Foto do show no Porão do Rock/Coletivo N3RVO

Créditos da imagem: Coletivo N3RVO/Reprodução

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Porão do Rock | Um dos principais festivais do Brasil comemora 21 anos

Apesar dos desafios, preços honestos e line-up funcionam bem em Brasília

Jacídio Junior
31.10.2019
00h44

O Porão do Rock, precisou passar por diversos desafios para acontecer em 2019. O produtor cultural e diretor do festival, Gustavo Sá comenta que readequar o evento ao corte de verba sofrido pela redução do investimento em cultura e também a necessidade de mudança repentina de calendário foram os grandes obstáculos para colocar o Porão do Rock em pé este ano.

Esses dois pontos acarretaram no cancelamentos de shows confirmados e também na perda de seis meses de pré-produção, que precisou ser refeita em um prazo bem mais curto. “Precisei repensar o evento e fazê-lo em um formato um pouco menor. Nós perdemos praticamente seis meses de pré-produção e tivemos que refazer tudo em um mês e meio”.

Brasília a capital do rock?

A chegada ao festival estava bem organizada e, apesar das proporções modestas, o espaço comportava a ideia de shows seguidos, com um palco de frente para o outro, muito bem.

Com shows programados até às três da manhã, o público costuma chegar tarde, algo que gera impacto direto na bilheteria até o último momento, conforme destaca Gustavo.

Apesar de todas as mudanças, a venda de ingressos ficou dentro do esperado, mas o número pode melhorar, já que parte das compras costuma ser feita na hora. Nossos ingressos não chegam a um valor exorbitante, tradicionalmente eles são baratos e as pessoas deixam para comprar no dia”, enfatiza. Este ano, durante as duas noites de festival, estiveram no espaço reservado sob a estrutura do Estádio Mané Garrincha, 16 mil pessoas.

Os valores honestos para curtir o Porão do Rock ficam em evidência não só na política dos ingressos - algo que acontece desde as primeiras edições -, mas também como parte dos alimentos e bebidas comercializados na praça de alimentação. Para ilustrar como o preço da entrada é acessível, no último dia, era possível efetuar a compra por pouco mais de R$50, na bilheteria.

No entanto, perceber as mudanças ocasionadas por causa da transferência de data e da redução da verba era algo simples, não pela organização, mas pelos detalhes da estrutura que claramente precisou ser simplificada.

Line-up diverso, mas ainda rock

Já sobre o line-up, que nesta edição apresentou uma mistura interessante com nomes como Criolo, Rincon Sapiência, Ratos de Porão e Edu Falaschi, por exemplo, não dá para negar que chama bastante a atenção. Porém Gustavo Sá destaca que esse mix é algo que faz parte do DNA do evento desde seu início.

Tem muito tempo que a gente faz isso. Nós somos um festival, essencialmente de rock, mas por exemplo, Hamilton de Holanda (artista de música instrumental brasileira) já tocou no Porão, em 2010. Marcelo D2 rolou em 2004, com o primeiro disco solo dele. Então, não é de agora que essa mistura acontece”.

E ele segue, “a gente pega sempre um pouco do que tá rolando e traz pra cá. Afinal, rock não é só música, é atitude, também. E um festival como o Porão, com tanto tempo de vida, não pode ficar repetitivo. Todas as bandas de rock brasileiras com relevância, já passaram por aqui”.

Fechando a conversa, Gustavo Sá destaca os diferenciais do evento em relação aos festivais que acontecem no resto do país, ao enfatizar que o Porão é um grande festival alternativo, “[...] algo que não existe no Sudeste, com essa magnitude e relevância, sem um foco muito comercial”.