Kiss

Créditos da imagem: Kiss/Instagram/Reprodução

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Despedida? Kiss reúne todos os itens de sobrevivência do rock

Banda se apresenta em São Paulo no sábado (30) em show esgotado no Allianz Parque

Omelete
3 min de leitura
José Norberto Flesch
29.04.2022, às 12H00

Um dos sete pecados de uma vida musical é nunca ter visto um show do Kiss (outra hora eu conto quais são os outros seis). A chance acontece neste sábado (30), em São Paulo (no caso, se você já comprou ingresso, porque está esgotado), ou domingo (1), em Ribeirão Preto (SP). Se você já viu, já sabe que a diversão é garantida, mas deve saber também que esta é a turnê despedida da banda.

"Ah, mas eles falaram que era despedida da outra vez e voltaram". Sim, muita gente faz isso, mas pense que não vão poder fazer isso por muito tempo.

A banda chega em um momento de retorno extasiante dos shows. Dá até para dizer que a carreira fonográfica do Kiss parou há anos, mas a performance não. Ao contrário, Paul Stanley e Gene Simmons, os membros originais que sobraram, são exemplos da sobrevivência performática de um estilo, o hard rock, que já foi dado como morto várias vezes, sem nunca ter morrido, mas agoniza. E o Kiss é um respirador.

Ali no palco tem história. Foi com o Kiss que o lance de tocar maquiado explodiu. Sim, tinha o New York Dolls, na época; tinha Bowie, Alice Cooper, todo mundo pintado no palco. Mas com o Kiss, o circo - no melhor dos sentidos - atingiu camadas etárias mais amplas.

E rendeu histórias. Os mais velhos contam que dizia-se que o Kiss pisoteava aves enquanto tocava, uma criação da mente de alguém que por sorte surgiu muitos anos antes de se ter o WhatsApp para divulgá-la.

As fake news em torno do grupo foram muitas. Tinham pacto com o demônio, diziam (falavam isso do Ozzy também, eu sei). O sangue que Gene Simmons cospe no palco é de animal, juravam. Tem outras. Tudo, porém, serviu para fazer a fama da banda crescer, amedrontar pais conservadores e levar ao deleite sonoro-visual os filhos destes.

Há quem diga que "hoje, só tem tiozão no show do Kiss". Além do tom meio preconceituoso, é outra fala enganosa. Muita gente das novas gerações a) quer saber quem é o Kiss, b) já ouviu / viu Kiss e gosta, c) vai ao show com os tais "tiozões".

Ah, sim, tem os discos. Vários. Alguns muito bons, outros apenas razoáveis, mas é uma carreira admirável.

Ah, e tem os hits, os clássicos. Aí, troque o admirável por invejável. O povo canta "Rock and Roll All Nite" e/ou grita o refrão de "Detroit Rock City" há quase 50 anos. Jovens resolvem tocar bateria ao ouvir a introdução de "I Love it Loud", uma música que tem 40 anos.

Imagine tudo isso num show. Junte à parte musical explosões, músicos voando em plataformas e um vocalista sobrevoando a plateia num cabo. "Ah, isso de voar por cima do público a Pink também faz". Sim, viu como o Kiss deu certo?

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