Jane´s Addiction: <i>Strays</i>
Jane´s Addiction: <i>Strays</i>
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Boa notícia aos amantes do rock n´roll. O Jane´s Addiction está de volta! Ok, isso não é novidade. Agora, a parte boa: o Jane´s Addiction não mudou quase nada... e isso é simplesmente maravilhoso!
O Jane´s foi uma das bandas mais importantes da transição dos anos 80 para os 90. E nunca foi devidamente reconhecida. Com Strays, eles mostram que sempre foram atemporais, qualidade que só se encontra nas grandes bandas. Permanecem coesos, intransponíveis, criativos e harmoniosos como eram há 13 anos.
Pra quem viveu o "boom" dos anos 90 essas são notícias preciosas. Quem levava os louros na época eram, por exemplo, Guns n´roses, Faith no More e Red Hot Chili Peppers. Os primeiros dispensam apresentações, tamanho o sucesso que alcançaram. Também dispensam comentários sobre o que se tornaram nos últimos anos. O Faith no More acabou e aparentemente não pretende voltar. O máximo que ouvimos falar a respeito é de uma possível colaboração do ex-vocalista Mike Patton com 3D, do Massive Attack. Red Hot Chili Peppers? O "funk de Higher Ground", "Knock me Down", "Suck my kiss" e "Taste the pain" deu lugar às bobinhas "Scar Tissue" e "Otherside".
Por essas e outras, temos muito a comemorar quando constatamos que o Jane´s Addiction não mudou nada.
A voz de Perry Farrell continua um enigma. Seria exagero dizer que é uma voz poderosa. Não, não é. Mas é inigualável e pontua todo o álbum, transferindo doçura às letras (inteligentes, como sempre) e registrando em cada faixa sua marca. Depois de andanças pelo mundo, passando inclusive pelo Chili Peppers, o guitarrista Dave Navarro está confortavelmente em casa. O que significa dizer que o virtuosismo sem exageros está de volta. O baterista Stephen Perkins também é da formação original e acompanha as variações de estilo de maneira implacável. Punk, metal, rock puro e simplesmente, não importa. A banda está afiada como nunca. Aliás, como sempre. O único novo integrante é o baixista Chris Chaney, que, nas palavras de Navarro é um dos músicos mais intensos da atualidade. Sem dúvida, o encaixe ficou perfeito.
A produção ficou a cargo de Bob Ezrin, que já trabalhou com Alice Cooper e Pink Floyd, para citar apenas alguns. Segundo Farrell, o álbum dá espaço à diversão, mas não deixa de abordar assuntos mais sérios como a política. Segundo o mentor do Lollapalooza, sempre há um momento em que é necessário botar a cabeça pra funcionar e pensar a que ponto o mundo chegou.
E não é que 13 anos depois o Jane´s Addiction continua à frente de seu tempo? Por mais estranho que isso possa parecer é a mais pura verdade. Em meio às ilusões, aos exageros, à falta de direcionamento que tomou conta do rock n´roll, principalmente o norte-americano, eles mostram que reflexão e criatividade cabem em qualquer época e em nada diminuem o valor da boa música. Resta saber se encontrarão platéia pra tanto. Se eles sempre estiveram preparados, o mesmo não se pode dizer de quem está do outro lado do palco.
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