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Porão do Rock 2008

Só primeira noite faz jus ao nome do festival candango

Rafael Imolene
04.08.2008
19h00
Atualizada em
15.11.2016
10h00
Atualizada em 15.11.2016 às 10h00
Quarenta shows, duas noites, 24 mil pessoas e nada de lei seca. Na 11ª edição do Porão do Rock

Porão do Rock 2008

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Autoramas

Porão do Rock 2008

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Fotos: Site oficial (www.poraodorock.com.br)

Porão do Rock 2008

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Mundo Livre S/A

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Muse

Porão do Rock 2008

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Pitty
, duas bandas balançaram Brasília pra valer: os cariocas do Matanza , na primeira noite, e o trio britânico Muse , na segunda.

Desta vez, a divisão dos públicos foi mais marcante. A sexta, voltada para o hardcore e o metal, teve a cara do Porão na sua concepção original. Rock puro e direto, irreverência, a galera pogando e cerveja suficiente para dar pane em todos os bafômetros do país.

Já a noite de sábado, mais pop e eclética (nem por isso menos vibrante), mostrou o que o Porão pode se tornar dentro de alguns anos: um festival mais comercial, direcionado ao mercado. Nada contra. Afinal, a produção é cara e precisa ser paga de algum jeito. Resta saber se os organizadores vão conseguir fazer essa migração sem deixar o evento perder a identidade.

Primeira noite

Na sexta-feira (1º de agosto), parecia que o Porão amargaria seu primeiro fracasso de público na história. Às 9h da noite reinava um imenso vazio no estacionamento do estádio Mané Garrincha. O espaço do festival foi reduzido nesta edição. Os carrinhos de batata frita e churros não estavam lá. Nem os engenheiros de som. Só isso explica a péssima relação acústica entre os palcos principais e o palco secundário, chamado de Palco Pílulas.

Mais de uma banda reclamou da interferência do som. Outra coisa esquisita: os shows não estavam atrasados. Pelo contrário, estavam adiantados, acredite! Teve banda pisando no palco até 20 minutos antes do horário programado. O fenômeno obrigou os organizadores a pedirem para as últimas bandas estenderem seus set lists.

Embora o Suicidal Tendencies fosse o grande nome da primeira noite, coube ao Matanza botar a galera para cantar e pogar de verdade. O inspirado vocalista Jimmy, o melhor frontman deste ano, levou o público às gargalhadas com suas introduções e homenagens a Johnny Cash. As clássicas "Eu não gosto de ninguém" e "Ela roubou meu caminhão" estremeceram o asfalto, acompanhadas a plenos pulmões por milhares de fãs. Nesse momento, já eram 12 mil pessoas.

Os norte-americanos do Suicidal Tendencies mantiveram a adrenalina em alta. No encerramento, o vocalista Mike Muir convidou as pessoas a subirem no palco. Cerca de 50 empolgados atenderam seu pedido e se uniram à veterana banda, que esbanjou energia.

Segunda noite

O sábado contou com maior número de "medalhões", além de uma mistura de ritmos. Sapatos Bicolores, de Brasília, e Autoramas, do Rio, cumpriram o objetivo de chacoalhar a multidão, que desta vez chegou mais cedo. Os pernambucanos do Mundo Livre S/A levaram seus fãs ao delírio entoando grandes sucessos.

Na seqüência, Pitty apostou em uma performance mais sensual. Deu certo, foi ovacionada pelo público, deixando claro que é um dos maiores nomes do rock brasileiro na atualidade. Bem apropriado que a baiana abrisse um dos shows mais aclamados na Europa hoje em dia.

Os ingleses do Muse não deixaram por menos. Um concerto enérgico, provavelmente a melhor produção em 11 anos de Porão do Rock. Uma precisão milimétrica entre os músicos, luzes e telões. Além da produção que encanta o velho continente desde 2007, o vocalista e guitarrista Mathew Bellamy mostrou uma excelente química com o público, amparado pelo potente backing vocal do baixista Chris Wostenholme. O baterista Dominic Howard deu um show à parte de técnica e criatividade, fazendo valer cada centavo investido neste Porão do Rock.

Pontos altos

  • Seleção das bandas
  • Organização
  • Policiamento externo
  • Pontualidade

Pontos baixos

  • Interferência entre os palcos
  • Área VIP grande demais
  • Pouca segurança interna
  • Faltaram os churros e batata chips