Opinião: Mumford & Sons reafirma legado e relevância com turnê Prizefighter
Show em Vancouver abre a turnê norte-americana e comprova que grupo inglês sustenta uma apresentação inteira com hits que marcaram uma geração do pop rock mundial
Lá se vão quase 20 anos desde a estreia do Mumford & Sons com o já clássico Sigh No More, e outros 16 desde Babel, álbum que os catapultou ao estrelato mundial e transformou o folk em inspiração estética e musical para toda uma geração de músicos. Ao "largar" o banjo e flertar com o rock em Wilder Mind, a banda comprovou sua força como headliner em inúmeros festivais até que, desde o irregular Delta, de 2018, segue em busca do significado desta fase pós-ascensão. Agora, com os recentes Rushmere e Prizefighter, álbuns lançados em um intervalo de dois anos, o Mumford abre mais uma turnê mundial, ainda à procura dessa identidade, mas consciente da dimensão que alcançou nestas quase duas décadas de carreira.
O Omelete teve a oportunidade de assistir ao primeiro show da turnê Prizefighter na América do Norte, realizado em Vancouver, no Canadá, e pôde ver como será a apresentação que deve guiar a passagem dos ingleses pelo Rock in Rio em setembro. O carisma do trio segue intocado, assim como foi visto no incrível show do Lollapalooza Brasil de 2016. A diferença é que, além de meia dúzia de singles conhecidos, o Mumford constrói um espetáculo que equilibra bem a intimidade que suas músicas pedem sem perder a grandiosidade exigida por hits como "I Will Wait" e "Believe". Mesmo diante de uma plateia fria, sem trocadilhos, Marcus sustenta sua presença de palco não apenas com belíssimos vocais, mas também com uma interação calorosa que vai além do tradicional comando de gritos e palmas.
A banda como um todo impressiona pela habilidade com que transita de um folk clássico como "The Cave" para um rock vigoroso como "The Wolf". Muito dessa transição é construída por um palco que utiliza estruturas metálicas, um telão nem sempre explorado e efeitos pirotécnicos que transformam um show aparentemente simples em uma experiência repleta de cores, sensações e uma ambientação contextualizada na trajetória da banda. As músicas de Babel são iluminadas em amarelo, as de Wilder Mind em azul, as de Rushmere em vermelho e as de Prizefighter em tons metálicos. No momento mais intimista, quando partem para o meio do público e interpretam três músicas de Sigh No More, o grupo relembra aos fãs mais antigos o motivo de ter exercido tamanha influência sobre o pop rock contemporâneo. O folk com referências literárias e cristãs se transforma em um som com ares de cântico gregoriano, entoado por uma plateia devota e apaixonada.
É palpável a busca da banda por uma identidade para este momento da carreira, seja pelas mudanças de direção e produção nos álbuns, seja pelas letras e arranjos que oscilam entre repetições e experimentações pouco inspiradas. Também é inegável a capacidade que o grupo manteve de criar hits mesmo em discos irregulares, afinal, não é para qualquer um sustentar mais de duas horas de show com quase 25 mil pessoas cantando sem parar. E não deve ser muito diferente do que acontecerá no Rock in Rio, o que comprova a popularidade do grupo e a dimensão que sua obra alcançou, independente do momento que atravessa.
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