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No cardápio, os novos de Nine Inch Nails, Jack Johnson, The Duke Spirit e Avantasia

AC
03.04.2008, às 00H00.
Atualizada em 20.12.2016, ÀS 14H02

E num piscar de olhos já estamos em abril. Se continuar assim, logo logo já é Natal de novo e o Coelhinho da Páscoa ainda nem foi descansar. Enfim, nesta edição das Novidades Musicais temos os novos de Nine Inch Nails, Jack Johnson, The Duke Spirit e Avantasia:

Ghosts I-IV - Nine Inch Nails
Por Luciana Maria Sanches

Omelete Recomenda

Trent Reznor que me perdoe, mas letras no Nine Inch Nails é fundamental.

Tudo bem que vivemos em uma época em que tudo parece acontecer em uma velocidade absurda, em que a novidade de hoje é a história ultrapassada de ontem, mas é só aparência...

O Nine Inch Nails, projeto encabeçado por Reznor, carrega 19 anos de existência nas costas e nada pode apagar este fato. Naturalmente, espera-se que uma banda com esta idade evolua, em sentido progressivo, é sempre bom salientar. Para quem acompanha a carreira de um artista durante todo esse período, as diferenças, os pontos em comum e as comparações são inevitáveis e - a não ser que o tal artista não mais se preocupe com aquele fã antigo, que comprou seu primeiro álbum lááááá em 1989 - retroceder é imperdoável. Aos novatos hiperativos da geração "só ouço mp3 baixado da internet", que tudo consomem em tempo recorde, restaria correr atrás do tempo perdido. Isso se as coisas tivessem um funcionamento lógico.

Mas não têm. E Ghosts I-IV, coletânea de 36 faixas instrumentais lançada no início de março pelo Nine Inch Nails, só serve para avolumar o sem-número de músicas descartáveis lançadas diariamente.

Uma retrospectiva rápida: não sou estatística, mas uns 70% da música eletrônica surgiu depois de 1989 - grande parte com influência do modus operandi do Nine Inch Nails; em 1996, Trent Reznor compôs a trilha sonora de Quake, que hoje já entrou para os anais dos videogames; no ano seguinte, contribuiu com algumas faixas da trilha sonora compilada por ele mesmo de Estrada Perdida, filme do diretor David Lynch; na maioria de seus álbuns há pelo menos uma música instrumental. Se entre The Downward Spiral (1994) e The Fragile (1999) houve um hiato de cinco anos, o mesmo não pode ser dito dos últimos três lançamentos do Nails: With Teeth saiu em 2005, Year Zero em 2007, e Ghosts I-IV em 2008.

De repente o fluxo criativo veio com tudo ou Reznor simplesmente perdeu o foco? A cada audição dos álbuns do Nine Inch Nails até With Teeth, é possível sentir a árdua labuta, o capricho, a entrega de Reznor ao trabalho. De lá pra cá, o músico só fez repetir a si mesmo, culminando neste lançamento que serviria muito bem como trilha sonora - de um game ou de um filme da década de 1990. Hoje em dia? No elevador de um prédio mais moderninho e olhe lá.

Em 19 anos muito aconteceu na música, especialmente no que se refere a experimentações tecnológicas e ao do it yourself and your computer. E se havia algo que diferenciava o Nine Inch Nails das outras zilhares de bandas que misturam rock e eletrônico, eram as letras e o peso - não é à toa que a banda carrega um rótulo de difícil classificação, que se coloca entre o intelectual, o psicológico e o industrial. Sem esses elementos, o Nine Inch Nails torna-se um holograma infeliz de si mesmo, um projeto sem comando e foco com um líder sentado confortavelmente na posição de "o cara mais inovador da música", conquistada com justiça, mas por méritos passados.

Fã confessa de Nine Inch Nails, já estou torcendo: que o próximo álbum só saia daqui dez anos, mas que venha para surpreender novamente.

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Sleep Through the Static - Jack Johnson
Por Luciana Maria Sanches

Sabe aquela sensação melancólica provocada pelo lusco-fusco, em que tudo parece meio indefinido? Aquela sensação que vem da indecisão dos céus entre anoitecer de vez ou insistir no brilho do sol? Um sentimento de inquietude, ainda que em um momento belíssimo?

É mais ou menos assim que soa o quinto álbum de Jack Johnson, um ex-campeão de surfe e estudante de cinema que entrou na música meio que por hobby, acabou ficando, se deu bem com a trilha sonora da animação George, o Curioso, e conquistou uma legião de fãs que o mantém há várias semanas no primeiro lugar da parada da Billboard e presença certa entre os dez mais na do Reino Unido.

Johnson não levanta bandeira, não faz grandes alardes, navega entre o pop e o rock beeeem inofensivo, mas nem por isso deixa de ser interessante. Com uma voz que lembra a de Anthony Kiedis, vocalista do Red Hot Chili Peppers, o havaiano discorre sobre o mundo, com foco especial em questões da natureza, e faz questionamentos existencialistas sem se aprofundar demais.

As pitadas de melancolia estão na sonoridade escolhida por Johnson, nem um pouco agressiva, sem grandes variações de tom de voz ou arroubos instrumentais, e nas menções sutis à morte de seu primo, Danny Riley, a quem o álbum também é dedicado.

Sleep Through the Static foi produzido por J.P. Plunier, mesmo do álbum de estréia, Brushfire Fairytales, e gravado em Los Angeles e no Havaí.

Como destaques do trabalho, a faixa de abertura, "All at Once", a mais animadinha, "Sleep Through the Static", e "What You Thought You Need", que reflete bem o espírito do álbum como um todo: despretensioso, sossegado, bom para ouvir na praia, na beira do mar, de preferência assistindo ao lusco-fusco.

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Neptune - The Duke Spirit
Por Natalie Gunji

A banda inglesa The Duke Spirit não é do tipo que faz muito alarde... Não grita aos quatro ventos "comprem nosso disco", mas vem conquistando cada vez mais fãs graças a incessantes turnês pela Europa e Estados Unidos.

Quem assiste aos shows garante que vale a pena, e a conseqüente propaganda boca a boca, de amigos recomendando a amigos, acabou por render o melhor tipo de publicidade à banda: a espontânea e confiável.

Seu novo disco, Neptune, foi produzido pelo guru do stoner rock, Chris Goss (Queens Of The Stone Age e Kyuss) e foi gravado no Rancho de la Luna, em Joshua Tree, onde Josh Homme costuma se reunir com outros artistas para trabalhar em suas Desert Sessions.

Neptune é um álbum de rock, blues com guitarras altas e pesadas, bateria e baixo com batidas firmes e uma ótima vocalista: Liela Moss tem uma voz densa e sexy, uma das melhores do rock dos últimos tempos.

Infelizmente, eles ainda não deram o ar da graça por aqui, mas qualquer um pode ter acesso aos seus discos pela internet - está à venda no iTunes. E recomendamos (eu e os demais fãs do grupo) a ouvir também o primeiro disco da banda, Cuts Across the Land.

Não é bom saber que ainda existe gente nova fazendo boa música? Sem dúvida, um alívio.

Faixas recomendadas: "The Step and the Walk", "You Really Wake Up the Love in Me" e "Lassoo ".

Neptune minissite: http://www.dukespirit.com/lovetoken

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The Scarecrow - Avantasia
Por Rodrigo "Piolho" Monteiro

Em 2001, Tobias Sammet (vocalista do Edguy), reuniu um bando de amigos e montou um projeto paralelo intitulado Avantasia. Na época, o projeto contava com a nata do heavy metal alemão: o guitarrista Henjo Richter (Gamma Ray), o baixista Markus Grosskopf (Helloween) e o baterista Alex Holzwarth (Rhapsody Of Fire). Para ajudá-lo nos vocais, Tobias contou com uma série de participações especiais, entre elas Michael Kiske (ex-Helloween), Kai Hansen (Gamma Ray), André Matos (ex-Viper, Angra e Shaman). Desta brincadeira nasceram dois álbuns: Avantasia - The Metal Opera e Avantasia - The Metal Opera Part II.

O Avantasia atraiu bastante atenção da mídia, não só pelos nomes envolvidos, mas pela qualidade ali apresentada, e logo após o lançamento do segundo álbum, começaram as especulações por uma continuação. Após o lançamento do último álbum do Edguy, o bom Rocket Ride, Tobias resolveu trabalhar com o Avantasia novamente.

Dessa vez, no entanto, mudou totalmente o foco. Ao invés de uma fantasia medieval embalada prioritariamente por diversos estilos de heavy metal, ele optou por um álbum conceitual menos viajante e uma trilha sonora mais diversificada. Em linhas gerais The Scarecrow conta a história de um compositor do século 19 que, aos poucos, vai perdendo sua sanidade. Ao longo do álbum, metafórica e literalmente, ele confronta sentimentos bastante diversos: paixão, sucesso, rejeição, tudo embalado por diversas doses autobiográficas.

Para essa nova empreitada, Tobias novamente se rodeou de um time bastante competente. Além de Samett na voz e no baixo, conta com Sasha Paeth (famoso produtor que já trabalhou com algumas das maiores bandas de heavy metal europeu) na guitarra e Eric Singer (Kiss, Alice Cooper) na bateria. Os convidados incluem os guitarristas Henjo Richter e Kai Hansen (Gamma Ray) e Rudolf Schenker (Scorpions) e o tecladista Michael "Miro" Rodenberg (Luca Turilli). Para viver os personagens dessa nova história, além do próprio Sammet, participam do álbum o onipresente Michael Kiske, Bob Catley (Magnum), Roy Khan (Kamelot), Jorn Lande (ex-Masterplan), Amanda Sommerville (regular backing vocal do Epica), Oliver Hartmann (ex-At Vance) e o lendário Alice Cooper, que dispensa apresentações.

Falando do álbum em si, essa terceira empreitada de Tobias Sammet com seu Avantasia é bastante diferente - e até mais comercialmente viável - do que os álbuns anteriores, o que pode ser considerada uma característica ruim pelos mais fanáticos, mas não o é. O álbum traz alguns hits instantâneos, como as baladas "Carry Me Over" e "Lost In Space", cujos refrões, especialmente da segunda, são aqueles que grudam na cabeça instantaneamente. A longa faixa título é outro dos destaques, com suas variações de andamento e instrumentação bem construída, assim como as baladonas "Cry just a little" e "What kind of love" e o hard rock de "I don't believe in your love".

No entanto, o que faz esse The Scarecrow um álbum tão bom é justamente a maneira com a qual Tobias Sammet se aproveitou das participações especiais. "The toy master" é a cara de Alice Cooper e dá mesmo pra imaginá-lo de cartola e bengala como um negociante cínico e sarcástico; Roy Khan está perfeito como o psiquiatra com um quê de maldade em "Twisted mind" e Jorn Lande simplesmente rouba a cena em todas as faixas das quais participa.

Mesmo que sua direção musical seja totalmente diversa deles, esse novo Avantasia consegue ser tão bom quanto seus antecessores. A versão nacional traz ainda um DVD com os clipes de "Carry Me Over" e "Lost In Space" e uma faixa na qual Tobias comenta o álbum faixa a faixa, além de outros materiais promocionais.

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