Luciano Renan usa influência de trilhas para projeto conceitual, Aurora

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Música

Entrevista

Luciano Renan usa influência de trilhas para projeto conceitual, Aurora

Músico explica primeiro álbum autoral com atmosfera folclórica

Julia Sabbaga
01.11.2018
17h15

Já conhecido por suas versões de clássicos de trilhas sonoras no violão, este ano o músico Luciano Renan resolveu investir em material autoral. Já estabelecendo grandes expectativas, a carreira de Renan não mirou baixo, e já lançou o seu primeiro álbum, Aurora, com a ideia de um projeto de cinco álbuns, cada um dedicado a um elemento da natureza. Agora, o músico conversou com o Omelete para explicar a ideia por trás do conceito e as suas influências cinematográficas. 

Já de cara, Renan explica como a paixão por trilhas sonoras ajudou a criar um trabalho conceitual. Ele explica sua adoração pela atmosfera das trilhas, e como elas ajudam a construir histórias: "Temas tem uma força tão grande que contribuem para aumentar o potencial da narrativa de um filme. No caso do cinema, uma das funções da música é ambientar e ajudar a contar a história, tornando mais forte a mensagem do filme. Quando comecei a elaborar o meu trabalho autoral, eu queria fazer algo neste sentido. Pensei em como poderia formatar uma obra que tivesse um fio condutor que pudesse interligar todas as músicas e também os próximos álbuns que virão depois do Aurora". As influências de Renan são grandiosas: "O meu compositor favorito é o Ennio Morricone. Quando era pequeno eu cresci ouvindo os seus temas famosos da Trilogia dos Dólares e aquilo me influenciou muito, são melodias muito mágicas. Sou muito fã também do Yann Tiersen, Ludovico Einaudi, Hans Zimmer e Ramin Djawadi". E as influências ultrapassam as telas: "Sou muito fã de Game of Thrones e Harry Potter. Nem precisa dizer que George Martin e J.K. Rowling dão uma aula sobre como montar o próprio universo". 

A bagagem de narrativas serviu como um pano de fundo que se uniu a um leque de influências nacionais exemplar: Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Alceu Valença e, principalmente, Zé Ramalho: "Cresci ouvindo aquelas músicas incríveis de todos eles, mas sempre me atraiu muito a pegada mística que o Zé Ramalho coloca nas suas composições. Ele é um gênio!". Estas referências são visíveis no disco, tanto na percussão quanto nas melodias, que refletem um clima folclórico, mas com um tempero moderno. Sobre isso, Renan explica: "A nossa música brasileira é um berço de obras e estilos riquíssimos, com muitos elementos e características únicas e belas. Eu quis utilizar vários destes elementos no Aurora mas pensando em trazer uma abordagem moderna e mesclada com as minhas influências diversas que moldaram a atmosfera do álbum".

O resultado é um disco conceitual que trata de questões profundamente humanas, discutindo o mundo interno e externo e a busca do conhecimento da nossa própria consciência, "nossa essência mais pura", como ele mesmo descreve. Aurora representa o elemento Terra no projeto completo, que terá cinco discos: "A ideia é fazer cinco álbuns onde cada um está conceituado em cima de um elemento da natureza: Terra, Água, Fogo, Ar, Éter". Ele continua: "minha ideia é mudar a instrumentação a cada álbum, e vou definindo isso a partir de uma análise subjetiva do que eu imagino que seria a sonoridade daquele elemento". 

O disco já está disponível nas plataformas digitais e as faixas estão sendo lançadas no YouTube com uma proposta visual. Agora, o plano é iniciar turnê antes de embarcar no desenvolvimento dos outros álbuns: "A prioridade agora é terminar de lançar todo o material visual do Aurora e montar o show para uma turnê de lançamento. Para os próximos álbuns, o ideal seria lançar um por ano, mas essa previsão depende de vários outros fatores". 

Ouça Aurora abaixo: