Peter Hook & The Light | Em show para fãs, melhor fica para o final

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Peter Hook & The Light | Em show para fãs, melhor fica para o final

Grupo capitaneado por ex-New Order e Joy Division está excursionando tocando álbuns clássicos na íntegra

Jacídio Junior
11.10.2018
12h07
Atualizada em
11.10.2018
12h45
Atualizada em 11.10.2018 às 12h45

Existem shows que são idealizados para fãs e não tem nada que possa ser feito sobre isso. A apresentação de Peter Hook & The Light (formada por seu filho Jack Bates (baixo), David Potts (guitarra), Andy Poole (teclado) e Paul “Leadfoot” Kehoe) está nesse patamar, principalmente por se tratar de um show no qual o grupo apresenta os discos Technique (1989) e Republic (1993), do New Order, na ordem de gravação.

Sempre vale contextualizar que o Hook (baixista e vocalista) de 62 anos foi integrante do Joy Division e também do New Order, antes de sair em carreira solo em 2007. Isso o torna um dos músicos com um dos repertórios mais conhecidos no planeta, detalhe que garante a possibilidade de tocar álbuns das discografias de suas bandas pensando em iniciados, que já conhecem o repertório. E assim pode ser definida a apresentação do grupo que rolou na Audio em São Paulo, a única no Brasil em 2018.

Logo de início o que chama a atenção é quão despojado o frontman está, de bermudas e camiseta clara, todo o ar blasé que muitas vezes se vê em uma apresentação de rock, simplesmente não existe ali. O local não está tão cheio e isso deixa ainda mais clara a percepção da diferença entre a plateia que se posiciona bem à frente do palco, que vibra a cada nota, cada verso, e da maior parte da audiência que acompanha o que acontece, com poucos movimentos, como se aguardasse o momento certo para pular ou cantar.

Retornando à ideia de apresentar discos na íntegra, essa não é a primeira turnê em que músico e banda se propõem a realizar essa viagem. Peter Hook & The Light já estiveram outra vez no Brasil, em 2012, tocando Movement (1981) e Power, Corruption and Lies (1983), do New Order. E, sem dúvida, deve ser incrível ouvir um disco que você ama sendo tocado na íntegra, quase do jeito que você sempre ouviu. E é nesse quase que moram os detalhes.

Com um show de quase três horas de duração e três pausas, nota-se que banda e público em diversos momentos demonstram cansaço. As alternâncias de faixas que funcionavam quando os discos foram lançados, não pegam a audiência como há 30 anos, e isso fica claro na pista de dança. Olhando exclusivamente para o grupo, é possível ver que em alguns momentos eles tocam e soam quase como protocolares.

Pode não ser um show para ganhar novos fãs, mas ao menos para manter os mais saudosos por perto, mesmo quando todos os músicos parecem muito cansados e tocando da única forma possível. No fim das contas, depois de uma maratona sonora e alguns momentos com a audiência cantando em coro, a quarta - e última - entrada no palco se mostra como o verdadeiro show, como se tudo tivesse ficado para o final.

No fundo todo mundo sabia disso, então a sequência de encerramento com "Blue Monday", "Ceremony", "Temptation", "True Faith" seguidas pela única interação direta entre Hook e a plateia: "Nós vamos cantar essa juntos, porque essa é pra vocês" para fechar com "Love Will Tear Us Apart", levou o show para uma sensação de início revigorante. Sorrisos, pulos e suor, mesmo que depois disso tudo ainda existisse uma quinta-feira comum e chuvosa pela frente.