Música

Entrevista

DGTL | Festival de e-music com foco no meio ambiente desembarca no Brasil

Dave van Dalen, um dos criadores do evento, falou sobre os destaques da edição Brasil, e da relação com as edições holandesa e espanhola

Jacídio Junior
04.04.2017
18h13
Atualizada em
04.04.2017
19h00
Atualizada em 04.04.2017 às 19h00

Imagine um festival pensado em todas as suas etapas para ter o menor impacto ambiental possível? Um evento de grande proporção que não vende alimentos com carne e que desde sua primeira edição tem sido destaque justamente por avaliar tudo que permeia a consciência ambiental em conjunto com artes e música eletrônica. Assim é o DGTL, festival nascido em Amsterdam, em 2012, que também é realizado em Barcelon, e que chega neste ano para sua primeira edição no Brasil.

DGTL Festival acontece em São Paulo

Para falar sobre a ideia e o conceito do evento, o Omelete conversou com exclusividade com Dave van Dalen, um dos criadores do festival e que está à frente da equipe que está trazendo o DGTL para o Brasil. Assim, sem rodeios, Dalen destaca que o festival nasceu para ser organizado da forma mais sustentável possível, mas sem que fosse necessário "converter" os visitantes. "Basicamente, tentamos demonstrar para o nosso público como você pode fazer coisas de forma diferentes. E que fazer coisas de forma sustentável pode ser bem bacana".

Como parte disso, o DGTL realizado em Amsterdam deu passo além e desde 2016 é um evento livre de carne desde a edição de 2016, alago que vai ser replicado na edição brasileira. Sobre essa ideia, o holandês destaca que assim que o festival anunciou que seria feito sem a venda de alimentação que contivesse carne, na Europa, as pessoas primeiro ficaram surpresas, "[...]algo assim nunca foi feito antes em nossa indústria", comenta. No entanto, ele confessa que após a explicação de que o consumo de carne é extremamente pesado para o ambiente, as pessoas compreenderam bem a ideia. "Quando mostramos que poderíamos poupar CO2 equivalente a 350 voos de Amsterdam para Paris, todos os nossos visitantes concordaram que era algo incrível".

Ainda entre as ações implementadas no festival, ele também destaca que o DGTL mudou algumas perspectivas sobre como se divertir na Holanda. "Por exemplo: Pra nós não é normal usar copos descartáveis e jogá-los no chão depois de terminar sua bebida. O mesmo funciona com o desperdício. Festivais produzem muito 'desperdício'", destaca. Sobre isso Dalen reforça que o DGTL produz muitos produtos a partir desses resíduos, "Nós reciclamos nosso material de merchandising em peças de roupa, criamos shapes para skate a partir de copos plásticos e também fazemos fertilizante de xixi".

E claro, além de toda a preocupação com o meio-ambiente, é interessante saber o que torna o DGTL um festival diferente dos outros, já que a quantidade de eventos do segmento dedicados a música eletrônica só tem crescido. Sobre isso o organizador destaca que o forte do evento é o foco em inovação, sustentabilidade e arte. Tudo isso, em conjunto com a programação musical, é o que faz a diferença, enfatiza. "Isso significa que nós fazemos a curadoria de muitas instalações de arte, performances artísticas e todos esses quesitos fazem parte integral da nossa experiência", e segue afirmando que "[...] nós não gostamos das pessoas tendo que fazer fila para entrar, ir ao banheiro ou para pegar bebidas, nós investimos muito para fazer com que a experiência completa dure e que tudo seja feito com um grande respeito pelo planeta".

Colocando todos esses detalhes na balança, o que fez do Brasil o primeiro lugar a receber o DGTL fora da Europa? Dalen comenta que a companhia responsável pelo DGTL já organizou outros eventos no país "[...] e nós ficamos surpresos com o indomável espírito dançarino dos paulistanos. Junte a isso a crueza da cidade e você vai ter o casamento perfeito para o DGTL". Dalen também ainda comenta que São Paulo já estava nos planos do festival há um bom tempo. "Nós estamos muito empolgados que, enfim, encontramos o lugar perfeito (um galpão industrial com área coberta e externa) para o evento", destaca.
 
Experiência
Sobre a tão comentada experiência DGTL, o organizador afirma que é algo "além de mágico", e prossegue, "É uma experiência de festival na qual as pessoas podem entregar algo a mais. Um sentimento, uma revelação, uma ideia, uma inspiração. Se a gente deixa a nossa audiência com algo que eles nunca viram antes, nós já ficamos extremamente satisfeitos".
 
E claro que isso tem a ver diretamente com a mistura equilibrada de vivências e nomes que o evento costuma colocar sob sua curadoria, detalhe que Dalen enfatiza ao afirmar que  o line-up é pensado para encontrar o equilíbrio entre grandes nomes, nomes locais e talentos emergentes internacionais. "É um risco que faz com que o público retorne todos os anos. Os visitantes têm fome de novos artistas e novos sons". E falando sobre essa mescla, outro detalhe que chama muito a atenção é a boa seleção de nomes locais para se apresentar no festival. Dave van Dalen confessa que a pesquisa para esses nomes aqui no Brasil foi realizada pelos parceiros da ODD que "encontraram os melhores tesouros locais", e segue, "Nós gostamos que a nossa programação seja uma combinação entre headliners internacionais e nomes locais. Eu acredito que nós realmente conseguimos sucesso com isso", enfatiza.

Quanto a essa curadoria bem trabalhada com talentos locais, Dalen se mostra um entusiasta da cultura eletrônica brasileira ao afirmar que atualmente, o "Brasil é o maior país a fazer a mudança para o nosso gênero de música de forma tão rápida. Eu acredito muito que outros países também irão seguir [esses passos] e vamos torcer para que o Brasil permaneça à frente do cenário mainstream". Além disso ele ainda comenta que a cena underground do país é incrível. "As pessoas são mente aberta e gostam de se divertir intensamente e por longos períodos. Só pra lembrar, a edição do DGTL no Brasil vai terminar às 10h da manhã", enfatiza.

Van Dalen encerra a conversa reforçando que, fora o fator geográfico, a experiência dos três festivais é a mesma, seja aqui, em Barcelona ou em Amsterdam e destaca quem ele quer muito ver na primeira edição em terras tupiniquins. "Eu estou ansioso para ver a jam de beats eletrônicos do Teto Preto. E se você ainda não viu os nossos santos holandeses Patrice Bäumel e Speedy J, você definitivamente precisa fazer isso".

O DGTL: São Paulo acontece no Jardim Santa Cecília, em Barueri e começa no dia 6 de maio, às 20h, e vai até o dia 7, às 10h. O evento já anunciou seu line-up e conta com nomes como Apparat, Mind Against, Speedy J, Carl Craig, Zopelar, Gui Scott, Márcio Vermelho, Eli Iwasa, entre outros - veja vídeo com line-up.

Ingressos e mais detalhes sobre o evento estão disponíveis no site oficial.

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