Música

Entrevista

La La Land | Compositor relembra como escreveu “City Of Stars”

Justin Hurwitz descreve o momento em que percebeu o sucesso do musical

Julia Sabbaga
29.10.2018
18h08
Atualizada em
30.10.2018
17h13
Atualizada em 30.10.2018 às 17h13

Por uma gafe marcante, todo mundo lembra que La La Land não ganhou o oscar de melhor filme em 2017. A vitória de Moonlight, no entanto, não impediu que o filme de Damien Chazelle saísse como o vencedor do maior número de prêmios na noite, com 6 estatuetas, incluindo uma das mais relevantes, principalmente quando se fala de um músical: melhor trilha sonora. O nome por trás das composições que ganham voz com Emma Stone e Ryan Gosling é Justin Hurwitz, que conversou com o Omelete sobre sua parceria com Chazelle, o processo de criação de La La Land e a experiência do La La Land In Concert, exibição do filme com orquestra, que acontece em São Paulo.

Summit Entertainment/Divulgação

Hurwitz acompanhou Damien Chazelle durante sua filmografia em uma parceria que se iniciou na faculdade, quando foram colegas de quarto. Depois de começarem uma banda e depois largarem ao mesmo tempo, decidiram se aventurar no cinema, passando a colaborar juntos em projetos na área. A inspiração do compositor, não surpreendentemente, é John Williams: “Ele compôs tantas trilhas que só grudam na sua cabeça. Como ET, Jurassic Park, Harry Potter. São músicas tão emocionantes e memoráveis... Pessoalmente, ele é o motivo pelo qual eu comecei a pensar em ser um compositor para o cinema”.

Como não há nenhum filme de Chazelle (que fez quatro longas até hoje) que não foi feito com Hurwitz na música, de início, ele explica que como a dupla funciona: “Assim que ele sabe que fará um filme, nós começamos a discutir. Acho que neste ponto das nossas vidas, nós meio que presumimos que vamos trabalhar juntos”. No caso de La La Land, Hurwitz explica que a discussão começou muito cedo, já que o filme demoraria anos para sair do papel, entre composições e desenvolvimento do projeto. As influências do musical que é uma “homenagem aos musicais” também foram bem propícias para a parceria: “Nós amávamos os musicais franceses, Os Guarda-Chuvas do Amor e Duas Garotas Românticas, e os dois são da mesma dupla de compositor e diretor [Michel Legrand e Jacques Demy, respectivamente], que foram grandes inspirações”. Hurwitz explica que os musicais franceses foram essenciais mas não deixa de citar os clássicos americanos, nomeando os mestres de Gene Kelly, Fred Astaire e Ginger Rogers.

Um dos maiores legados para os fãs de La La Land é “City Of Stars”, a faixa composta por Hurwitz e letrada por Benj Pasek e Justin Paul. Hurwitz explica que a canção demorou meses para encontrar sua melodia, e o resultado lhe veio de surpresa: “Eu estava na casa dos meus pais em Wisconsin quando a melodia me veio. Eu tinha feito tantas melodias e nenhuma delas era tão boa, e então do nada ela me veio. Eu mostrei para Damien e ele ficou maluco dizendo ‘meu deus, é esta!’”. Uma vez composta, o desafio era encontrar o tom certo para Ryan Gosling e Emma Stone, que entraram no projeto depois de todas as composições estarem finalizadas: “Geralmente, o tom certo dos cantores é fácil de achar, mas os dois duetos foram muito desafiadores. Normalmente, há um tom que é perfeito para uma pessoa, e para um dueto, o da outra pessoa pode ser completamente diferente. Então para ‘City Of Stars’ nós nos contentamos com o tom que fosse bom o suficiente para os dois. Para ‘A Lovely Night’, o outro dueto, a solução foi uma mudança de tom no fim. Às vezes você tem que abrir mão de algo, às vezes você precisa mudar o tom”.

O resultado de La La Land foi estrondoso e o musical se tornou queridinho tanto da crítica quanto do público, algo que Hurwitz disse ter sido uma surpresa: “Nós só estávamos tentando fazer e finalizar um filme e não tínhamos ideia se as pessoas gostariam. Nós fizemos o musical que nós gostaríamos de assistir, e no fim foi uma grande surpresa”. O compositor, então, relembrou o momento em que ele percebeu o alcance da obra: “Eu lembro do momento em que ele passou em um festival e as pessoas ovacionaram, mas para mim, pessoalmente, o que me surpreendeu foi ver os covers das músicas online. Eu vi tantas pessoas fazendo suas versões de ‘City Of Stars’, da ‘Audition’. Pessoas ao redor do mundo ouvindo a música, tocando, recriando. Foi aí que eu comecei a perceber o nível do impacto que o filme estava tendo”.  

Por isso, Hurwitz ainda se diz surpreso com a ideia do La La Land In Concert, que chega ao Brasil em dezembro: “Eu definitivamente não esperaria que teríamos apresentações que chegariam ao Brasil! Isso me deixa muito animado. Ver La La Land ao vivo com orquestra é uma experiência linda, e o Brasil tem uma tradição musical tão bonita, e músicos tão bons, que deve ser um toque especial para o público”.

O La La Land In Concert acontece em 16 e 17 de dezembro, no Espaço das Américas, em São Paulo, e em Porto Alegre, no dia 21, no Auditório Araújo Vianna. Para as apresentações em São Paulo, os ingressos estão disponíveis no Ingresso Rápido, e para Porto Alegre, estão disponíveis no Uhuu.