indo parar rapidamente nas prateleiras de saldão.

Evolución

A essência do Aterciopelados é a dupla Hector Buitrago e Andrea Echeverri. Os dois formaram, no começo da década passada, a banda Delia y los aminoacidos, até trocarem de nome e gravarem seu primeiro álbum, El corazon en la mano, em 1993, única gravação ignorada na coletânea.

O sucesso começou mesmo no ano seguinte, com o lançamento de El Dorado. Adeptos do rock pop simples e correto, com seqüências calmas e trechos enérgicos, foi aqui que a banda firmou o pé num estilo próprio.

A marca musical musical do Aterciopelados, porém, não para por aí. Um dos grandes méritos dos colombianos, que faz destacar seu nome no cenário local, é não ignorar a influência dos estilos musicais típicos da região. Isso já estava presente em El Dorado, como nas músicas La estaca e Bolero falaz, presentes nesta compilação.

Outro ponto mais do que positivo do pacote são as letras irônicas e afiadas que, somadas à voz marcante de Andrea e à própria sonoridade do castelhano, são capazes de produzir pérolas como Florecita rockera e El estuche.

Em 1996, gravaram La pipa de la paz, onde a fusão dos tipos locais ficou ainda mais sólida, aqui representado por La culpable e a gravação de Baracunátana, música popular do país. Foi o ápice de qualidade e de fama do grupo, quando foram nomeados pela primeira vez ao Grammy americano e, de certa forma, estouraram nos Estados Unidos, gravando inclusive um acústico para a MTV.

Caribe atomico foi lançado dois anos mais tarde, marcando um salto no estilo. Também nomeado ao Grammy, este CD traz um Aterciopelados que investe sem vergonha alguma em elementos eletrônicos, mas sem abafar o rock já marcante e a presença dos típicos cantantes colombianos. Uma reinvenção que não era necessária, mas que se revelou uma agradável surpresa.

O mais recente lançamento foi Gozo poderoso, em 2000, que praticamente dava seqüência ao que foi feito no disco anterior. As passagens enérgicas praticamente somem e as músicas, abusando de seqüências eletrônicas, seguem uma linha mais plana.

Duas faixas inéditas completam Evolución, ambas remetendo ao synthpop singelo dos anos oitenta: Tanto amor e Mi vida brilla, esta também acompanhada do clipe. Está presente também a competente versão de Play the game, do Queen, gravada em um tributo ao grupo inglês em 1997.

Fechando o CD, uma releitura de Florecita rockera, batizada de Florecita 2003. O primeiro grande hit do grupo foi transposto ao seu novo ambiente eletrônico, explicitando a grafada evolução de estilos nesses dez anos de carreira.

Amateur

A história do Attaque 77 vai mais longe. Em 1987, os quatro argentinos, todos vindos de bandas do underground, juntaram-se. Em quinze anos de história, treze discos foram lançados e a banda foi catapultada ao estrelato no cenário local.

O som do quarteto, baseado na clássica base guitarra-guitarra-baixo-bateria, bebe na fonte do punk desencanado de outros tempos. Ramones, Sex Pistols e Buzzcocks estão no altar de influência dos caras. E não para por aí. Sem se levar demais a sério, o A77aque extrapola seus som para um punk pop divertido, cheio de melodias elaboradas, mas sem descambar para os chicletes de um Green Day.

Amateur é uma coletânea um bocado menos ortodoxa que o esperado. Em 77 minutos são 24 músicas, entre versões originais de estúdio, gravações ao vivo, participações em programas de rádio e TV e algumas raridades. A porrada vai do começo ao fim, com preciosidades como Con los puños, Crimen perfecto e Road Rage, que é parceria com Marky Ramone. Os covers e versões, tão característicos da banda (eles já regravaram Legião Urbana e Roberto Carlos), também recheiam o disco, como Can I sit next to you girl? do AC/DC.

Em teoria, é uma compilação para fãs, mas vale como documento para descobrir a energia dessa poderosa banda.

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Escrever comentário


Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.