Edu Falaschi: “Temple Of Shadows superou o teste do tempo”

Créditos da imagem: Pati Patah/Divulgação

Música

Entrevista

Edu Falaschi: “Temple Of Shadows superou o teste do tempo”

Vocalista faz turnê de 15 anos do álbum e fala da importância do disco hoje

Julia Sabbaga
11.03.2019
16h41
Atualizada em
12.03.2019
08h14
Atualizada em 12.03.2019 às 08h14

“Já tive muitos momentos de destaque na minha carreira, mas infelizmente não todos foram 100% positivos”, comentou Edu Falaschi, vocalista emblemático do metal brasileiro, quando questionado sobre os melhores momentos de uma vida profissional que começou aos 14 anos. Seu nome já passou por bandas como Mitrium, Venuse, Symbols, Angra e Almah e hoje Falaschi foca em uma carreira solo, mas no momento ele divulga um projeto especial: a turnê de 15 anos do álbum Temple Of Shadows, do Angra.

Falaschi falou sobre uma carreira de entradas e saídas e algumas polêmicas, que sempre tiveram reações desproporcionais. Quando ele relembra seus melhores momentos ele fala sobre prêmios, gravações de DVD, e a entrada no Angra, no lugar de Andre Matos. Mas o fim da fase também marcou o vocalista: “a saída do Angra foi um momento traumático, porque não apenas eu saí, como saí doente. Tive um problema de voz, de saúde, e no mesmo ano minha mãe faleceu. Foi uma série de momentos ruins em 2012 que quase levou minha carreira ao fim”. Felizmente, as coisas não foram bem assim: “Eu lutei e consegui passar por cima, chegando até esse momento aqui”.  

O que ele diz não é pouco. Se passaram anos, mas a turnê comemorativa de Temple Of Shadows comemora o legado de um álbum ainda presente no coração dos fãs. O disco ganhará uma turnê apropriada, com shows marcados por todo Brasil, e um show especial em São Paulo, que será registrado para um blu-ray e contará com a Orquestra Filarmônica Bachiana e regência do maestro João Carlos Martins.

Questionado sobre o sucesso do disco de 2004, Falaschi diz que o maior marco é a sobrevivência do trabalho no teste do tempo, e que o resultado de Temple Of Shadows é sentido mais ainda hoje: “Você só percebe que um disco é realmente bom tempos depois (...) O Temple Of Shadows veio na reverberação do sucesso do Rebirth. Aí a gente só vai ter certeza que o disco é realmente bom anos depois, porque ele é sempre bom, venerado, porque tá na empolgação do momento anterior. O Temple of shadows superou a questão do tempo”. Claro que uma das grandes provas é a turnê atual: “Vamos fazer a turnê de um disco especifico 15 anos depois e os shows estão lotando. Em um momento do mercado fonográfico totalmente atípico, comparado aos anos iniciais, do começo dos anos 2000, é uma grande vitória, e uma prova física, através da venda dos ingressos, de que as músicas desse disco são músicas que marcaram uma época”.

Apesar da passagem do tempo, o vocalista explica que sua relação com as músicas não mudou: “É uma relação de amor porque é uma obra sua, é algo que você construiu e nunca perde. É como um filho, você nunca vai deixar de amar (...) Só tenho a agradecer a essas músicas, porque sem elas a gente não teria chegado até aqui”. E mesmo 15 anos depois, Falaschi diz que não mudaria nada das colaborações do disco, que incluem Milton Nascimento, Kai Hansen, Hansi Kürsch: “Aqueles convidados caíram como uma luva para aquelas músicas e ajudaram a construir a persona de cada música do disco. Eu não trocaria ninguém. Faria do mesmo jeito”. As contribuições ainda ajudam para criar ainda mais hype da turnê, que também terá participação especial de Hansen no show de São Paulo.

Questionado sobre a faixa mais empolgante de apresentar na turnê do Temple Of Shadows, Falaschi tem dificuldade para apontar alguma, mas responde baseado na resposta do público: “A participação do público na música ‘Late Redemption’ é uma coisa emocionante. Quando eu faço os shows cantando essa música e não tem um convidado que faça uma parte do Milton Nascimento, o público canta. E quando você vê 2 ou 3 mil pessoas cantando isso, em coro, gente chorando, é emocionante para caramba, e eu me emociono junto com o público. Acho que esse é um momento emblemático”.

Focado neste momento da carreira, Falaschi termina o papo respondendo sobre a sua visão do metal no Brasil hoje em dia. Conhecido por seu posicionamento passado, o vocalista explicou que não se arrisca mais opinando sobre questões mais amplas sobre o mercado musical no Brasil: “Eu foco mais no meu trabalho, resolvi fazer dessa forma e acho que, para mim, pessoalmente, me fez muito bem. Me ajudou muito a crescer como ser humano, como musico, como artista. Minha carreira melhorou muito a partir do momento em que eu foquei nas minhas coisas, no meu nome e na minha música. Sem pensar em mercado ou levantar bandeira. Acho que foi uma decisão sábia para mim”.

A turnê do Temple Of Shadows também terá Aquiles Priester e o Fabio Laguna, ex-integrantes do Angra. Informações de cidades, locais e vendas de ingressos podem ser conferidas no site oficial do Edu Falaschi.