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Frenético e pesado, Anthrax repassa a carreira em show de São Paulo

Apresentação acelerada animou o público do Tom Brasil

Julia Sabbaga
10.11.2017
02h21
Atualizada em
10.11.2017
03h08
Atualizada em 10.11.2017 às 03h08

Com menos de dois anos desde sua última passagem por São Paulo, o Anthrax voltou para a cidade para fechar a noite do Free Pass Metal Fest, evento que reuniu os americanos do Big Four com Accept e King Of Bones. Ainda na turnê do álbum For All Kings, a banda liderada pelo guitarrista Scott Ian tocou os grandes clássicos da carreira, com hits desde o seu segundo álbum, Spreading The Disease.

Quando as luzes vermelhas e diabólicas acenderam e o Anthrax subiu ao palco, a multidão presente com suas camisetas pretas desbotadas foi à loucura. Já abrindo com a favorita dos fãs, “Among The Living”, o Anthrax desde o início até o fim depositou toda a energia possível no show. Foi impressionante ver todos os membros correndo para cá e para lá o tempo todo, e o baterista Charlie Benante acompanhando com uma velocidade e precisão impressionantes no instrumento. A apresentação nunca parou, e apenas desacelerou para a ótima “Blood Eagle Wings”, faixa mais lenta do álbum de 2016.

Já no intervalo da primeira para a segunda música, a plateia fez coro de “Anthrax! Anthrax!” e a orgulhosa banda emendou a enérgica “Caught In A Mosh”. Durante as pausas na letra, o vocalista figura Joey Belladonna interagia com cada seção do povo, falando com as primeiras fileiras, apontando para o fundo e gritando para o mezanino. O vocalista criou uma relação com os fãs realmente admirável, conseguindo se conectar com intimidade com uma multidão.

Depois da adorada “Madhouse”, que rendeu bons coros, e “Fight 'Em 'Til You Can't”, que começou com uma bateria marcante, Scott Ian falou pela primeira vez ao microfone. Agradecendo os fãs, Ian lembrou que da última vez que passaram por aqui, o show foi no Allianz Park, abrindo para o Iron Maiden. A menção dos mestres do metal não só serviu para arrancar gritos da plateia, mas para fazer perceber que o Anthrax tem a capacidade de animar um estádio, apesar de estar tocando no Tom Brasil. O guitarrista ainda conquistou todo mundo ao dizer que aquele foi o melhor show da turnê da banda.

O Anthrax, então, passou então para a segunda metade do show, com “Breathing Lightning”, do último álbum”, “Medusa”, de 1985, e “I Am The Law”, do álbum favorito da maioria dos fãs, Among The Living. As duas últimas chamaram atenção pelos belos solos do guitarrista Jon Donais, integrante mais tímido no palco, mas que esbanja talento no instrumento.  

Ainda teve a surpreendente “Efilnikufesin (NFL)”, que começou só com o impressionante vocal de Belladonna em um solo, e “Antisocial”, cover de Trust, antes do grupo sair do palco e as luzes apagarem. Com coros de “Olê Olê Olê Olê, Anthrax, Anthrax”, os nova iorquinos voltaram aos poucos, para a performance da essencial “Indians”. E apesar da energia contagiar o público inteiro, a banda interrompeu a performance para reclamar que o mosh pit não estava grande suficiente. Fazendo graça, Scott Ian mandou todo mundo se mexer, e quem tivesse medo de entrar no mosh, que headbangeasse ou balançasse o braço. Valeu a pena. Os fãs obedeceram e o Anthrax finalizou uma performance frenética deixando o público esgotado e feliz.