Rock in Rio 2026 | Entre emo, punk, dançarinas e sabe-se lá mais o quê, MGK entrega show com cara de anos 2000
Mesmo em horário ingrato, cantor mostrou que tem força entre os mais jovens, apesar das atitudes antiquadas
Créditos da imagem: Reprodução/Multishow
Entre polêmicas com Eminem e Corey Taylor (do Slipknot) — sem contar o relacionamento conturbado com Megan Fox —, Machine Gun Kelly, o MGK, coleciona haters na internet e na indústria musical. A julgar pelo seu show no Palco Mundo do Rock in Rio 2026, dá para entender o motivo.
No início da apresentação, era difícil entender para onde o cantor norte-americano queria ir. Punk rock? Emo? Pop? A cenografia trazia uma Estátua da Liberdade fumando e um pedestal de microfone em formato de cigarro. A confusão se misturava à figura do artista, que tenta encarnar o roqueiro marrento e sexy, mas sobe ao palco acompanhado de dançarinas que parecem saídas de um programa de auditório dos anos 1990 da TV brasileira.
O comportamento do cantor ficou evidente quando ele interrompeu “I Think I’m OK” logo no começo para fazer um discurso sobre quem ele é, reclamar do comportamento do público que o hostilizava e dizer que, “mesmo que as pessoas não o amem, ele ama a todos”. No fim, esse personagem à la Stacee Jaxx (de Rock of Ages) enfrentou dificuldades para engajar a parte da plateia que não estava ali por ele e que já se aglomerava no Palco Mundo para ver Bring Me the Horizon e Avenged Sevenfold. Mesmo precisando pedir para abrirem os mosh pits — algo que deveria surgir naturalmente —, ficava claro que pelo menos a "sua parte do público" estava investida na performance.
Afinal, é fácil engajar com músicas que soam parecidas com tudo o que foi feito no rock, emo e pop punk nas últimas décadas. Simple Plan, Good Charlotte e Paramore estavam todos ali, representados por MGK. “Concert for Aliens”, por exemplo, poderia facilmente ter embalado a trilha sonora de algum American Pie. Assim como, “Maybe” e “Bloody Valentine”, que figuraram entre as mais cantadas pelos fãs.
Porém, quando parecia deixar o personagem de lado para focar na música, MGK soltava frases como “estou guardando meus peitos para você mostrar os seus” ou “soube que as mulheres por aqui são algo especial”. Ainda que tenha apelo com os mais jovens, esse tipo de atitude soa datado e, pior, passa a imagem de um personagem forçado tentando parecer disruptivo. No fundo, é no máximo uma cópia barata de estéticas de dez, vinte, trinta ou quarenta anos atrás.
MGK se apresentou em um dos horários mais ingratos do Rock in Rio — a ponte entre os shows de abertura e os headliners. O seu “rock de entrada” foi bem executado pela banda e o cantor cumpriu seu papel, mesmo estando em um terreno hostil. Uma atitude menos rockstar wannabe teria ajudado.
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