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Lollapalooza 2018 | Imagine Dragons faz show poderoso e cheio de discursos de conscientização

Vocalista pede pelo fim do tabu da depressão

Julia Sabbaga
24.03.2018
22h40
Atualizada em
30.03.2018
20h00
Atualizada em 30.03.2018 às 20h00

Os fãs de Imagine Dragons que aguardavam desde o início do dia nas grades do Palco Onix sentiram o momento chegar assim que Mano Brown finalizava seu baile dançante no palco ao lado. Quando o rapper finalizava o setlist agradecendo o público, toda a plateia ao lado aplaudiu, e não durou cinco minutos para que as luzes apagassem e o palco da banda de Las Vegas se iluminasse com imagens do espaço, sob o som de um discurso sobre a evolução da humanidade.

MRossi/LollapaloozaBR

O grupo entrou ao som de "I Don't Know Why" e uma multidão já cantava junto. O vocalista, Dan Reynolds, líder absoluto do espetáculo do começo ao fim, entrou com toda a pose de frontman, e já começou gritando "Brasil!". De cara, o grupo emendou um de seus maiores hits, "Believer", mas com um começo bem manso só no violão, antes de explodir no som e botar todo a plateia para pular. 

O show foi um exemplo da grandiosidade dos hits do Imagine Dragons, que foram bem distribuidos no setlist, mas rolou espaço para muito discurso também. Logo depois de "Believer", o vocalista - único que abriu a boca durante o show - prometeu que a banda daria tudo de si aquela noite, e emendou em um discurso sobre violência nos Estados Unidos: "Viemos de um país quebrado. Estamos cansados de ver crianças morrendo nas nossas escolas, e da violência armada". Mas Reynolds completa o momento dizendo que a noite é dedicada à união e a celebração da vida e diversidade. Logo depois, em "It's Time", o frontman pediu uma bandeira LGBT da plateia, e ainda desceu do palco para abraçar os fãs da grade, enquanto o povo continuava nos vocais por ele. 

O show é completamente dominado por Dan Reynolds. Até nos momentos em que os instrumentistas ganhariam algum destaque, o vocalista arranja um jeito de roubar o holofote. Em algumas oportunidades, o guitarrista Wayne "Wing" Sermon vem à frente do palco, em justos momentos de destaque durante solos, mas enquanto isso, Reynolds se contorce e deita no palco, fazendo acrobacias e chamando a atenção do público. E até no fim de "I'll Make It Up To You", quando o guitarrista e o baterista Dan Platzman têm um momento de sintonia em um belo solo, Reynolds chega para pegar seu colega de banda no colo, e tirar ele de cima do palanque. 

Mais para frente, Reynolds fez outro belo discurso sobre sua própria experiência com doenças mentais: "Há dez anos eu fui diagnosticado com depressão e problemas de ansiedade"; ele continua dizendo que a doença não é uma fraqueza, e pede pelo fim do tabu, fazendo um bonito momento de apelo pela importância da vida. A mensagem é seguida por "Demons", escrita por Reynolds sobre a sua jornada. 

Com a aproximação do fim do show, o cantor promete que a banda vai voltar ainda muitas vezes, exagerando com um "este é o melhor país do mundo para tocar!". A banda ainda deixou "Thunder" para o fim, rendendo muito pulo, braços para o alto e coros, que aumentaram ainda mais na última noite, "Radioactive". O Imagine Dragons deixou o palco depois de agradecer com uma reverência, e a multidão começou a se encaminhar para o lado, onde Pearl Jam chegaria em alguns minutos.