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Quem raios é Camila Cabello?

Cantora é topo das paradas, mas não é todo mundo que conhece seu nome

Julia Sabbaga
05.02.2018, às 11H06
ATUALIZADA EM 05.02.2018, ÀS 12H02
ATUALIZADA EM 05.02.2018, ÀS 12H02

Se você não mora em marte, você provavelmente já ouviu o refrão “Havana Uh-Na-Na”. Mas a sua autora, Camila Cabello, sensação do pop de 2018, não é um nome familiar para todo mundo: apesar de "Havana" ter fechado o ano como o hit mais ouvido em dezembro, e até hoje não ter saído do pódio da Billboard Hot 100, o que não falta por aí é comentários como “quem raios é Camila Cabello?”.

Cabello tem uma história tradicional de imigrante nos Estados Unidos. Nascida em Havana, de pai mexicano e mãe cubana, ela passou a infância entre os dois países até, aos 16 anos, imigrar para Miami onde a mãe, que era arquiteta em Cuba, passou a trabalhar em uma loja de sapatos, e o pai, em um lava-rápido no shopping. Ela frequentemente atribui sua visão de mundo às experiências na infância: “A história dos meus pais me ajuda a saber o que é importante na vida. Muitas vezes você está no Twitter e acha que o mundo é a internet. Mas eu sei como é a vida de pessoas que vieram de lugares como meus pais, e sei os obstáculos que as pessoas precisam passar”. 

A cubana-americana ficou famosa, primeiramente, como integrante do Fifth Harmony. O grupo formado da segunda temporada de The X Factor lançou o seu EP de estreia, Better Together, em 2013 e já consolidou seu sucesso atingindo a sexta posição na parada Billboard 200. Em 2015, o seu álbum completo de estreia, Reflection, entrou na lista da Rolling Stone de melhores álbuns do ano e em 2016, o segundo álbum, 7/27, atingiu a quarta posição na Billboard, a melhor entrada do grupo nas paradas até então. No conjunto, não havia uma vocalista que fosse líder, mas era consenso entre os fãs que Cabello era, não apenas a favorita mas, também, a mais importante.

Foi por isso mesmo que quando anunciou a saída da banda, os fãs se dividiram. “Depois de quatro anos trabalhando juntas, Camila nos informou por meio de seus representantes que não faz mais parte do Fifth Harmony”, o grupo divulgou em uma fria declaração. Em uma performance no VMA no ano seguinte, as quatro fizeram questão de explicitar o rancor, quando no começo do show, uma quinta figura no line-up, claramente representando Camila, era jogada para trás como que atropelada por um caminhão.

Cabello justificou sua saída dizendo que queria compor músicas próprias e trilhar seu caminho musical sozinha: “Se alguém quer explorar a sua individualidade, não é certo as outras pessoas lhe dizerem não”, ela disse ao NYT, em uma das únicas vezes que falou abertamente sobre a ruptura. As opiniões marcaram um abismo entre os que ficaram do lado do grupo e os que ficaram do lado da vocalista, mas a rixa pop pelo menos rendeu boas polêmicas e ótimos gifs.

E depois de um ano lançando singles com um sucesso considerável, Cabello explodiu nas rádios em setembro de 2017, com “Havana”, o primeiro single do álbum solo. Com uma escalada nas paradas, Camila se tornou a terceira artista mulher na história a ter o primeiro single do álbum e o disco nas primeiras posições dos EUA simultaneamente (as únicas outras duas foram Beyoncé e Britney Spears).

Este ano, a cantora lançou o seu álbum de estreia, que demorou para sair e chegou às lojas em 12 de janeiro de 2018. O disco provou que as pretensões solo da cantora eram bem fundamentadas, e revelou uma artista madura e com uma personalidade (leia nossa crítica). Desde a saída de Cabello do Fifth Harmony, o grupo também provou que segue bem sozinho, com o último álbum solo, o primeiro sem Cabello, tendo sido o mais bem sucedido de todos. Mas depois do lançamento, as outras cantoras também lançaram singles solo, e na semana passada rolaram até boatos de que o girl group havia chegado ao fim.

Cabello tem uma jornada musical que promete durar e render. A cantora não atingiu nem maioridade para beber nos Estados Unidos e tem crescido e criado uma identidade que realça sua ascendência, que não apenas inspira, mas é fonte para um trabalho cheio de identidade. No Grammy, ao apresentar o U2, ela fez um belo discurso que honrou os imigrantes, no clima de cutucada às políticas de imigração do presidente Trump: “Estou nesse palco porque, como sonhadores fazem, meus pais me trouxeram a este país com nada no bolso além de esperanças. Eles me mostraram o que é trabalhar o dobro e nunca desistir, e honestamente, nenhuma parte de minha jornada é diferente da deles. Eu sou uma cubana-americana com orgulho, falando com vocês do palco do Grammy”.

A cantora já revelou clipes para os singles "Havana" e "Never Be The Same". e é esperada para um festival ainda não divulgado no Brasil no meio do ano - veja mais. 

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