Dua Lipa, Paul McCartney e Jung Kook (Divulgação // Reprodução/YouTube)

Créditos da imagem: Dua Lipa, Paul McCartney e Jung Kook (Divulgação // Reprodução/YouTube)

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Dua Lipa, Beatles e mais: os lançamentos musicais imperdíveis de novembro

aespa, Jung Kook, Stray Kids, Red Velvet e mais movimentaram o penúltimo mês do ano

Omelete
1 min de leitura
30.11.2023, às 06H00

Ano acabando, e nada do mundo da música desacelerar. Em novembro, como de costume, o Omelete ficou de olho nos grandes lançamentos e te traz uma seleção finíssima que inclui a nova canção dos Beatles (pois é!), o trabalho solo de Jung Kook, do BTS, o retorno da rainha das pistas de dança Dua Lipa, muitas novidades do k-pop (Stray Kids! Red Velvet! aespa!), e até uma parceria da Björk com a Rosalía (pois é!). Confira a seguir

“Apocalypse Calypso” - MIKA

Talvez eu tenha falado um pouco demais de “pop apocalíptico”, porque o novo single de MIKA literaliza essa tendência a dançar enquanto o mundo acaba. Cantado em francês (como o próximo álbum do popstar britânico, Que ta tête fleurisse toujours, marcado para 1º de dezembro), “Apocalypse Calypso” nos lembra porque nos apaixonamos por ele lá nos anos 2000, quando “Grace Kelly” e “Lollipop” se tornaram inescapáveis. A mistura hábil de pianos e sintetizadores encanta enquanto o cantor desfila o seu timbre suave em clima de melancolia contida - isso sem contar a iconografia pop bem urdida do clipe.

“Screen Time” - Epik High feat. Hoshi

Eles atacam novamente! Ícones do hip hop sul-coreano, o Epik High retorna em grande forma com o single “Screen Time”, uma canção machucada sobre as implicações contemporâneas daquele período de pesar após um relacionamento (leia-se: muito stalking virtual que não deveria estar acontecendo). Levada por um piano delicado e por uma batida simples, “Screen Time” cresce com a destreza dos versos de Tablo e Mithra Jin, mas também com a interpretação frágil e sentida de Hoshi, do Seventeen, no refrão belamente composto. Uma pérola para o pessoal da dor de cotovelo.

“Standing Next to You” - Jung Kook

Com o seu ganchinho melódico “emprestado” do clássico “Maneater”, de Hall & Oates, o single “Standing Next to You” escapa um pouco do R&B atrevido à la Charlie Puth (isso não é necessariamente uma crítica, ok?!) que dita o álbum Golden e posiciona Jung Kook como um herdeiro legítimo do new wave funkeado de The Weeknd. Inegável que a canção é produzida à perfeição, com seu longo pré-refrão ditado por sintetizadores estourados, seu refrão em antidrop quase sem letra, e os trompetes explosivos que marcam o ato final. E, embora o falsete estratosférico (e absurdamente afinado) de JungKook brilhe mais em outras faixas do disco, ele nunca é tão eficiente quanto aqui.

"Houdini" - Dua Lipa

Com pouco mais do que seu timbre inconfundível, um gancho melódico dos melhores da carreira, e uma referência óbvia a Madonna no clipe, Dua Lipa provou que pode mais uma vez salvar o pop ocidental da mesmice com “Houdini”. Apostando menos no disco do seu multiplatinado Future Nostalgia e mais no synthwave oitentista (com um toque muito discreto de distorção e psicodelia, cortesia do produtor Kevin Parker, do Tame Impala), a britânica deixa claro quem faz as melhores músicas de pista de dança do mainstream atual - não tem jeito, ela não tem concorrência.

"Maniac" - VIVIZ

“Spin-off” do GFriend formado por três ex-integrantes do grupo (Eunha, SinB e Umji), o VIVIZ sempre teve muito potencial e canções deliciosas, mas elas frequentemente ficavam escondidas por trás de singles que não faziam jus ao grupo. “Maniac” chega para quebrar esse paradigma, colocando o trio para desfilar seus melhores vocais sedutores no meio de uma produção afinadíssima, completa com backing vocals robotizados, uma linha de baixo inderrotável, explosões de sintetizador pontualmente inseridas e um pós-refrão com gancho melódico viciante. Mais densa e muito mais envolvente do que os lançamentos anteriores do grupo.

“Oral” - Björk feat. Rosalía

Qualquer um que conhece bem a carreira de Björk é capaz de identificar que “Oral” não combina com a produção mais recente da islandesa - e nem teria como, uma vez que foi originalmente composta e gravada no intervalo entre os álbuns Homogenic (1997) e Vespertine (2001). Resgatada agora por uma boa causa (os lucros vão para uma organização que luta contra a pesca predatória na Islândia) e incrementada com alguns versos em espanhol de Rosalía, a canção ganha um baita valor nostálgico com sua batida estourada, sua melodia épica, seus vocais teatrais e seus pacotes de corda sintetizados. Enfim, a receita inconfundível da Björk clássica.

“Changed Man” - J.Y. Park

A essa altura do campeonato, J.Y. Park é mais conhecido como o fundador-CEO da JYP Entertainment (gravadora de grupos como TWICE e Stray Kids) do que como artista pop em seu próprio nome - mas, de quando em quando, ele nos lembra de sua paixão pela performance com uma pérola antiquada como “Changed Man”, toda sintetizadores analógicos e baterias eletrônicas (eu te desafio a não bater palminhas!), por cima das quais Park estica o seu timbre curiosamente carismático. Às vezes, o pessoal dos bastidores também precisa tomar o holofote.

“Now and Then” - The Beatles

Não se deixe enganar pelas manchetes de “música feita com inteligência Artificial”. É, sim, uma música dos Beatles. É com ajuda de IA? Sim. Mas é muito Beatles. Tem tudo que uma boa balada do quarteto de Liverpool sempre teve. Os remanescentes Paul McCartney e Ringo Starr fizeram uma grande homenagem a George Harrison e John Lennon ao terminar esse trabalho que começou em 1994. Chega a ser emocionante ouvir um vocal inédito e tão bonito de Lennon. Ah, vale a pena assistir ao mini-doc do Disney+ contando como foi o processo - musical e tecnológico - para a criação da música. (Por Jorge Corrêa)

“Megaverse” - Stray Kids

O disco mais recente do Stray Kids, intitulado ROCK-STAR, está cheio de deleites variados de noise music (como de costume), mas nenhum chega perto do impacto de “Megaverse”, a faixa de abertura. Com o seu refrão resumido a vocal, batida e flauta (se você não contar o literal latido que um dos integrantes solta entre os versos), suas sessões de rap alucinantes e sua transição irrepreensível entre sintetizadores etéreos e sujos, a canção encapsula de forma alarmantemente simples o apelo do grupo de k-pop auto produzido - mas nós adoramos “Comflex”, “Blind Spot” e “Social Path” também, viu?

"YOLO" - aespa

Olhe para além do gancho melódico absurdamente viciante da canção-título (eu sei, é difícil), e fica óbvio que a melhor canção do álbum Drama,do aespa, é o épico de pista de dança “YOLO”. Com batida propulsiva e uma bela progressão melódica, a canção ainda tira do chapéu um pós-refrão cantado em coral no melhor estilo líder de torcida, e não decepciona na missão de aumentar a intensidade para o último refrão, recheado de sintetizadores monumentais. Enfim, “YOLO” sela bem um ótimo ano para o grupo de k-pop.

“One Kiss” - Red Velvet

Hora da confissão: Chill Kill, o álbum mais recente do Red Velvet, simplesmente não funciona para mim. Produzido com a sutileza de uma marreta e desprovido de um único gancho melódico memorável, ele desperdiça o talento inegável das cantoras e o seu capital pop… menos em “One Kiss”. Do começo com o piano em staccato ao uso mais moderado dos poderes vocais de Wendy e cia, a canção usa o pendor soul do Red Velvet do jeito certo, nos lembrando brevemente do que elas são capazes. Pena que, para ouvir mais disso aqui, teremos que esperar até o ano que vem.

“Honey” - The Boyz

Lançado em duas partes (a primeira, de agosto, gerou a maravilhosa “Passion Fruit”), o álbum Phantasy consolida o The Boyz como um dos grupos mais consistentemente brilhantes do k-pop atual. “Honey” brilha na parte 2 do álbum com uma melodia inteiramente composta de ganchos e levadas grudentas, que ainda vem incrementada de uma produção sofisticada em suas escolhas de sintetizador e vocal - de sussurros a declarações roucas a refrões entoados em falsete, tudo é exatamente como deveria ser e está exatamente onde deveria estar. Pura e simples perfeição pop.

“Shatter” - Dreamcatcher

Começando etérea e fazendo uma virada brusca para um noise music agressivo, sem por isso abrir mão de sua batida suave de R&B, “Shatter” é o experimento mais curioso do novo álbum do Dreamcatcher, intitulado VillainS. Enxuto com suas quatro canções, o disco aposta nas forças já comprovadas do grupo, do rock de arena de “Rising” ao épico de pista de dança “We Are Young”, mas é ao bancar a ousadia (dá uma ouvida nos corais gregorianos que marcam o terceiro ato da canção!) que ele mostra porque o Dreamcatcher se tornou o fenômeno que é.

“Sweet Venom” - Enhypen

Os primeiros segundos de “Sweet Venom” trazem uma linha de baixo inédita para a discografia cheia de altos e baixos do Enhypen. Com suas guitarrinhas à la Neil Rodgers e seu gancho melódico sem letra declamado em falsete, esta é uma aposta mais segura do que as mais recentes do grupo. Mas, quer saber? Funcionou! Te desafiamos a não ficar assobiando a melodia do refrão depois de ouvir “Sweet Venom”, mesmo que seja só uma vez - e também te desafiamos a não simpatizar com o álbum Orange Blood depois que o single fez sua magia nos seus ouvidos.

“Batter Up” - Babymonster

Attention!”, pede o Babymonster no começo de “Batter Up”, seu single de estreia. E o novo grupo de YG Entertainment (mesma gravadora do Blackpink e do 2NE1) faz por merecer essa demanda com uma canção bem estruturada - atenção para as mudanças de tom na entrada do primeiro refrão e para o aumento de intensidade dos corais à la líder de torcida no terceiro ato da música - e cheia de personalidade. A combinação simples e eficiente de percussão eletrônica e sopros carrega o ouvinte por pouco mais de 3 minutos (e não menos, olha que milagre!) de puro deleite pop.

“Wait” - Dino

Veja que ironia: o integrante mais jovem do Seventeen faz sua estreia solo com um dos single mais musicalmente maduros a sair do grupo de k-pop. “Wait” encontra o seu triunfo no refrão de melodia e letra simples, mas elegante, carregado por um teclado jazzístico que acompanha a canção inteira, mas explode exatamente no momento certo. Calcando nas habilidades de dança inegáveis de Dino (mas o rapaz manda bem nos vocais também, viu?), o clipe climático de “Wait” sagra o artista como um dos superastros mais promissores do k-pop atual. Queremos mais!

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