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Ringo Starr em São Paulo 2011

Em noite simpática, Ringo Starr e banda fazem show das antigas com dignidade

EV
16.11.2011, às 13H11.
Atualizada em 20.12.2016, ÀS 03H07

"Se vocês não conhecem esta, provavelmente estão no lugar errado, esperando pelo Lenny Kravitz", disse Ringo Starr. E puxou o coro de "Yellow Submarine", dos Beatles- ou como ele define, "aquela banda da qual eu costumava fazer parte".

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No palco, Ringo não cita sua ex-banda diretamente em momento algum. Talvez para não parecer que passa sua carreira capitalizando em cima da beatlemania - algo que, realmente, não faz. Aos 71, o baterista canhoto mais famoso do mundo (e beatle menos popular entre quatro) prefere apostar na sua simpatia e no ácido bom-humor com sotaque britânico para agradar a audiência.

Desde o final dos anos 1980, ele se apresenta com a sua All Starr Band, que nada mais é que um supergrupo com astros de bandas do passado, alguns legítimos one hit wonders, que se revezam no palco e nas turnês. Na formação atual, o mais moço tem 42 anos. No fundo, é uma grande e divertida reunião de amigos, tocando sua carreira com dignidade.

Mas é também uma oportunidade única de ouvir ao vivo alguns hits dignos de rádios adult pop tocados pelos seus criadores. Isso porque Ringo Starr é coadjuvante em seu próprio show. Depois da abertura, com dois sucessos da sua carreira solo ("It Don't Come Easy", de 1971, e "Choose Love", de 2005) e "Honey Don't", cover de Carl Perkins gravada em Beatles for Sale, o homem teve a desculpa perfeita para assumir a sua bateria, no centro do palco, onde passou a maior parte da noite.

Daí em diante, os outros membros da sua All Starr Band assumem os vocais e a apresentação se transforma em uma mixtape das antigas, cheia de sucessos da Billboard de três décadas atrás. Richard Page, vocalista da oitentista Mr. Mister, foi o que mais ganhou a plateia com "Broken Wings" (talvez por ela também fazer referência a "Blackbird"). Mas quase empatou no quesito coro com "Talking in Your Sleep" (da banda The Romantics, representada por Wally Palmar), a clássica balada "Dream Weaver", sofrida por Gary Wright, e a divertida "Hang On Sloopy", com Rick Derringer.

Outro belo momento: o multiinstrumentista Edgar Winter, que carrega o inusitado título de inventor do teclado preso ao pescoço com uma correia de guitarra, ocupou o palco com o seu épico de sintetizadores instrumental "Frankenstein", de 1973. Não é uma cena que se vê com frequência.

Mas voltemos a Ringo, que nesse momento nem estava no palco - saiu para trocar de figurino e voltou com uma camiseta com o símbolo hippie de paz e amor. Charmoso e falante como um Muppet, fica feliz se exibindo durante o show dos amigos, mesmo não sendo nem o principal baterista da banda (cargo ocupado por Gregg Bissonette). Ringo não é o melhor baterista do mundo, nem tem uma técnica sensacional e cheia de artimanhas. Mas tem ginga e esperteza, sabe ocupar seu espaço com o suíngue certo, reforçando as batidas de Bissonette.

Mas como bem sabe que o show ali é seu, Ringo Starr reclama a plateia de volta quando resolve voltar a cantar. É isso que acontece com as suas "The Other Side of Liverpool" e "Photograph", em homenagem a George Harrison. Curiosamente, deixa de lado as poucas composições que fez para os Beatles, como "Don't Pass Me By", e se foca nas músicas em que era o vocalista principal - "Boys", "Yellow Submarine", "Act Naturally" e "I Wanna Be Your Man" (dedicada "às mulheres da plateia, e também a alguns dos homens").

Dessa lavra "vocalista de ocasião" vem o encerramento, de longe o momento mais punjante da noite, quando Ringo lidera "With a Little Help from My Friends" com um trecho de "Give Peace a Chance" ao final.

Tudo bem diferente da overdose de comoções que foi a passagem de Paul McCartney, comparação inevitável. A onda é mais familiar, amiga e low profile. Talvez porque, no caso de Paul, seja a apresentação de um mítico (e talvez morto) ex-Beatle. Aqui, é o show liderado pelo simpático e histórico Ringo Starr, que costumava ser quarto membro e baterista.... daquela banda lá.

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Fotos: Rafael Koch Rossi e MRossi

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