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Poison on the rocks

VIP não quer se divertir, quer apenas se mostrar para os amigos

Atualizada em 03.05.2017, ÀS 03H04

Fato: tem alguma coisa estranha acontecendo com a maneira de nos relacionarmos com a arte e uns com os outros. Consigo enxergar comportamentos "diferentes", mas não sei precisar de onde vieram, tampouco aonde vão nos levar.

Geralmente a Poison pega os artistas pra Cristo, mas desta vez o olhar mudou de foco: o público. Pra você que sempre quis estar em uma pista premium, vip, ou qualquer outro nome "chique" - e em inglês, porque inglês é tão mais chic - que deem à área na frente do palco, e nunca teve a oportunidade, um consolo: não são poucas as vezes que a pista "comum" é infinitamente mais bacana. Vamos aos porquês.

Omelete Recomenda

Poison on the rocks

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Veja o caso de uma banda como o Jane´s Addiction, que nunca fez muito sucesso, mas que sempre foi idolatrada pelos poucos fãs (no Brasil) que tem. Escalado para tocar antes da atração principal, o Faith No More, no Festival Maquinária, o grupo, principalmente o vocalista, Perry Farrell, fez um esforço tremendo para agradar ao público. Eu já vi um bocado de shows na vida e não me lembro de ter visto alguém mais simpático que o Farrell no palco. Talvez tanto quanto, mas não mais. E eu ali, na pista premium, cercada de gente blasé que não acha nada chique gritar, se descabelar e dançar. Que mal sabe o que é Jane´s Addiction (quiçá o Faith No More), liderada simplesmente pelo cara que criou o Lollafuckingpalooza. Suor!? Credo. Todo mundo tem o direito de gostar ou desgostar do que quiser, evidentemente, mas é simples: não vá a um lugar lotado de gente se pretende sair com a chapinha incólume - vale também, por analogia (eu espero), para o sexo masculino.

Outro ponto: dá uma baita indignação ver um artista que você admira pedindo pelo amor de Deus que lhe deem atenção. Como disse uma amiga, é "dar pérolas aos porcos". E o povo lá atrás, no gueto, digo, na pista comum, doido para devolver a atenção dispensada por Farrell e companhia, e não conseguindo, afinal, tem gente que é mais gente, né? E que merece ficar mais na frente, claro. Todo mundo sabe a diferença de um show em que a plateia e o artista estão na mesma sintonia. Geralmente são os melhores. Mas como fazer isso a léguas de distância? Nem o acrobático Farrell consegue. Apesar de ter tentando bastante. E para quem "economizava" energia - vamos pensar que era isso e não "blasezice" - para o Faith No More, meus pêsames. O show dos caras foi bom? Foi. Mas o Jane´s foi melhor. E na disputa de vocalistas, Farrell nocauteia fácil Mike Patton, que, apesar de eu julgar um cara visionário, creio que muitas vezes se perde na própria viagem, fazendo um show mais pra si do que para o público. Impressão adquirida desde a apresentação do Fantômas no Claro Que É Rock, aliás.

Para terminar e ilustrar um pouquinho mais do que é ser um dos mais mais, o início: o desconforto já começa na hora que você entra. O funcionário quase pede desculpas por ter que pedir o ingresso a um vip. A revista é feita em um segundo - porque gente que é mais gente não pode carregar nada suficientemente danoso para os outros, óbvio, vip tem uma consciência tão mais evoluída sobre tudo. E, pra quem foi ali pela música, o desconforto não acaba nunca. Aliás, acaba. Quando você manda tudo que é vip às favas e se mistura a quem também foi ali pela música. No caso do Maquinária, que correu sem tropeços, ufa, e que não estava completamente lotado e sim saudavelmente bem-distribuído, a pista comum - meu destino depois de duas músicas assistidas da premium - é um verdadeiro oásis. Além de poder dançar sem pisar no pé de ninguém (esticando braços e tudo!) e sem derrubar a cerveja alheia, você ainda não sai defumado pela fumaça de nenhuma droga ilícita, que corre livre, leve e solta na vip, o canto dos espremidos e malrevistados (Será que o Serra tava lá?). Eu, fumante, também me incomodo com fumaça, porque fumante (esse ser menos evoluído que não gosta da própria vida nem da dos outros) perturba o mundo inteiro e aparentemente é o ser mais desprezível da sociedade, mas é limpinho, viu?

Pode ser nostalgia ou conflito de gerações. Pode sim. Mas se minha opinião vale de alguma coisa, anote: da próxima vez que for a um evento desse tipo, analise se não era melhor estar indo comer uma pizza, já que você só conhece (e bem mais ou menos) uma música da banda. Caso você realmente vá, deixe o celular e demais aparatos eletrônicos em casa e experimente o aqui e agora sem pensar no quão fodão vão te considerar por você ter ido a um show. Você tem, sim, 20 fotos malfeitas e uns dois vídeos tremidos para provar - que para serem registrados atrapalharam a visão de uma dezena de pessoas - mas e história pra contar, tem? Por fim, se joga. Uma apresentação, para ser inesquecível, só acontece com a interação da plateia. Se não gosta de aglomeração, chuva, fila, só faz cocô no banheiro de casa, é melhor ver pela internet. O pior é que essa prática tem se tornado cada vez mais comum. Eu só lamento... Por um monte de gente fadada a não sentir nada.

Duas observações extras que, individualmente, dariam novas colunas:

1.O que foi o comportamento dos seguranças no Planeta Terra? Do que adianta pedir ao público que interaja se quando eles o fazem são recebidos com a maior brutalidade? Quem ainda não sabe que o Iggy Pop pede aos fãs que subam ao palco? Aqui mesmo no Brasil ele já fez isso em outras duas ocasiões. Os seguranças que encheram os fotógrafos e a plateia de sopapos parece que não foram avisados.

2. Como mulher, me sinto obrigada a falar sobre o caso Uniban e tenho apenas um comentário: fechem esse celeiro de reacionários. Meu estômago dá cerca de 15 cambalhotas quando ouço, leio, vejo a frase "ela provocou". Em qualquer - qualquer - situação coerção e violência não são justificativas pra nada.

No fundo, tudo está intimamente interligado, e me parece que o rumo que estamos tomando é o de nos transformar em uma legião de robozinhos. De salto alto, mas sem direito à minissaia.

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DOSE EXTRA!

Atendendo a pedidos, aqui está a Dose Extra de Veneno, espaço reservado aos internautas do (o), que enviam missivas nem sempre educadas à colunista. Por que será, hein? ;-P

Sobre "Toca Raul!" - coluna de 14/09/09
Por Sérgio

Incrível, incrível, incrível...

Essa sua última coluna simplesmente me refletiu... Claro, fora o sem-saco de ouvir Raul e Legião, dos pseudointelectuais e coisa do tipo, eu curto metal em suas vertentes mais, digamos, obscuras e nem por isso me autoflagelo, uso cabelo comprido, camiseta preta estampada com alguma banda e afins.

Só que ou você é parte do estereótipo ou você é um "excluído da massa". Porra, por exemplo, fui obrigado (sim, PAGARAM meu ingresso) a assistir a um show do Bruno e Marrone. Claro, minha excitação com o show foi a mesma de um cachorro em frente a uma banca de peixes frescos. Não que eu não goste de música sertaneja (se é que podemos tachar eles disso), mas PQP, TODAS as músicas falam sobre a mesma merda! Nem vou adiante aqui porque aquele fim de noite pós-show foi mais terrível ainda (detalhes, detalhes).

No mais, cada vez fico mais admirado com suas colunas e o quanto você (não) se parece com a maioria das pessoas que conheço... e fico me perguntando: pq. eu moro tão longe de tudo e de todos que admiro? A internet aproxima (o caralho, perdão pelo palavrão) mas ao mesmo tempo mostra que nada substitui uma boa conversa no boteco mais próximo com cerveja e algum petisco para acompanhar (você na qualidade de vegetariana não sei o que você consumiria, mas só a companhia já é mais que agradável).

Resposta

Oi, Sérgio, tudo bom?

Que bom que você entendeu o espírito da coluna... Antes de ser pra "meter o pau no Raul", como muita gente deduziu, era pra criticar os estereótipos. Posso imaginar o quanto você sofre, assim como quem gosta de punk e outros gêneros em que é quase necessário "demonstrar" com a maneira que a gente se veste e comporta o quanto gostamos do som.

Bruno e Marrone? Tem misericórdia.

Não é porque você não mora aqui que não pode vir a morar aqui. Se quiser mesmo... Apesar de todas as inúmeras desvantagens de São Paulo...

Tem bastante opção vegetariana em boteco BOM: bolinho de arroz, mandioca, com shiitake, shimeji, bolinho de queijo, legumes na chapa, tábua de queijos, pão, pão, pão... ;-P Tudo meio gordo, mas depois a gente queima, né? E cerveja, o mais importante, não é de carne! Viva! \o/

Beij(o)

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Por Cauê Fonseca

Poxa vida, Luciana. Para um fã da tua coluna desde parcas eras (inclusive tu já respondeste a um e-mail meu em uma delas), que decepção gigantesca essa última. Tudo que tu tens a dizer sobre Raul Seixas é que ele é um bicho-grilo que fez bem em ter morrido? Nada contra a tua opinião, que vez por outra é diferente da minha (e às vezes é idêntica, como aquela sobre o que o twitter revela de pior das "estrelas"), mas que tal fundamentá-la, como tu costumas fazer tão bem? Não há sequer margem para um leitor como eu contestar a tua opinião, já que não há argumento algum. O texto é um apanhado deselegante de coisas que tu odeias. Desculpa, mas para isso não precisa de uma coluna, basta listar umas comunidades tuas no orkut ou algo do gênero.

Abraço e não leve a mal a pedrada na vidraça,

Caue Fonseca
Porto Alegre, RS

Resposta

Epa, epa, epa que não fui eu quem disse que ele devia ter morrido, rapaz! Tá bem claro ali na coluna que foi outro cozinheiro que, de certo, também não queria que ele tivesse morrido no sentido literal da coisa. Calma lá com a leitura apaixonada.

E o Raul foi só ilustrativo, vai? A coluna fala muito mais do que isso. Fala basicamente de estereótipo... Fala até mesmo de quem tem que ouvir que Raul é um mala de gente que talvez nem saiba o quão a fundo você conhece a obra do cara. Eu, particularmente, sei que tem coisa boa no meio das produções do Raul, mas os fãs dele tornaram a adoração por ele algo tão chato, previsível e massacrante, que desgostar torna-se natural.

Quanto à última coluna ter sido um apanhado de coisas, de fato foi. Desculpe se não agradou, talvez na próxima... Agradar realmente não é comigo.

Beij(o), Cauê!

Lu

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Sobre "E se..." - coluna de 19/05/09
Por Marco de Lima Batista

Bom dia, Luciana.

Seu texto foi muito bom e me levou a ter vontade de dizer o que penso das pessoas de antes, hoje e, infelizmente, acho que sempre.

Espero que seja produtivo.

Obrigado.

Segue:

A resposta para todas as perguntas de "E se?" não serem a realidade é simples.

99% das pessoas preferem delegar para outras as decisões que realmente definem sua vida. Ex: direito representativo, política representativa, fé representativa, etc.

Estamos a todo momento pedindo que alguém faça algo por nós, que alguém nos diga como as coisas devem ser. E aqui entre nós, em lugar nenhum do mundo as pessoas que colocamos para tomar conta dessas responsabilidades farão algo por nós. Eles farão por eles mesmos. É muita inocência acreditar na bondade do ser humano como representante do povo ou da humanidade. Como indivíduo, vemos exemplos de bondade todos os dias, mas são poucos.

Não queremos responsabilidades, mas queremos usufruir de tudo de bom que a vida oferece. Em resumo somos adolescentes, ou melhor, aborrecentes.

E como nos encontramos no Omelete acho que cabe uma referência pop. É por isso que a Oráculo se importava com menos de 1% da população conectada na Matrix. Porque este 1% eram os únicos que rejeitavam o mundo que foi colocado diante de seus olhos. Os hackers que fundaram Zion queriam criar seu próprio mundo. Os outros 99% apenas aceitavam a simulação. É mais fácil levar uma vida de rebanho.

Resposta

Bom dia, Marco. Aliás, boa tarde, quase noite.

Puxa, que legal que você ficou inspirado. Gostei muito das suas colocações e acrescento que é de uma preguiça gritante a atitude humana frente a tudo que nos é imposto. Não estou me excluindo, hein? A gente entra no "jogo", corre atrás de coisas que se parar pra pensar nem queria tanto, se joga no trabalho, dá pouca atenção ao que importa... E quando paramos pra refletir, vemos que não queríamos que fosse assim, mas cadê disposição pra mudar tudo de fato?

Cadê o Oráculo? E não é ele mesmo um condutor de rebanho?

Beij(o) e muito obrigada pela mensagem,

Luciana

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Sobre Twitter - coluna de 17/03/09
Por Hugo de Lima Passarelli

Olá, Luciana!

Quando vi a chamada pra tua coluna de 17/03, já fui pensando: merda, lá vem outro artigo sacal falando bem dessa merda de twitter. Mas não, uma pessoa no mundo, ao menos, concorda comigo que esse micro/nano blog é só mais uma "interface" pros caras acharem que, sim, "a internet é o futuro porque as pessoas têm espaço pra falar".

Sério, me estresso às vezes. O twitter é, na verdade, mais uma ferramenta para as pessoas saberem sobre o tipo de coisa que mais gostam: a vida dos outros. Tá, alguém virá dizer: é uma maneira de compartilhar informações. Mas, sinceramente, entre um título e um link, eu fico com o meu leitor de rss.

Ok, outro cara chato vai me dizer que é um belo exercício de concisão escrever em 140 caracteres. Se eu considerar que faço faculdade de jornalismo, o.k., o argumento é válido. Afinal, aprendendo a escrever em 140 caracteres eu estarei apto a... twittar.

Isso me faz pensar o porquê dessa merda (sim, eu insisto) estar na boca do povo. Uma amiga minha (uma futura jornalista) me disse esses dias que o bom do twitter é você poder seguir vários jornalistas e também ficar por dentro de novos sites, novidades da internet blá, blá, blá. Cara, na boa, será que só a mim que esse papo da internet ser o futuro da comunicação, compartilhamento/produção de notícias, entre outras coisas, soa tão desgastado?

Se a intenção é ficar por dentro do que pensa fulano, acho que o bom e velho blog ainda é a melhor solução. Acho que já sei a função do twitter: é dar menos trabalho que um blog para as pessoas saberem o que penso, com a vantagem de me dar prestígio devido à quantidade de seguidores (mas sem o inconveniente do orkut, com coisas do tipo, "posso te add, gato?") e, por fim, o mais importante: dar pouco trabalho pra fazer tudo isso.

Depois alguém vem e me fala que a internet fez o jornalista perder grande parte de sua função. Lógico, afinal o twitter traz informações em primeira mão (tudo bem que elas foram 1)copiadas de um site de conteúdo jornalístico ou 2)descobertas por um cara que não tem mais nada o que fazer além de ficar 24 horas em frente ao PC fuçando zilhões de sites), os blogs são o futuro dos jornais (o.k., tudo bem que 95% só tem lixo, coisa copiada, confidências de um adolescente e só uns 5% tem coisa de qualidade) e ninguém lê um jornal pra saber das novidades (mas ninguém fica mais de 2 minutos lendo na tela um texto de mais de três parágrafos).

A internet é uma bênção, sim. Mas esse papo de revolução informacional, tecnológica e afins, é tão, mas tão moderno, que é
velho. No fundo, muita coisa só serve pra alimentar a sede de pessoas por novidades e modinhas. Só. O twitter faz as pessoas acreditarem que suas ideias (ou os acontecimentos da sua vida pretensamente interessante) realmente interessam a alguém.

Grande beijo,

Hugo Passarelli

PS: sim, você mexeu em um vespeiro, aposto 50 doletas que um monte de twitteiros te mandaram e-mails raivosos.

Resposta

Putz, Hugo, eu tô lá no twitter, tô achando interessante e, sério, ninguém sabe mais do que já sabia sobre mim. Eu gosto de simplesmente trocar ideias e, pelo visto, não sou a única. O importante é dirigir o negócio direito: não abusar, postar alguma coisa interessante de verdade, saber que podem responder ou não. Talvez por causa da coluna, tenho achado o twitter bem eficaz. Conheço melhor os leitores, o que, acredite, era algo que me fazia falta. Só vão saber da minha vida se eu divulgar... Como tudo, você tem que estar no comando e não ficar chorando depois se "poxa, mas não era isso que eu queria".

Não, não acho que a internet seja a salvação do mundo. Quando quero realmente saber de imparcialidade e notícias aprofundadas, recorro ao bom e velho jornal impresso. Se por um lado a internet ajuda a espalhar novidades, por outro ajuda a espalhar mentiras. Quantas vezes não vi notícias serem editadas em tempo real? Acho que a carreira de jornalista perdeu um bocado com a internet. Tem muito copy/paste por aí. É triste de ver... Parece que aquela coisa de ir atrás da notícia, apurar, aprofundar o assunto, manjar do que tá falando não é mais necessidade, e sim ser o primeiro a falar, seja lá a abobrinha que for.

Não sei se eu gostaria tanto do twitter se não fosse pela coluna, realmente. Mas como disse na última, a minha realidade é esta, minha plataforma é esta... Não posso dar uma festa pra reunir todos os leitores, né? Ainda que a ideia seja fabulosa, não há bufunfa para tanto. Portanto, em vez de msn, orkut, o escambau que já me pediram, tô lá no twitter, breve mas presente. É bom pra filosofar sobre o nada e o tudo... :)

Beij(o),

Lu

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