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Sonoridades africanas, o novo foco de Rincon Sapiência

Com novo disco previsto para novembro, rapper paulistano foi atração do Porão do Rock

Jacídio Junior
28.10.2019
21h13

Rincon Sapiência é um dos principais nomes do rap/hip-hop brasileiro. Dono de uma sonoridade combativa e membro da nova safra musical do país, suas letras quase sempre versaram sobre assuntos políticos do cotidiano das periferias e dos negros do Brasil. 

Rincon foi uma das atrações do Porão do Rock, festival brasiliense que em 2019 completou 21 anos, e lança nesta segunda (28) clipe inédito para seu novo single “Meu Ritmo” - confira acima. O rapper bateu um papo exclusivo com o Omelete e você pode conferir abaixo.

Logo de entrada, algo que chama a atenção como parte do trabalho de Rincon é a forma como ele cria e entrega sua música. O novo single deixa isso claro, com uma pegada mais dançante em conjunto com uma mistura equilibrada entre sonoridades africanas e alguns beats eletrônicos, sua aposta sonora chega com toda força para expandir os horizontes conquistados até o momento. No entanto, mesmo chegando com essa proposta mais dançante, o artista conta que os elementos que versam sobre política permanecem presentes em sua obra, mas dessa vez menos evidentes.

O meu ponto de vista é explorar o que ainda não foi tão explorado. Desde os meus primeiros trabalhos, Elegância (2010), até as últimas coisas que eu lancei, eu tenho esse viés, dançante, divertido. A própria 'Ponta de Lança', minha música de maior audiência, também é assim. E é necessário pensar que como artista é interessante você não ser redundante, você (precisa) trazer energias de várias formas diferentes. Então, tem esse viés de dança, divertido, de pista, mas a gente tem um resgate musical de Guiné, com sample de Famoudou Konatè, um artista incrível de Guiné, pouco conhecido por aqui, e que tem toda uma história na independência de Guiné, também”, comenta.

Com esses elementos em destaque, Rincon fala também sobre a importância de criar obras leves e alegres em momentos mais tensos. “O fato de trazer essa africanidade e propor que as pessoas dancem, nesse momento que a gente está vivendo, no qual a gente anseia se amar mais e também se divertir, é importante. Por isso, mesmo tendo essa pegada (dançante, pra pista), eu também interpreto essa criação de forma política”.

À medida que Rincon fala sobre africanidade e sonoridades africanas, não dá para negar que sua faixa mais recente, “Meu Ritmo”, apresenta esses elementos de forma interessante, e com uma pegada que quase não é vista em produções nacionais. Essa aposta deve ser o fio condutor de seu próximo disco, Mundo Manicongo: Dramas, Danças e Afroreps, com lançamento previsto para novembro.

Para esse, disco eu trago mais experiência como produtor musical, porque é um disco que eu estou produzindo e dirigindo. Por isso, linguagens que eu sempre gostei e ainda não sabia como aplicar na minha música, agora eu estou conseguindo fazer. E sempre baseado na música africana e no caso da “Meu Ritmo”, na música contemporânea e pop que é o que tem influenciado minhas composições e produções”.

As novidades do clipe de “Meu Ritmo

Rincon se mostra empolgado com sua nova empreitada visual e destaca que o clipe de “Meu Ritmo” deve trazer referências de cultura pop, algo que irá dar um frescor para sua veia artística. “A gente usou de tecnologia, de recursos de pós, na composição do clipe e eu acho que esse é um viés mais novo dentro da minha videografia, com uma forma totalmente nova e moderna. Esteticamente é novo e mantém meu frescor artístico, curti muito o resultado”.

Já fechando a conversa, vale a pena refletir sobre como é ser um artista com raízes tão profundas no rap e fazer parte do line-up de um festival tão ligado ao rock. Sobre isso, Rincon comenta ver de forma interessante a sua participação e que já a algum tempo tem pensado em formas de apresentar seu trabalho para ocupar mais os festivais.

O rap tem feito um bom trabalho, nesse sentido [de estar nos festivais] quando se fala da parte artística. Afinal, se a ideia do festival é agregar a música contemporânea, jovem, subversiva, acaba sendo difícil não chegar no rap. Ainda, em conjunto com isso, o estilo também tem entregado grandes trabalhos para a música brasileira. Então, se você pensar em grandes discos você sempre tem álbuns de rap na lista. Acho que isso faz com que a gente seja um pouco mais lembrado por parte desses festivais”, finaliza.

*Jacidio Junior esteve no Festival Porão do Rock a convite da organização