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Solo de Eruption dividiu história do rock em antes e depois de Eddie Van Halen

Guitarrista, que morreu vítima de câncer, era considerando um dos melhores do mundo

José Norberto Flesch
06.10.2020
18h05
Atualizada em
06.10.2020
18h52
Atualizada em 06.10.2020 às 18h52

Alguns músicos já surgem lendários. Eddie Van Halen é um deles. Muita gente já havia demonstrado sua habilidade na guitarra quando aquele jovem holandês, criado nos EUA, apareceu com um solo no primeiro disco - homônimo - de uma banda que levava seu sobrenome. A performance ganhou o título "Eruption". Foi como um "cala a boca, ouve isso e treina mais" para todo mundo que se achava o bonzão da guitarra, no rock. O ano era 1978 e muito moleque quis aprender a tocar por causa daquilo. "Eruption" pôs o Van Halen no topo da lista de novas boas bandas do hard rock e seu guitarrista passou a frequentar todas as listas de melhores do mundo.

A curiosidade para ver Eddie - que na verdade se chamava Edward Lodewijk Van Halen -, seu irmão Alex (bateria), o baixista Michael Anthony e o vocalista David Lee Roth ao vivo colocou o Van Halen na estrada em longas e lucrativas turnês. No palco, Eddie exibia toda sua criatividade em solos que deixavam os fãs grudados em seu dedilhado e também na mania de colocar a palheta na boca, vício que, chegou-se a especular, mais tarde teria ajudado a deflagrar o câncer na garganta que o matou nesta terça, 6 de outubro de 2020.

A ânsia mundial de ver um show do quarteto chegou ao Brasil, ainda que tenha demorado. O Van Halen tocou no país em janeiro de 1983, na turnê que promoveu Diver Down, seu quinto disco. Na época, era raríssimo ver um artista internacional por aqui. É possível encontrar a apresentação do Van Halen em São Paulo no YouTube, uma reprodução da que foi exibida pela TV Bandeirantes, na época. A qualidade é ruim, mas suficiente para se perceber que o grupo fez ótima performance.

O guitarrista Eddie Van Halen em show de 2012
Kevin Winter/AFP

O Van Halen mostrou um repertório de mais de 25 músicas. O show foi no ginásio do Ibirapuera. A vinda incluiu uma apresentação no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, muito citada como "ensurdecedora" em grupos de fãs; e outra em Porto Alegre, no Gigantinho.

Ficou famosa a frase que o vocalista David Lee Roth soltou na coletiva de imprensa para os shows no Brasil, quando perguntado sobre o que conhecia de música brasileira: "Comprei umas fitas (cassete) virgens e trouxe um (aparelho) estéreo muito bom", falou o cantor.

Na mesma entrevista no Brasil, Eddie Van Halen mandou: "A razão de eu tocar desse jeito é que nunca me ensinaram nada. Acho que a melhor maneira de aprender as coisas é não ser ensinado".

O guitarrista Eddie Van Halen em show de 2012
Kevin Winter/AFP

Foi a única vez que o Van Halen veio ao Brasil, apesar de Roth ter prometido que a banda voltaria. Ele voltou, mas em carreira solo, muitos anos depois.

Eddie e o irmão nem trabalharam mais com Roth por tanto tempo. Três anos depois, Sammy Hagar passou a integrar o Van Halen. A entrada do cantor alimentou a criatividade do guitarrista, mas agora para uma pegada mais pop. Como consequência, o Van Halen tomou as rádios dos EUA e do resto do mundo.

A lista de clássicos que Eddie gravou com o Van Halen é imensa. Além de "Eruption", tem "Runnin' With The Devil", "Panama", "Dance The Night Away", "Jump", "Dreams" e uma versão de "You Really Got Me", do The Kinks, entre outras.

A banda perdeu a força nos anos 1990 e ficou parada na década seguinte, ainda que, em 2007, Eddie tenha entrado para o Rock and Roll Hall of Fame. Em 2012, o guitarrista reuniu o Van Halen, com seu filho Wolfgang no baixo e Roth nos vocais, para A Different Kind of Truth, último disco do grupo.

Oito anos depois do derradeiro álbum, Eddie perdeu sua longa (mais de dez anos) batalha contra o câncer. O músico teve também problemas com o alcoolismo, ao longo da carreira. Nada disso vai impedir que ele esteja agora mostrando o melhor show de rock que já foi feito no céu, alternando solos com Jimi Hendrix.

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