Noel Gallagher e Foster The People aquecem noite fria em São Paulo

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Noel Gallagher e Foster The People aquecem noite fria em São Paulo

Em show no Summer Break, bandas superam chuva e público escasso

Julia Sabbaga
09.11.2018
01h24

O Summer Break Festival já sofria problemas quando a data se aproximava e os ingressos começaram a ser vendidos em promoções consideráveis. A falta de entradas vendidas com antecedência já trabalhava contra o Foster the People e o Noel Gallagher’s High Flying Birds quando uma chuva resolveu se apresentar como um novo problema no dia do show. Mesmo assim, no Arena Anhembi, os dois atos enfrentaram adversidades e entregaram, cada um do seu jeito, um show caloroso, que superou a chuva e o frio.

O formato da Arena, talvez por intenção prévia ou pela cota de ingressos vendidos, estava reduzido. A pequena pista VIP privilegiou os fãs que se aglomeraram na grade da pista comum e o som, que já foi um problema do lugar, ganhou com o novo tamanho. O problema é que, momentos antes do Foster the People subir ao palco, muito do público estava acanhado aos lados, tentando achar teto para se proteger da chuva.

Outro acerto do Summer Break foi a pontualidade. A primeira banda subiu ao palco logo que o relógio marcou 20 horas, depois de uma estilosa introdução de música clássica crescente. Foi uma pena que a chuva batia tão forte nessa hora, porque o povo demorou para criar coragem de enfrentar a água e ficar de frente para a banda. Quando o grupo liderado por Mark Foster entrou, teve que conquistar o público com o melhor do seu pop rock logo no começo do show; felizmente, o esforço e as dancinhas do frontman deram certo. Quando a plateia cedeu, Foster fez questão de agradecer aos que enfrentaram a chuva, e o discurso só aumentou o público.

O Foster the People fez um show bem simpático e cheio de hits e luzes, e acabou sentindo o melhor efeito da chuva; a falta de celular. Enquanto o clima pode ter prejudicado as danças e aglomerações, ver uma banda popular tocando seus sucessos sem centenas de câmeras é algo raro. O show, dividido em uma parte mais pop e a segunda parte mais psicodélica, foi um pequeno presente aos fãs do grupo, que vibraram com “Houdini”, “Miss You” e na ótima “Don’t Stop”, quando o céu já tinha aberto e as mãos da plateia foram ao alto. A apresentação, onde os membros ficam ao fundo e o frontman dança de vermelho ao centro, foi precisa, e ainda terminou com um breve discurso muito carismático, em uma tentativa adoravelmente atrapalhada do vocalista em falar português: “Nós amamos muito vocês. Politicamente, está ruim para o Brasil e para o mundo, mas as coisas vão ficar melhores se vivermos nossas vidas com amor”. O Foster the People deixou o Summer Break com ânimo guardado para retornar em um dia menos conturbado talvez, e ao agradecer Noel Gallagher pela oportunidade, pareceu se despedir mais como banda de abertura do ex-Oasis do que como um grupo que poderia ter feito um show solo na cidade.

Mantendo a pontualidade do evento, Noel Gallagher e sua banda surgiram ao palco ao som de “Fort Knox” exatamente as 22h. O show, que traz o vocalista acompanhado de 10 músicos exemplares no palco, tem a capacidade de apresentar ao vivo toda a produção do último disco da banda, Who Built The Moon?. A apresentação precisou de ajustes necessários no som, que acabou prejudicado nas primeiras músicas, mas todas as camadas da produção de Noel estavam no palco do Summer Break. Mesmo assim, o que empolgava mesmo era quando o integrante do Oasis pegava o violão e tocava uma versão modesta dos clássicos da antiga banda. De sua carreira solo, “Holy Mountain” e “In the Heat of the Moment” foram mais bem recebidas, mas mesmo assim as pessoas mais próximas da grade pediam os hits do Oasis. Rabugento e carismático, Noel respondia simplesmente: “Não, eu não vou tocar essa. Nem essa! Por que? Porque eu não quero, ué”. As interações com o público foram destaque também, porque ele puxou papo com os fãs mais próximos e dedicou músicas para pessoas na plateia, e ainda questionou a chuva do dia: “Choveu o dia inteiro! Chove no Brasil?! Ninguém me avisou!”.

Com o céu aberto, na apresentação de Noel Gallagher não faltou celulares ao alto, principalmente em “Wonderwall” e “Don’t Look Back In Anger”, carregada principalmente pelos vocais dos fãs. Antes de se retirar, Noel agradeceu o amor e a oportunidade de retornar tão cedo desde o último show, quando acompanharam o U2 no Brasil no ano passado: “Obrigado por terem enfrentado a chuva e ficado com a gente”, ele disse, antes de fazer um cover de “All You Need Is Love” e deixar o palco.

O Summer Break teve seus obstáculos consideráveis, mas no fim das contas, quem enfrentou a chuva se divertiu. O rock das duas bandas, e o carisma peculiar de seus dois líderes compensaram problemas naturais e técnicos, e deixaram São Paulo esperando por seus retornos.