Harry Styles faz show perfeito em São Paulo e comprova força do último disco
Cantor britânico ainda se apresenta por mais duas noites no MorumBIS
Créditos da imagem: Alexandre Almeida/Omelete
Muita gente torceu o nariz para Kiss All The Time. Disco, Occasionally, quarto disco de estúdio que Harry Styles lançou em março de 2026. Voltado para uma temática mais dance-pop eletrônico e experimental, o álbum dividiu até os fãs mais árduos do britânico. As dúvidas, porém, terminam agora com a Together Together Tour, turnê que Styles trouxe ao Brasil para quatro apresentações em São Paulo. O show não só comprova o amadurecimento profissional de Harry e o refino de seu trabalho, como coloca o novo projeto como uma grande e dançante experiência de arena.
Styles subiu ao palco pouco depois das 21h, logo após o show de abertura do Fcukers, duo de música originário de Nova York que tentou empolgar o público ansioso pelo ex-One Direction. O competente show de abertura tinha um leve e estranho carisma que chamava a atenção: as dancinhas de Shanny Wise. O que parecia uma vergonha meio desengonçada no início começou a se misturar com a apresentação e acabou fazendo com que parte do público imitasse seus passos. Ficam os destaques para “if you wanna party, come over to my house”, “I Like it Like That” e “L.U.C.K.Y.”.
Ao som de “Bridge Over Troubled Water”, na versão cantada por Elvis Presley, e com as luzes e os telões apagados, a incrível banda de Harry Styles subiu ao palco — e já vamos falar mais dela —, seguida pelo cantor quando “Are You Listening Yet?” começava a ser tocada. A partir daí, Styles enfileirou sucessos enquanto passeava pelo gigantesco palco, que tomava grande parte da área do gramado do MorumBIS. A excelente “Golden” foi seguida por “Adore You”, “Watermelon Sugar” e “Music for a Sushi Restaurant”.
Harry então desacelerou a correria e as próprias músicas com as novas “Taste Back” e “Coming Up Roses”, que conta com um lindo arranjo de orquestra e cerca de oito músicos de cordas entrando no palco para acompanhar o cantor. O momento foi encerrado com a ótima “Fine Line”, que fechava os shows da turnê passada e arrancou lágrimas de uma grande parcela do público.
Como de costume, o cantor interagiu com a plateia, leu cartazes, parabenizou uma fã grávida e se encantou com o barulho dos leques presentes no estádio. O objeto, que virou item obrigatório em shows no país, foi parar no palco e Styles brincou de imitar o público. Divertindo-se, ele disse que agora entendia o motivo de Bruce Springsteen fazer shows de quatro horas de duração. O carisma do britânico é cativante e todas as suas interações, mesmo as que parecem mais protocolares — como o agradecimento pela presença de todos e a importância dos fãs em sua carreira —, tornam-se momentos que fazem os olhos não só da plateia, mas do artista brilharem.
Acelerando novamente a apresentação com “American Girls”, “Ready, Steady, Go!” e a ótima “Dance No More”, Harry Styles foi mostrando a força dançante de seu último álbum. Aos poucos, o cantor faz com que a plateia entre em processo de ebulição, movimentando-se cada vez mais. A presença da banda no centro do público influencia diretamente nisso: músicos, dançarinos e o cantor passam a caminhar pela estrutura, criando uma verdadeira festa. A deliciosa “Treat People With Kindness”, do segundo disco de Styles, aparece no meio das canções novas, emendando uma sequência de mensagens com “Respeite sua Mãe” e “Tratar pessoas com gentileza, para tornar tudo melhor”.
Depois do momento fofo, Harry colocou de vez o estádio para dançar com a sequência que consagra definitivamente Kiss All The Time. Disco, Occasionally entre seus grandes trabalhos. O quarteto “Pop”, “Season 2 Weight Loss”, “Carla’s Song” e “Aperture” mostra um Styles em estado de graça com os arranjos e, principalmente, com o caminho e as referências que tomou em seu trabalho. “Season...” é a música que mais ganha com a versão ao vivo e com o excelente trabalho gráfico dos telões.
Antes de falar do final apoteótico, chegou a hora dela: a banda. Encabeçada pela incrível baterista Sarah Jones, um xodó do público, o grupo se apresenta como uma big band, com backing vocals fantásticas, saxofonista e outros metais, além, claro, do guitarrista e parceiro de composição de Styles, Mitch Rowland. O trabalho acompanha de perto o carisma do astro, com a banda segurando o show por vários minutos em suas ausências entre um ato e outro. Sem dúvida, um dos pontos mais altos da apresentação.
Harry retorna para o bis com a referência do grupo que o lançou para o mundo, trazendo mais uma excelente apresentação da orquestra ao tocar um medley de “Night Changes” e “History”. O show termina com a dobradinha “Sign of the Times”, seu primeiro sucesso solo e um dos momentos de arrepiar da noite, com direito a show de fogos, e “As It Was”, que coloca o cantor para correr desesperadamente pelo palco.
Se os DJs não dançam mais, como Harry Styles canta, a apresentação deste sábado (18) provou que o público não está preocupado com isso e não vai parar quieto. Entre leques, choros, gritos e muitos celulares para o alto, a Together Together Tour parece encontrar o equilíbrio perfeito entre os trabalhos do cantor, em uma mistura que nos rouba a noção do tempo e faz com que ele passe muito rápido.
Em pouco menos de duas horas, Harry Styles provou que é um dos nomes mais importantes do pop atual e que tem o talento necessário para comandar um show classudo, sem precisar se amparar em pirotecnias ou trocas excessivas de roupas. Tudo está na energia que ele coloca no palco, na proximidade com seu público e no entrosamento com a banda. Não é à toa que o cantor tenha referenciado Springsteen e seus shows imensos. A vitalidade do Boss inspira muita gente e Styles, com certeza é uma delas.
Ainda há muita estrada para o cantor britânico percorrer em sua carreira, mas a julgar pelo que vimos no MorumBIS, mal posso esperar para colocar meus pés em mais um show de Harry Styles.
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