Novidades Musicais
25 anos de Thriller, Jay-Z, Iced Earth e o primeiro solo de Rivers Cuomo
Passou o carnaval. Acabaram-se as férias de verão. E surgem mais Novidades Musicais para quem não consegue voltar ao trabalho ou aos estudos sem um bom acompanhamento musical. Nesta edição, os novos de Jay-Z, Iced Earth, Rivers Cuomo e o relançamento do clássico Thriller, de Michael Jackson:
Thriller - 25th Anniversary Edition - Michael Jackson
Por Luciana Maria Sanches
Criar novas versões de um clássico não é tarefa das mais fáceis, especialmente se o autor da obra é uma de suas maiores influências. Na reedição de Thriller, que comemora os 25 anos do emblemático trabalho de Michael Jackson, Kanye West, Akon, Fergie - vocalista do Black Eyed Peas - e will.i.am (que também produziu as novas faixas) fazem leituras, antes de tudo, extremamente tímidas de algumas músicas do álbum. Se por um lado sente-se alívio pelo fato de não terem maculado uma obra-prima, por outro é impossível negar que uma ótima oportunidade foi perdida.
Das cinco novas versões, apenas duas merecem destaque: 1. a de Akon para "Wanna Be Startin´ Something", que começa sem força, mas encontra uma lacuna interessante, devidamente preenchida pelo estilo particular do rapper senegalês, que imprime novas e inspiradas melodias à música. Não é como a original, mas não faz feio. 2. "The Girl Is Mine", que sofreu uma alteração razoável - o vocal do beatle Paul McCartney foi simplesmente extirpado da faixa e em seu lugar entrou a voz do novo parceiro de Jackson, will.i.am. A troca dá uma aura mais moderna e suingada à faixa que tinha um quê de cafona, datada, que mal poderíamos imaginar soando atual.
Já as restantes deixam bastante a desejar. A falta de ousadia e a reverência exagerada podem ser percebidas particularmente em "Beat It", que tem vocais da cantora Fergie. A nova combinação é tão nula que sobra espaço para admirar a antiga. A feliz parceria entre o guitarrista Eddie Van Halen em uma participação mais do que inspirada e o groove e o vocal de Michael Jackson permanecem embasbacantes. Quando chegar em "Billie Jean", pule sem dó. Não é possível entender se foi preguiça, má vontade ou intimidação que (não) moveu Kanye West. "P.Y.T." perdeu a inspiração funk e ganhou peso demais, resultando em uma faixa bastante sem graça.
Para fechar o pacote, a inédita "For All Time", gravada durante as sessões de Thriller, mas rejeitada na ocasião, não acrescenta muito. Balada tipicamente Michael Jackson, famoso justamente (e não à toa) pelo "balanço".
Confira aqui a matéria especial do Omelete sobre o lançamento original.
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American Gangster - Jay-Z
Por Luciana Maria Sanches
Inspirado pela história contada no filme American Gangster e recusado pelo diretor Ridley Scott para compor a trilha sonora da película, o rapper Jay-Z resolveu produzir sua própria versão sonora das agruras do protagonista do longa, Frank Lucas, interpretado por Denzel Washington.
No filme, rebatizado no Brasil de O Gângster, Washington representa um traficante de heroína do Harlem nos anos 70, que é levado à justiça e colabora com a missão do policial interpretado por Russell Crowe, incumbido de combater a importação de drogas do Sudeste da Ásia.
Abandonado pelo pai quando era criança, Jay-Z fez de tudo um pouco nas ruas de Nova York para levar dinheiro para casa, incluindo aí tráfico de drogas. Mas foi também nas ruas que ele fez seu primeiro contato com o rap e fundou a gravadora Roc-a-Fella, que viria a ser o celeiro de dezenas de rappers tão famosos quanto ele, e a casa de seu primeiro disco, Reasonable Doubt, de 1996.
Sucesso estrondoso, novos álbuns com milhões de cópias vendidas, parcerias ilustres, romance com a cantora Beyoncé, e a presidência de uma grande gravadora (Def Jam, braço da Universal) confundiram Jay-Z e o tiraram um pouco do rumo. Prova máxima é o deslumbramento do rapper exposto no mal-afamado Kingdom Come, de 2006, pessimamente recebido pelos fãs e pela crítica.
Pois foi no cruzamento de sua própria história com a do personagem Frank Lucas que Jay-Z viu a oportunidade de voltar a rimar sobre o que realmente importa para os fãs de rap: a vida nas ruas, as pequenas aventuras diárias de pessoas que vivem à custa da violência e do que é proibido, e os finais nem sempre felizes, tudo isso envolto em uma propícia camada de seriedade exigida pelos temas e pelo próprio gênero musical.
Em American Gangster, Jay-Z volta a acertar a mão. De maneira muito inteligente, o rapper compõe um trabalho que combina assuntos difíceis e leves melodias, que afastam a crença de que o rap só pode ser agressivo. Ainda que a temática flerte muitas vezes com a violência, o tratamento que Jay-Z dispensa às músicas funciona como um contraponto que alivia as imagens que vão se formando em nossa cabeça.
Em seu primeiro álbum conceitual, segundo entrevista do próprio à Rolling Stone, o rapper vai contando a história de Lucas em faixas que têm desde falas de Denzel Washington, participações de Lil´Wayne ("Hello Brooklyn 2.0" ), Nas ("Success"), Pharrell Williams ("Blue Magic") e Beyoncé, a samples de clássicos como Marvin Gaye ("American Dreamin´"), The Isley Brothers ("Ignorant Shit"), Curtis Mayfield e Al Green. Na produção, nomes como P. Diddy, Just Blaze e The Neptunes dão sua contribuição, como na excelente "Roc Boys (and the Winner Is)", eleita pela a melhor música de 2007 segundo a mesma revista.
Trocando em miúdos, em American Gangster Jay-Z reúne a nata da música negra estadunidense de hoje e ontem para contar (cantar, produzir e tocar) com o talento ímpar que a tornou tão famosa sua versão de uma faceta da sociedade com que ela está muito mais familiarizada. Sua habilidade como contador de histórias - suas ou não - é a cereja do bolo.
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Alone: The Home Recordings Of Rivers Cuomo - Rivers Cuomo
Por Natalie Gunji
Com cinco discos de estúdio nas costas ao lado do Weezer, Rivers Cuomo - vocalista, principal compositor e letrista da banda - finalmente lança seu primeiro álbum solo. Alone - The Home Recordings of Rivers Cuomo, na verdade, é uma compilação de gravações datadas do período de 1992 a 2007.
Mas se Weezer (The Blue Album), Pinkerton e Maladroit são considerados obras-primas pela maioria de seus fãs, o que este disco solo tem de mais?, você pode se perguntar.
Alone mostra muito bem o estilo musical de Rivers naquele momento, que viria a influenciar também a sonoridade de cada disco do Weezer. Um exemplo é uma das primeiras versões de "Buddy Holly".
E, além disso, traz faixas de um disco inacabado e inédito da banda, Songs from the Black Hole, um álbum conceitual que deveria ter sido lançado logo após o primeiro. As faixas "Longtime Sunshine", "Blast Off!", "Who You Callin' Bitch?", "Dude We're Finally", "Landing" e "Superfriend" fariam parte desse disco.
"Lemonade" e "Chess" têm toda a essência do Weezer: letras bobinhas e inocentes, melodia gostosa e chiclete. Então, de repente, você se lembra que é por isso mesmo que são tão queridos. Você canta junto, dança, pula e se emociona.
Pronto, eis a resposta para a sua pergunta.
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Framing Armageddon (Something Wicked Part 1) - Iced Earth
Por Rodrigo "Piolho" Monteiro
Em 1998, o Iced Earth soltou no mercado aquele que muitos consideram o ponto alto de sua discografia, o álbum Something Wicked This Way Comes, que fechava a trilogia "Something wicked". Era o prelúdio de uma obra maior, uma trilogia de álbuns conceituais que o líder da banda, o guitarrista Jon Schaffer ambicionava lançar nos anos seguintes. Infelizmente, devido a uma série de fatores - que envolveram a perda do então vocalista Matthew Barlow e até os ataques terroristas de 11 de Setembro - Jon teve que deixar seus planos de lado. Desde então, o Iced Earth lançou três álbuns: Alive In Athens, Horror Show - estes ainda com Barlow - e The Glorious Burden, que marcou a estréia do vocalista Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest). Finalmente, entre 2006 e 2007 Jon Schaffer retomou seus planos de contar a história que havia planejado lá atrás em dois álbuns: Framing Armageddon (Something Wicked Part 1) e Revelation Abomination (Something Wicked Part 2).
Em termos gerais, Framing Armageddon (Something Wicked Part 1) conta a primeira parte da saga dos Setians, os primeiros habitantes da Terra, sua busca por conhecimento e poder e de Set Abominae, o anti-herói que pode ou não ser o responsável pela destruição da humanidade. Musicalmente, Framing Armageddon (Something Wicked Part 1) mostra que Jon Schaffer voltou à forma, depois de um período de baixa inspiração em seus dois últimos trabalhos.
O album traz 19 faixas, das quais diversas são apenas pequenas introduções instrumentais visando criar todo aquele clima que um álbum conceitual de metal exige. Quando sai disso, no entanto, o que se ouve é um heavy metal raçudo, pesado e até cativante, com muita competência tanto instrumental quanto vocal. Apesar de toda a polêmica em torno de sua presença na banda, nesse álbum Owens mostra a que veio. As faixas "Something Wicked Part I", "A Charge To Keep", "The Order Of The Rose", "The Clouding", "The Domino Decree", "Framing Armageddon" e "When The Stars Collide (Born Is Me)" são alguns dos destaques individuais de um album que é, no todo, bastante homogêneo.
Framing Armageddon (Something Wicked Part 1) mostra que Jon Schaffer ainda tem muitas cartas sob sua manga e cria bastante expectativa pela continuação que, dessa vez, não vai demorar quase uma década para ser lançada. Inicialmente planejado para o começo de março, Revelation Abomination (Something Wicked Part 2) foi adiado para o fim do primeiro ou começo do segundo semestre de 2008. O motivo? A saída de "Ripper" Owens para a volta do filho pródigo Matt Barlow, segundo Jon, "atendendo aos pedidos dos fãs".
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