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Escoliose: Dá pra melhorar as coisas&qt&

Escoliose: Dá pra melhorar as coisas&qt&

Atualizada em 28.11.2016, ÀS 23H03

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Nós estamos estragando a cultura mundial.

Nós quem, cara-pálida&qt;&

Nós os internautas, meu velho. Nós da grande metástase cultural chamada internet. Nós que deixamos que meios de comunicação ­ e ao inferno com qualquer boa intenção que possam ter ­ rotulem nossos gostos ou moldem nossas opiniões ou direcionem nossos interesses.

Nada pode ter sido tão benéfico ao livre pensamento como foi o surgimento da internet com uma desbaratada e por vezes incômoda democratização do ato de gritar, pensar alto, jogar conversa fora, reclamar e tal (afinal, o que diabos estou fazendo aqui senão tudo isso&qt;&).

Nada, entretanto, pode ter sido tão prejudicial ao livre pensamento quanto a oficialização do ato de "convencer o amigo a curtir o que eu curto" que a internet possibilitou. O nome disso&qt;& Hype, ou suas formas mais ou menos agressivas de ser.

Às vezes com toda a boa vontade do mundo, outras com todas as segundas e terceiras intenções possíveis, algum jornalista, crítico ou qualquer outra pessoa com certo grau de influência no mundo de alguma arte (seja música, HQ, cinema, ou qualquer outra coisa) expressa profunda admiração ou interesse por algum item. A partir daí temos então uma verdadeira corrida para ver quem adota esta ou aquela banda ou quem descobriu primeiro este ou aquele diretor.

Desde a explosão dos Beatles (e talvez até antes, não sei ao certo) que a indústria do entretenimento é movida a imprensa, que acaba por decidir (ou sugerir com grande poder de veto) onde o consumidor mediano vai torrar seu rico dinheirinho. Em uma sociedade saudável, em que os cartolas do entretenimento tivessem maiores ânsias culturais do que monetárias, talvez fosse pertinente e um bom método para que o consumidor não tivesse que apostar seus trocados em um disco apenas pelo design da capa ou em uma HQ apenas pelos peitões da heroína.

Mas em nossa sociedade, em que pessoas e idéias são compradas com menos empecilhos que um sanduíche, a prática da crítica e influência cultural acaba sendo prejudicial e criando monstros como Britney Spears, Destiny´s Child, Tihuana e outros mais ou menos cotados. Em uma sociedade em que o status quo tende a ser preservado a qualquer custo pelo establishment, é de se esperar que o circo que nos atiram sejam absolutos pelegões e, mesmo sob um suposto manto de rebeldia, sejam de uma profundidade semelhante a uma colherinha de chá.

Por vezes o tiro sai pela culatra e o sistema acaba por elevar pensantes ao estrelato, causando movimentos estranhos na história cultural, como o punk londrino da década de 70 ou o grunge de Seattle nos anos 90 (e mais alguns nomes e épocas e lugares que não vou ficar punhetando pra lembrar agora).

Mas o sistemão está preparado para o revés e a cada Clash surgido aparecem dezenove Cindy Laupers para manter nosso eterno 1984.

Mas agora há a chance pra se quebrar com esta roda desgraçada, pra se meter uma chave de rosca nas engrenagens da grande máquina que nos alimenta. Já não dependemos mais do Fantástico, da Folha, da Showbizz ou da MTV pra nos dizer o que presta ou não. Surgiu diante de nós a liberdade de escolha. Podemos agora conhecer a fundo alguma banda ou artista (nos atenhamos à música) antes de comprar um disco. Esta é a democracia cultural que sempre buscamos. E é por esta liberdade que lutamos, a de escolha. E é este o nosso campo de batalha e continuaremos lutando por Napsters (que Deus o tenha), Kazaas, Morpheus e Audiogalaxies até que consigamos nossa total independência.

E é claro que sempre é jóia poder gravar um CD-R com um showzinho de um Radiohead aqui, uma apresentação de rádio do REM ali e tal ­ e de maneira alguma é este o temor das grandes empresas de entretenimento.

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Aproveito aqui para dar as boas vindas pro Zappia e sua coluna London Arena. Acabo de ler as suas maltraçadas e achei sensacional ­ daquelas que nos enchem de agonia na espera da próxima. Parabéns e keep up the good work, man!

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Estive em Brasília neste fim de semana. Nas camisetas da gurizada muito Nirvana, Dead Kennedys, Che Guevara e muito pouco (ou nada, na verdade) de Legião Urbana, Capital Inicial e afins. Jóia...

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Upload é o nome do festival (leia matéria aqui). Vai rolar agora neste fim de semana com alguns nomes realmente animadores. Em destaque a volta da Graforréia Xilarmônica... Espero que alguém aí vá e me conte como foi.

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Grande Lúcio Ribeiro e sua coluna quarta-feiral na Pensata da "Falha" online, agora em dois tempos de quarenta e cinco com direito a prorrogação e pênaltis.

Este é o cara que escreve a grande coluna musical do Brasil. Ele cita nomes, descreve intenções e deixa a escolha a cargo do principal interessado, o consumidor.

Definitivamente algo está florescendo em termos de cultura no Brasil.

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Por fim, se vocês procurarem direitinho, encontrarão o acústico do REM completo, com três faixas além das que foram ao ar no sábado. E dá-lhe bandwidth gasta.

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Acabo de receber release de uma exposição do multipremiado grupo teatral Galpão, de Belo Horizonte. Estes caras têm grande histórico ­ nem tanto pelo tamanho, mas pela qualidade ­ e já andaram mundo afora com seus espetáculos (incluindo aí a honra de representar Shakespeare no próprio teatro do velho Bill). Está no Rio e vai pra Salvador e pro resto do Brasil e me pareceu bastante bacana.

Pra saber mais dá pra ir em www.grupogalpao.com.br

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É isso aí, pessoas! Um abraço e até mais.

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