Ed Sheeran contra todos: entenda a treta que fez todo mundo abandonar o cantor
Onda de desligamentos da turnê do cantor começou após a saída de Macklemore da produção
Créditos da imagem: Reprodução
Recentemente, o cantor Ed Sheeran sofreu com baixas na sua atual turnê, Loop, após o rapper Macklemore ser demitido da produção graças aos seus pronunciamentos pró-Palestina em dois shows.
Após o desligamento do rapper, outros artistas que fazem parte da turnê, optaram por se retirar da produção em apoio ao que aconteceu com Macklemore. Entenda a linha do tempo do caso:
O que aconteceu para Macklemore ser demitido da turnê?
Em 4 de setembro, o cantor fez o show de abertura no MetLife Stadium em Nova Jersey, onde ele fez um pronunciamento a favor do povo Palestino. "Uma grande parte do motivo pelo qual eu quis fazer esta turnê, desde o início, é poder ficar de pé em estádios como este e dizer duas palavras que são muito, muito caras ao meu coração: Palestina Livre."

Depois disso, Macklemore cantou "Hind's Hall", música que condena as ações do exército de Israel em Gaza, além de mostrar imagens da destruição no local. Após o ocorrido, a organização StopAntisemitism criticou o rapper, dizendo que ele havia utilizado o show para "promover uma propaganda anti-Israel".
No show seguinte, Macklemore respondeu as alegações, dizendo querer conversar "com seus irmãos e irmãs Judeus". "Criticar Israel, criticar o apartheid, opor-se ao genocídio — isso não é, de forma alguma, uma crítica a vocês", disse ele, acrescentando que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.
O ataque de Israel a Gaza começou após o ataque de 7 de outubro de 2023, onde membros do grupo terrorista Hamas atacaram o território israelense, em uma ação onde 1200 pessoas foram mortas e 251 foram sequestradas.
Desde então, a campanha do exército de Israel na Palestina já matou mais de 73,780 pessoas, segundo dados corroborados pelas Nações Unidas.
Após o ocorrido, Macklemore fez um comunicado em seu Instagram, explicando que após uma semana de "conversas difíceis" com Ed Sheeran, que acabou resultando em um "desacordo fundamental", ele foi retirado da turnê. Contudo, a Messina Touring Group, que promove a turnê, revelou que alguns locais haviam banido o rapper de se apresentar, o que levaria ao cancelamento de vários shows.
Em seu comunicado, Macklemore disse compreender a situação difícil em que Sheeran se encontrava, mas criticou o cantor inglês por não assumir uma posição. "Tomar partido pode custar caro. Dinheiro, contratos com marcas, patrocínios, festivais, shows privados, relacionamentos e acesso. Já perdi tudo isso. Mas não existe posição neutra entre o opressor e o oprimido", escreveu ele.
Ele também abordou as acusações de antissemitismo, escrevendo que "uma das formas mais eficazes de impor o silêncio tem sido transformar a acusação de antissemitismo em arma". Macklemore acrescentou: "Quando criticar Israel, opor-se ao sionismo ou dizer 'Palestina Livre' é equiparado ao ódio contra o povo judeu, isso não protege o povo judeu. Protege Israel de ser responsabilizado."
O que aconteceu depois? Quem saiu da turnê?
Após a saída de Macklemore, uma série de pessoas envolvidas com a turnê optaram por se retirar da produção. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga - que tocaria durante a apresentação de Sheeran -, optaram por se desligar da produção.
Em comunicados no Instagram, a Banda citou a possibilidade de Robert Kraft, dono do Gillette Stadium e também o time de futebol americano New England Patriots, de fazer lobby para que os outros locais da turnê também banissem Macklemore. Kraft é um apoiador e doador de recursos para Israel.

"É importante que todos nós saibamos que o verdadeiro inimigo é o lobby Sionista", disse a banda Beoga em seu comunicado. "Eles trabalharam incessantemente para silenciar artistas que querem falar livremente sobre um genocídio acontecendo na nossa frente, por medo de retaliação".
Finneas, que faria seis shows na América do Sul no fim do ano, disse nas redes sociais: "Artistas não devem ser calados quando falam pelos oprimidos. Decidi sair das minhas próximas datas com Ed Sheeran. Estou com a Palestina e seu povo."

Rowe, que é irlandês, também explicou sua decisão. "Como irlandeses, sabemos bem o que é genocídio, fome forçada e ocupação violenta. Não posso deixar que bilionários usem seu poder para calar quem se levanta contra o genocídio israelense. Perderia o respeito por mim mesmo se continuasse como se nada estivesse acontecendo." Ele terminou a nota escrevendo "Palestina Livre".

Lukas Graham falou logo depois. "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a bandeira sobre elas. Não posso dizer isso e continuar com a turnê como está. Estamos saindo das datas que restam."
O que disse Ed Sheeran sobre o assunto?
O cantor se pronunciou na última terça-feira (15), dizendo que a decisão não teria nada a ver com ele, e sim com a produção da turnê e que ele havia tentado intervir para que Macklemore continuasse na produção.

Ele também comentou brevemente sobre a situação em Gaza. “Estou consternado com o conflito entre Israel e a Palestina”, escreveu ele na primeira de várias declarações em tópicos. “O sofrimento e a dor causados a ambos os lados constituem uma tragédia humana. Há guerras demais pelo mundo causando dor imensurável; nenhuma delas deveria ser tolerada.”
Sheeran também explicou que a decisão partiu principalmente dos donos das locações. “Fui informado de que essa posição se baseava na maneira como Macklemore transmitiu parte de sua mensagem durante a apresentação, e não em tudo o que foi dito”, escreveu ele.
“A decisão de tirar o Macklemore da turnê foi do promotor, não minha”, disse ele. “Eu jamais decepcionaria os fãs que haviam feito planos, nem abandonaria a equipe de turnê e os outros artistas de abertura e músicos que dependem de mim para trabalhar e garantir seu sustento.”
Sheeran também aproveitou para comentar sobre a declaração de Macklemore de que ele não tomava um posicionamento claro sobre a situação na Palestina. “Sempre usei minha plataforma e minha música para unir pessoas de todas as origens e culturas, e isso nunca vai mudar”, escreveu ele, acrescentando mais tarde: “Escolho usar minha fama e minha plataforma para oferecer um espaço de segurança e refúgio, para manter a diplomacia e conservar o diálogo aberto, em vez de fechado.”
“Não sou conivente”, acrescentou. “Tenho minhas opiniões pessoais sobre esse conflito devastador. O fato de eu optar por não me manifestar publicamente não significa que eu não as tenha, nem que eu não me importe. Tampouco significa que eu não apoie causas à minha própria maneira.”
“Passei esta semana tentando construir pontes, buscar uma solução e, infelizmente, não consegui”, concluiu Sheeran em sua publicação. “Sei quem sou, tanto como pessoa quanto como artista, e aqueles que conhecem o meu coração também conhecem os meus valores.”
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