Mumford & Sons e João Gomes roubam a cena em noite dedicada ao pop no Rock in Rio
Pedro Sampaio, Demi Lovato e Maroon 5 se apresentaram no Palco Mundo
Os fãs esperaram mais de 10 anos para ver o Mumford & Sons de volta ao Brasil. A última passagem de Marcus Mumford e companhia pelo país havia sido no Lollapalooza e, neste sábado (13), foi a vez da banda fazer sua estreia no Rock in Rio. O que se viu foi uma plateia apaixonada e sedenta por um show que cumpriu bem as expectativas — mesmo que a duração do setlist tenha deixado um gosto amargo para quem esperou por tanto tempo.
O sábado na Cidade do Rock teve sol firme ao longo de todo o dia e uma programação no Palco Mundo totalmente dedicada ao pop. Antes do sol se pôr, Pedro Sampaio comandou uma multidão com seus hits. A energia do DJ, cantor e produtor já é conhecida e só reafirmou sua força para arrastar massas. A grande surpresa foi ver o mar de pessoas que realmente correu para "cantar seu nome". Sampaio provou que é um hitmaker nato e desfilou feats e sucessos em uma apresentação que não deixou ninguém parado.
Mais cedo, o Sunset já havia sido palco — ainda que para um público menor — do excelente encontro do projeto que conta com Criolo, o pianista Amaro Freitas e o cantor português com raízes cabo-verdianas Dino D’Santiago. Unindo jazz, poesia e uma bela dedicatória a Milton Nascimento, o trio empolgou os presentes e entregou um dos shows mais classudos do festival. Na sequência de Pedro Sampaio, foi a vez de Os Gilsons, Daniela Mercury e Olodum colocarem a galera do Sunset para dançar ao som dos sucessos da cantora baiana e, claro, do hit “Várias Queixas”.
De volta ao Palco Mundo, a maratona pop seguiu com J Balvin, que empolgou a plateia com suas parcerias — arrancando até comentários do público sobre uma possível aparição surpresa de Anitta. Quem deu as caras por lá foi Melody, que teve seu nome gritado pela multidão. Logo em seguida, Demi Lovato subiu ao palco defendendo a estética de sua fase atual, esbanjando sensualidade e contando com a participação de Pabllo Vittar em “Cool for the Summer”. A plateia vibrou, gritou e chorou com “Heart Attack”, “Skyscraper”, “Give Your Heart a Break” e “Stone Cold”. Demi entregou exatamente tudo o que se espera de uma grande diva pop.
Quem também cumpriu o esperado foi o Maroon 5, a atração principal da noite. Com centenas de fãs vestindo a camisa da banda e filas na loja de produtos oficiais, o grupo liderado por Adam Levine seguiu a cartilha: uma enxurrada de hits e baladas que tocaram à exaustão nas rádios. Não faltaram “Animals”, “She Will Be Loved”, Levine sem camisa e uma plateia cantando em coro. Como em uma grande festa de karaokê, todos cantam e se divertem, ainda que as escolhas do repertório pareçam previsíveis.
Mumford & Sons e João Gomes roubam a cena
As coisas de fato esquentaram no Palco Sunset quando um cortejo tomou conta do fosso e da passarela. Bonecos gigantes de Luiz Gonzaga, Chico Science, o Galo da Madrugada e outros símbolos culturais desfilaram até o palco para anunciar a estreia de João Gomes no festival. O pernambucano deu um show de simpatia e brasilidade, demonstrando a força de seu repertório e justificando seu status de fenômeno nacional. Ele agradou tanto quem correu depois para ver Demi Lovato quanto quem ficou por ali esperando o Mumford & Sons.
Com uma simplicidade ímpar, João Gomes transitou por sucessos próprios como “Eu Tenho a Senha”, “Dengo” e “Aquelas Coisas”, além de “Lembrei de Nós”, do projeto Dominguinho, “Guerreiro Menino”, Gonzaguinha, e “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho. Espremido entre J Balvin e Demi Lovato no horário, Gomes provou ter o talento certo para comandar um palco do porte do Rock in Rio, consolidando-se como um dos maiores nomes da música brasileira atual. O público respondeu com empolgação e dança, deixando o cantor visivelmente emocionado.
A noite do Sunset terminou com o aguardado show do Mumford & Sons, que pareceu um pouco deslocado na escalação do dia. O erro de curadoria do festival acabou afetando o tamanho do público presente, mas não tirou o brilho nem a intensidade dos fãs a cada música da banda britânica. A espera de mais de uma década fez com que as canções do setlist — que equilibrou bem os grandes sucessos e as faixas do álbum mais recente — fossem cantadas a plenos pulmões. Nem a ameaça de chuva mais forte estragou o momento.
O setlist contou com 13 músicas e cerca de uma hora de duração, o que pareceu pouco diante da expectativa acumulada. Ao fim da última nota, muitos fãs continuaram se olhando, na esperança de um bis, mas o acender das luzes confirmou o gostinho de frustração.
Apesar da duração enxuta, a banda não deu espaço para desânimo. O grupo emendou clássicos dos primeiros discos como “Babel”, “Little Lion Man” e “White Blank Page” com as recentes “Rushmere”, “Rubber Band Man” e “Prizefighter”. Como de costume, Marcus Mumford foi para os braços da galera em “Ditmas” e colocou todos para cantar em “The Cave” e “The Wolf”. O show encerrou com o clássico “I Will Wait” e a promessa de um retorno em breve ao país.
O Mumford & Sons deixa o Brasil com essa dívida com seus fãs. Embora a apresentação tenha sido extremamente enérgica e o frontman transbordasse simpatia, o público merecia um show mais longo — consequência direta da montagem do line-up. Dito isso, é difícil imaginar que qualquer fã vá realmente se queixar do espetáculo entregue e todos eles já ficarão a postos para os próximos passos da banda, seja com a Prizefighter Tour ou em uma futura edição do Lollapalooza ou The Town em 2027.
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