Ozzy Osbourne/Dua Lipa/Bob Dylan

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Música

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Os melhores álbuns de 2020 até agora

Apesar da quarentena e seus diversos adiamentos, o mundo da música já ganhou muito este ano

Marcelo Hessel e Julia Sabbaga
29.06.2020
16h22

Foram diversos adiamentos na cultura pop como um todo, e o mundo da música também sentiu os efeitos do coronavírus, com diversos festivais cancelados, adiados ou sem previsão de acontecimento. Mesmo assim, quando se fala de lançamentos de álbuns, fãs de música não tem muito do que reclamar. 2020 trouxe grandes álbuns de veteranos como Ozzy Osbourne e Bob Dylan, sem deixar de fora lançamentos memoráveis de estrelas do pop, como Dua Lipa e Lady Gaga, e presentou fãs até com um novo trabalho do Strokes

Mas entre tudo que foi lançado até agora, quais são os melhores discos do ano? Confira abaixo a nossa seleção, com dicas para ouvir de cada um dos lançamentos:

Bob Dylan - Rough and Rowdy Ways

Bob Dylan - Rough and Rowdy Ways
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2020 tem uma energia apocalíptica, e poucas coisas combinam tanto com essa atmosfera quanto a poesia de Bob Dylan. Ainda bem que ele resolveu nos oferecer Rough and Rowdy Ways, seu 39º álbum de estúdio, no fim do primeiro semestre do ano. Depois de anos de expectativa, o americano retornou com uma viagem pela sua mente que passa por letras que poderíam ter sido escritas há 40 anos, e análises que só o amadurecimento pode trazer. Misturando referências de Shakeaspeare à política americana e ainda com a alma no blues, Dylan entregou um álbum tão assombroso quanto simpático, com faixas brilhantes e totalmente diferentes como "Murder Most Foul" e "I've Made Up My Mind to Give Myself to You". Como ele mesmo descreve, ele contém multitudes. 

Dica para ouvir: "False Prophet"

SAULT - Untitled (Black Is)

SAULT - Untitled (Black Is)
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Depois de mexer com a cena britânica de black music com dois álbuns em 2019, que misturavam explosivamente dance music com funk e soul, este misterioso trio marca posição em 2020 com mais um disco. Enquanto muita gente junta pistas para identificar quem está por trás do SAULT (Michael Kiwanuka está entre os colaboradores do álbum, o que reforça rumores de que o produtor Dean Josiah é um dos cabeças do trio), o álbum se sustenta por si só. Em meio a ótimos lançamentos alinhados com Black Lives Matter, como o álbum novo do Run the Jewels, o SAULT vem com um passeio por possibilidades históricas da black music, com faixas de batidas fortes e repetições quase mântricas, em clima de despertar de consciência e chamado para a ação.

Dica para ouvir: "Hard Life"

Halsey - Manic

Halsey - Manic
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O que Halsey fez em seu terceiro álbum de estúdio, Manic, é algo que a maioria dos pop e rockstars demora uma vida para conseguir realizar. Profundamente autobiográfico sem soar egocêntrico, Manic se organiza na bagunça, e consegue flutuar entre amor e ódio entre uma faixa e outra, depositando em sua voz e no arranjo um monte de sentimentos, para o ouvinte traduzir. Entre as pérolas estão o single "You Should be Sad", "Alanis' Interlude", que conta com todo o poder vocal de Alanis Morissette, e "Still Learning", uma jornada de auto-conhecimento. 

Dica para ouvir: "Alanis' Interlude"

Jeff Parker - Suite for Max Brown

Jeff Parker - Suite for Max Brown
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O caminho para entender as misturas do jazz de vanguarda nos últimos 30 anos passa por Jeff Parker, seja no seu trabalho em grupos como o Tortoise, seja na carreira solo. Suite for Max Brown saiu em janeiro e logo de cara já parece um dos candidatos fortes a disco do ano, porque seu som descomplicado e seguro é ao mesmo tempo empolgante de ouvir (especialmente nas combinações com R&B) e desafiador nas desconstruções e nos improvisos. Há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e, mesmo assim, nada parece fora de lugar.

Dica para ouvir: "Build a Nest"

The Weeknd - After Hours

The Weeknd - After Hours
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Quando se olha o contexto geral do pop em 2020, dá para sentir que o momento é propício para a reinvenção de cada uma de suas maiores estrelas. Um dos maiores exemplos nesse sentido é o novo álbum do The Weeknd, After Hours, lançado em março. Enquanto a voz do cantor segue característica, e por isso suas músicas são inconfundíveis, After Hours veio para provar uma evolução artística profunda para o canadense. Um dos fatores que mais chama atenção aqui é a coesão entre faixas, que faz com que After Hours soe como uma longa jornada musical só, cheia de auto-reflexão - não é coincidência que o disco não tenha nenhuma participação de outros artistas. 

Dica para ouvir: "Hardest to Love"

Destroyer - Have we Met

Destroyer - Have we Met
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2020 tem rendido bem também entre os trovadores do rock. Além do ótimo álbum de Bob Dylan, os veteranos canadenses do Destroyer também compareceram de forma contundente, com seu décimo-terceiro disco. A voz licorosa do vocalista Dan Bejar dá o tom do romantismo, às vezes bem soturno, em contraponto aos sintetizadores mais solares, e essa combinação funciona bem na prática como um convite ao ouvinte. Um disco muito bem produzido que soa calculado demais às vezes, mas que no fim resulta bem envolvente.

Dica para ouvir: "The Raven"

Ozzy Osbourne - Ordinary Man

Ozzy Osbourne - Ordinary Man
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Depois de revelar que seu estado de saúde não vai muito bem, e anunciar que passará por um tratamento de Parkinson, Ozzy Osbourne lançou o álbum Ordinary Man. Enquanto o disco já seria bom por si só, é difícil não associar uma coisa com a outra, principalmente quando o álbum veio 10 anos após seu último esforço solo. Mas agora, ouvir faixas como "Goodbye" e "This Is The End" é uma experiência certamente mais tocante. Ordinary Man traz a voz peculiar do músico em ótima forma, e reúne convidados diversos, desde Elton John a Post Malone, para uma jornada pesada e sombria que acaba como um dos melhores álbuns solo do vocalista. 

Dica para ouvir: "Ordinary Man"

Dua Lipa - Future Nostalgia

Ozzy Osbourne - Ordinary Man
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É tão bom quando o pop produz um álbum único, bem-vindo, que vem para introduzir elementos que ninguém estava usando antes. Quem fez isso este ano foi Dua Lipa. Fazendo jus à uma estreia explosiva em 2017, o segundo álbum da cantora, Future Nostalgia, criou um novo tipo de sonoridade juntando tudo que é nostálgico dos anos 80 com um pop tanto futurista quanto retrô. Parece confuso, mas o resultado não poderia ser mais coeso. Repleto de pérolas, Future Nostalgia funciona do começo ao fim, investindo na voz rouca e sedutora da cantora, e ainda recheado de empoderamento e cutucadas ao patriarcado.

Dica para ouvir: "Love Again"

Westerman - Your Hero is not Dead

Westerman - Your Hero is not Dead
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Anda bem congestionado o nicho dos grupos pop retrô de um homem só. Neste ano todas as atenções indie estão voltadas para o ótimo álbum do Perfume Genius, e isso talvez impeça que as pessoas atentem para este disco de estreia do londrino Westerman. É um álbum grudento na medida, que usa sintetizadores e batidas sem soar derivativo demais dos sons dos New Romantics ingleses, e Westerman responde à expectativa com segurança, depois de quatro anos crescendo aos poucos com EPs e colaborações na cena de Londres. Your Hero is not Dead é o disco que o Metronomy teria feito na sua fase romântica se não tivesse estacionado um pouco nas suas escolhas seguras. 

Dica para ouvir: "Think I'll Stay"

Fiona Apple - Fetch the Bolt Cutters

Fiona Apple - Fetch the Bolt Cutters
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Passam os anos e, a cada novo álbum, Fiona Apple leva mais tempo para concluir o seguinte. The Idler Wheel... saiu em 2012, vendeu bem, foi indicado ao Grammy, e nos últimos oito anos gerou uma expectativa tremenda em relação ao quarto álbum da cantora. Pois Fetch the Bolt Cutters responde à altura a essa expectativa e retoma as crônicas de tom confessional interpretadas com vigor e urgência. Quem esperava mais dos arranjos elaborados de The Idler Wheel... tem pequenas recompensas neste álbum, que no geral escolhe um caminho mais despojado, de canções quase faladas, que contrastam com as letras de empoderamento e emancipação.

Dica para ouvir: "Under the Table"